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Sábado, Outubro 23, 2021

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Sertã | Ardeu 90 por cento da freguesia do Troviscal

“Ficou quase tudo dizimado” no incêndio que deflagrou na Freguesia do Troviscal, concelho da Sertã, no dia 15 de outubro e só foi extinto no dia 16 de outubro. As palavras são de Manuel Figueiredo, Presidente da Junta, que estima ter ardido 90 por cento da freguesia, que tem no total 54 km2 de área.

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O autarca aponta a destruição de casas de primeira e de segunda habitação, bem como de anexos. Há ainda a registar a morte de “muitos animais”.

Aspeto que preocupa Manuel Figueiredo é o impacto que o incêndio tem na agricultura e na floresta. “As hortas foram todas dizimadas, o olival ardeu praticamente todo, os castanheiros também arderam, os prejuízos são enormes”, lamenta o autarca.

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Troviscal, que era uma freguesia excedentária em termos de produção de azeite, e num ano que augurava uma boa colheita, “ficará com problemas” uma vez que a maior parte das oliveiras arderam.

“Estas pessoas já eram pobres e ficam ainda mais pobres”, conclui o autarca.

Tanto o Presidente da Câmara como o Presidente da Junta têm a mesma opinião quanto à origem dos fogos: mão criminosa.

Presidente da Câmara da Sertã, Ministro Vieira da Silva e Presidente da Junta do Troviscal (Foto: mediotejo.net)

E quanto a medidas a tomar no futuro, Manuel Figueiredo tem ideias bem definidas. Defende o ordenamento, a obrigatoriedade de criação de faixas de contenção e o redimensionamento da floresta com a identificação de espécies a plantar, dando como exemplos, o carvalho, o castanheiro e o medronheiro. “Para isso o Governo central tem de disponibilizar verbas”, defende, apontando para um horizonte de cinco a 10 anos.

“Nesta questão dos incêndios, todos somos culpados: a sociedade civil, os próprios órgãos autárquicos e principalmente o governo pela má coordenação no combate aos fogos”, afirma Manuel Figueiredo.

Critica que tenham de ser os vizinhos a denunciar a falta de limpeza dos terrenos o que, sobretudo em meios pequenos, causa intrigas desnecessárias entre vizinhos. Na sua opinião, deviam ser as entidades fiscalizadores a atuar, sem ser preciso os vizinhos estarem a apontar culpados.

Arderam casas de primeira e segunda habitação, bem como anexos e barracões (Foto: mediotejo.net)

As críticas do autarca estendem-se à GNR que “precisa de ser reciclada porque muitas vezes presta um mau serviço em caso de incêndio porque não conhecem o terreno”.

Por fim manifesta-se “totalmente contra o facto de terem tirado às corporações de bombeiros o comando no combate aos incêndios”. Manuel Figueiredo é de opinião que devem ser as corporações locais a coordenar esse trabalho porque conhecem o terreno.

No dia em que estas declarações foram recolhidas, o Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva, deslocou-se ao concelho da Sertã para visitar as zonas afetadas pelos incêndios. O objetivo é “identificar as áreas prioritárias de intervenção” e “fazer o reconhecimento completo de todo o impacto”.

Troviscal, uma Freguesia manchada de negro (Foto: mediotejo.net)

Para as próximas semanas o ministro promete o anúncio de medidas para “ajudar à recuperação e reflorestação”  e a definição de “respostas concretas a cada caso”, sendo que “ a área social é de prioridade máxima”.

Vieira da Silva, acompanhado por Isabel Damasceno, vogal da CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, e autarcas da região, visitou a aldeia de Macieira, uma das mais flageladas pelo incêndio do fim de semana.

Corpo de vítima mortal ainda não localizado

Continua por encontrar o corpo do homem de cerca de 70 anos que morreu na sua casa em Vale do Laço, Sertã, no dia 16.

A habitação onde residia juntamente com o seu irmão, ambos surdos-mudos, foi atingida pelas chamas e acabou por desmoronar. Suspeita-se que o corpo esteja no fundo dos escombros. A equipa de resgate continua no local a trabalhar para localizar o corpo.

Apesar de o autarca ter referido o registo de um desaparecido, a Autoridade Nacional de Proteção Civil inclui uma morte na Sertã na contabilização de vítimas mortais dos incêndios que deflagraram no domingo em várias zonas do país (pelo menos 42).

A notícia desta morte foi referida ainda na noite de domingo à Lusa pelo Comando Distrital de Operações de Socorro de Castelo Branco.

“Nós já tirámos o entulho da casa e não apareceu o corpo. Isso leva-nos a crer que a pessoa está desaparecida e não morta”, referiu o autarca, questionado pela Lusa.

O irmão que sobreviveu, apesar de ter sofridos algumas queimaduras, já teve alta hospitalar e está a viver em casa de uma prima.

c/LUSA

Comitiva ministerial e autarcas na aldeia de Macieira (Foto: mediotejo.net)

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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