Sertã | Antigos funcionários administrativos homenageados na Casa da Cultura

No seio da exposição sobre o Secretariado do século XX, entre equipamentos e materiais utilizados sobretudo nos últimos 50 anos do século XX, nos serviços do Município da Sertã, teve lugar uma homenagem aos funcionários aposentados que exerceram funções administrativas nas repartições públicas do concelho. Desde o próprio presidente da Câmara, que trabalhara nas Finanças e Tesouraria, ao mais antigo funcionário presente na sessão, com 94 anos, e que além de guarda-livros fora fiscal de obras, estiveram presentes outros ex-colaboradores que entre os equipamentos reviveram memórias de mais de metade das suas vidas.

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Este momento de homenagem decorreu no pretérito dia 20 de abril e surgiu a propósito da exposição “Secretariado Municipal do séc. XX”, e apresenta a coleção de equipamentos e tecnologias de informação que marcaram o universo do trabalho quotidiano da secretaria municipal, ao longo do século XX, que subsistiram até aos dias de hoje à guarda do Arquivo Municipal da Sertã.

Segundo informação cedida aos presentes em forma de brochura, chegaram a funcionar no edifício dos Paços do Concelho a Secretaria do Tribunal Judicial, sala de testemunhos e de exames médicos forenses, Gabinete do Chefe de Secção do Tribunal Judicial, Ministério Público, Comissariado de Desemprego, Notário, Cartório Notarial, Registo predial, Centro de Saúde, Conservatória do Registo Civil, Tesouraria do Estado (taxas e licenças), Serviços de Aferição, Repartição de Finanças e Tesouraria da Câmara Municipal.

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José Costa, que ao que tudo indica completará 95 anos em agosto, é um dos testemunhos marcantes desta recolha feita pelo Arquivo Municipal da Sertã e foi um dos homenageados nesta tarde, estando presente na sessão solene.

O seu primeiro emprego foi numa chapelaria, e na sua adolescência chegou a trabalhar para a Tipografia da Comarca, em Castelo Branco, sendo responsável por levar os exemplares duplicados dos jornais à censura do Estado Novo, esperando horas até poder regressar tranquilo, dando sinal positivo para a impressão do edição, ou então a ter de levar o duplicado com correções e cortes para procederem à sua alteração e trazer novamente para a impressão.

Foto: mediotejo.net

José foi também guarda-livros, e a certa altura fez um estágio em Lisboa, no Comissariado de Desemprego. Mais tarde, ocupa uma função muito similar à de Fiscal municipal de obras, o que lhe valeu longos quilómetros a pé pelo concelho da Sertã, e zonas circundantes, como Mação, Vila de Rei e Oleiros e Proença-a-Nova, lembrando-se das rotas escassas da rede de carreiras da Viação de Cernache e d’Os Claras, e que nem sempre acertavam com as zonas onde teria de operar na fiscalização. Reformou-se na década de 80.

Também presente, esteve o presidente da CM Sertã, José Farinha Nunes, enquanto ex-funcionário público da Câmara Municipal da Sertã, que se reformou no ano 2003 após 49 anos de serviço, feitos no mês de março.

Farinha Nunes demonstrou gosto pelas funções que desempenhou, referindo que passou “18 anos nas Finanças a liquidar impostos, e 17 anos na Tesouraria a cobrar impostos”, não deixando de dar o seu testemunho enquanto ex-funcionário público e recordando “os tempos muito difíceis da função pública” que considera “a maior família do país”.

Para o autarca esta é “uma boa maneira de homenagear todas as pessoas que passaram por sacrifícios ao longo da vida” em prol do seu dever profissional.

Recordando o seu sonho antigo de querer ser piloto aviador, mencionou ter conseguido emprego nas Finanças, em a 1 de março de 1969, após três meses em regime voluntário, e logo que se habituou “a receber dinheiro ao fim do mês” já não concretizou o dito sonho. “Tive a sorte de trabalhar sempre na Sertã”, afirmou.

Foto: mediotejo.net

José Farinha Nunes indicou ter também trabalhado mais de cinco anos numa empresa privada, até que a certa altura a entrada na vida política do concelho surgiu por proposta do PSD.

“Já tinha sido convidado para ser candidato à Assembleia Municipal, onde fui secretário da Mesa de Assembleia durante 4 anos, e mais quatro foram passados enquanto presidente da Assembleia”, recordou, chegando ao ano 2009, em que fora convidado para ser cabeça de lista nas eleições para a Câmara Municipal, mantendo-se nesse lugar até hoje, cumprindo agora o terceiro mandato enquanto presidente da CM Sertã.

Num momento em que estiveram presentes outros antigos funcionários já aposentados, a dactilografia e a sua importância na altura também foram salientadas, nomeadamente por representar essa área um requisito à candidatura de emprego nos serviços administrativos da função pública, estando presentes na mostra uma série de máquinas de escrever utilizadas nos serviços da autarquia no século passado.

Homenageados nesta sessão foram também Madalena Farinha Nunes (Finanças), Vítor Cavalheiro (Centro de Saúde), Aldina Horta (Registo Notarial), António Nunes (Grémio Comercial) e Fernanda Parente (Secretaria da Câmara Municipal).

Foto: mediotejo.net

Ausentes por impossibilidade de deslocação ou por motivos de saúde, foram também mencionados em longa listagem José Monteiro, Arménio Albuquerque, Aníbal Pires, Maria Idalina Pires, Adriano Rodrigues, Carlos Ribeiro, Amélia Ribeiro, Arnaldo Farinha, Ângelo Horta, Maria do Rosário, António Nunes, Armando Vaz Silva, José Maria Farinha, Lúcia Gaspar, Helena Garcia, Odete Costa, Henrique Demétrio, Luciano Parente, José Martins Pires, Ângelo Farinha, António Marçal, Hélder Antunes, Américo Coelho, João José, José Rui Silva e Madalena Nunes.

A mostra, que inclui uma série de objetos, materiais e até um excerto dos testemunhos projetado sobre a vida dos funcionários e o seu desempenho no século passado, estará patente até dia 30 de abril, na Casa da Cultura da Sertã, na exposição “Secretariado Municipal do Séc. XX”.

Os visitantes terão a oportunidade de conhecer ou relembrar o ambiente vivido numa secretaria, através da observação de equipamentos como máquinas de escrever, copiadores, calculadoras, mobiliário de escritório, e materiais de trabalho como carimbos, livros, cadernetas, canetas e tinteiros, entre outros.

A exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira das 9h00 às 17h30.

Veja mais registos sobre a exposição e a homenagem aos antigos funcionários na fotogaleria abaixo:

 

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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