“Seres superiores”, por Vasco Damas

Ao longo do meu percurso de vida fui-me cruzando com vários tipos de pessoas cujos perfis se podem encaixar em determinadas categorias. Aqueles sobre os quais pretendo partilhar a minha reflexão de hoje enquadram-se na categoria dos seres superiores.

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Numa fase inicial, olhava para estes seres superiores com admiração e tinha perante eles uma atitude quase de veneração. Mas o tempo foi passando e os olhos foram-se abrindo, que é como quem diz, o intelecto foi-se desenvolvendo, e numa fase mais avançada, onde o pensamento perdeu a vergonha e começou a desenvolver-se sem pedir autorização, comecei a detetar algumas imperfeições nestes seres superiores.

Apercebi-me que seguem um padrão. Estão sempre disponíveis para aparecer e fingem ter uma humildade que não conseguem esconder atrás de uma pretensa superioridade moral e intelectual. Acredito mesmo que esta crença numa superioridade moral e intelectual faz parte da estratégia e que ela é exibida de forma ostensiva para colocar os outros em seu devido lugar.

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Apercebi-me também que são coerentes na incoerência, defendendo uma coisa e o seu contrário de acordo com os seus interesses. São normalmente cobardes, sendo fortes com os fracos e fracos com os fortes, “gritando” argumentos em guerras alheias e silenciando a razão nas lutas próprias.

Estes seres superiores julgam-se mestres na arte da sapiência, encarnando o papel de “tudólogos” (aproprio-me da expressão porque a achei deliciosa) dos tempos modernos, acreditando que achamos que nunca se enganam e que raramente têm dúvidas.

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Ainda há quem pense assim e que os mantenha a gravitar no olimpo social, mas também há, e pelo que me vou apercebendo, cada vez mais, quem comece a perceber quem são, o que são e ao que vêm.

Pensam que não sabemos que são guardiões do sistema que os tem alimentado e que estão na linha da frente para atacar tudo o que possa comprometer a estabilidade desse mesmo sistema, usando argumentos falaciosos e alertando para falsos perigos de uma mudança de algo que demorou muito tempo a construir quase dando vontade de perguntar, “estão a falar do quê?”.

Continuam organizados, dividem o trabalho e atacam de forma orientada. O que não esperavam era serem surpreendidos porque, ao mudarem-se os tempos parece que também se começam a mudar as vontades, e o medo e a subserviência militantes parecem menos exuberantes e a horda de “yes man” menos numerosa.

Não sou ingénuo e sei que eles continuam por aí à espera do momento certo para minar o caminho, mas também sei que novas ideias fazem nascer novas simpatias e que a coragem dá confiança e faz desaparecer o medo. E quando isso acontece, os cenários alteram-se e estes seres superiores correm seriamente o risco de regressar à sua verdadeira dimensão.

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