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“Ser (ou não ser) Assistente Social”, por Vânia Grácio

Quando tive de tomar uma decisão sobre que percurso profissional iria seguir, balancei entre o Direito e o Serviço Social. A defesa dos direitos humanos, a busca da justiça e da igualdade eram as razões da minha escolha. A decisão acabou por ser tomada com base naquela que me pareceu na altura, ser a profissão com maior possibilidade de empregabilidade. De qualquer forma, o Direito está presente todos os dias da minha vida e continua a ser uma paixão.

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Reconheço aos meus pais o esforço que fizeram para que pudesse estudar e ficar-lhes-ei eternamente grata por isso. Não só por este motivo, mas também, agarrei desde o primeiro momento a defesa dos princípios éticos e deontológicos da profissão e igualmente a defesa da própria profissão e dos(as) legítimos(as) titulares da mesma.

Por vezes pode parecer preciosismo da minha parte, mas se não defendermos a nossa classe, ninguém o fará por nós. Por isso mesmo, não calo quando vejo outros(as) profissionais a assinarem relatórios sociais, quando vejo outros(as) licenciados(as) noutras áreas desempenharem funções de Assistente Social, não calo quando vejo detentores de outras licenciaturas assumirem-se como Assistentes Sociais. Mais recentemente, e talvez fruto do Processo de Bolonha, tenho visto alguns profissionais com outras licenciaturas, fazerem um mestrado em Serviço Social e por isso acharem que são Assistentes Sociais.

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Para os(as) mais teimosos(as) fica um esclarecimento da Associação de Profissionais de Serviço Social que refere que “em 14 de Dezembro de 1939, O Decreto‐Lei nº 30135, que estabelece as condições a que deve obedecer a formação em Serviço Social, estatuiu que «Assistente Social» é o título autorizado por Lei, exclusivamente, para os diplomados em Serviço Social (…)”.

Depois também temos os Assistentes Sociais que se dizem “Técnicos Superiores de Serviço Social”. Oh meus amigos… isso era uma carreira da função pública [pelo amor da Santa], e que ainda por cima já foi extinta.

Portanto, se queremos uma profissão reconhecida pela nossa sociedade, se queremos uma Ordem que defenda os nossos direitos, se queremos que nos respeitem e que não usurpem as nossas funções temos, antes de mais, de dar o exemplo.

É caso para dizer que ser Assistente Social, não para quem quer, é para quem pode.

 

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Vânia Grácio
Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos. Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos. Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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