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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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“Semana Santa”, por Vasco Damas

Cá estou eu de novo em frente à página em branco sem saber bem por onde devo começar. Nas últimas semanas este ritual tem-se repetido com uma frequência cadenciada. Muitas vezes nem é bem a falta de assunto que me atrasa o começo mas antes a forma de o abordar para não dar espaço a interpretações imprecisas que distorçam o que pretendo transmitir.

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Em bom rigor, tem havido dias em que me chego a sentir amarrado ou mesmo amordaçado com receio das consequências e do impacto que podem chegar atrás das minhas palavras escritas. Logo eu que nunca tive medo de assumir a defesa das minhas ideias.

A vida é uma escola que nos ensina a ter a humildade de não dar nada por garantido mas, sem perder princípios nem valores, devemos ter também a inteligência de dar os passos em função da firmeza do terreno, aproveitando os valores da semana para renascermos mais despertos e preparados para enfrentar os desafios do futuro.

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Bem vistas as coisas, ao contrário das rotinas que já não nos acrescentam valor, acabam por ser esses desafios os responsáveis pelo nosso crescimento porque nos obrigam a pensar “fora da caixa” para encontrar as respostas para as perguntas que ainda não sabíamos que existiam. São também eles que nos obrigam a encontrar as soluções para os problemas que julgávamos que só aconteciam aos outros… mas quando temos a humildade de olhar à nossa volta percebemos que os nossos problemas não são nada quando os comparamos com quem “luta” para chegar ao fim do dia com vida.

A semana é santa mas o mundo anda distraído. Dizendo-o com outro rigor, a semana é santa mas o mundo tem problemas bem menos importantes com que se entreter para fingir que anda ocupado.

Hipocrisia dos tempos modernos que inverteu a pirâmide da cadeia de valores passando a dar prioridade ao que é acessório e a ignorar o que devia ser prioritário.

A semana é santa mas há crianças que continuam a morrer por causa da fome e da guerra.

São estes desequilíbrios e estas assimetrias que me continuam a revoltar. A solidariedade tem-se vindo a transformar em ajuda interessada, mas numa lógica inversa, em defesa dos interesses de quem ajuda e não de quem é ajudado.

A semana é santa mas há muito que o mundo passou a ser profano. Talvez assim sempre tenha sido e eu simplesmente me esteja a tentar enganar. Ou então, não, e ele afinal não seja mais que o reflexo daquilo que projetamos ou deixemos que projetem por nós.

Seja como for, a semana continua a ser santa. Aproveitemos a boleia e façamos os sacrifícios que a época exige para podermos continuar a pecar de consciência tranquila no resto do ano. Se tem sido sempre assim porque haveria de ser diferente este ano?

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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