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Domingo, Julho 25, 2021

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“Semana Presidencial, semana de votar”, por Pedro Marques

No Domingo vamos novamente a votos.

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Sem possibilidade aparente de transformar uma derrota em vitória, pela soma dos votos de todos os candidatos “Contra Marcelo”, António Costa mostrou uma vez mais a fragilidade da sua firmeza – deu apoio a Sampaio da Nóvoa até que Maria de Belém surgisse e depois ficou, como se costuma dizer, “sem chão” para pisar. Vai daí apelou a que votem como quiserem, desde que votem contra Marcelo. O César dos Açores (não confundir com o de Roma, imperador) logo veio enfatizar esta ideia: votem em alguém próximo da nossa área, nomeadamente Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém, revelando que é importante votar contra Marcelo Rebelo de Sousa.

O padre Edgar, madeirense, pede o mesmo: votem contra Marcelo.

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A estridente Marisa, do Bloco, pede o mesmo: votem contra Marcelo.

A surpresa vem do ex-deputado e ex-operário Henrique Neto, astuto e raposa velha, mais silencioso, mais matreiro, na esperança de colher votos dos mais moderados que não queiram votar em Marcelo. Está a fazer uma campanha inteligente, acutilante, com poucos recursos mas muito eficaz.

E depois há todos os outros. Todos contra Marcelo.

E, no meio de tudo isto, temos de decidir, temos de votar. Eu não abdico do meu direito. Penso que nunca faltei à chamada na hora de votar. Até mesmo quando estive em Londres num programa europeu de intercâmbio de gestores do setor da saúde, fui votar ao Consulado Português, nas traseiras de Buckingham Palace e por debaixo de Hyde Park. Votar é um direito e um dever.

E, contudo, não é fácil decidir. Naturalmente, por razões ideológicas, deveria ser-me fácil votar no candidato mais perto do centro-direita – Marcelo Rebelo de Sousa. É legítimo pensar isso de mim e é uma possibilidade, mas não é linear. Tenho ainda algumas dúvidas acerca da sua fiabilidade, da estabilidade que possa assegurar, da maturidade que um Presidente deve ter sempre, com constância de propósitos e não com frequentes derivações de pensamento e postura.

Estive algumas vezes com o Professor Marcelo, foi mesmo meu convidado para um jantar de Natal e de lançamento da minha candidatura autárquica em 2001, já lá vão mais de 15 anos. Lembro-me de uma gaffe que cometi nesse jantar e da forma educada como o Professor Marcelo me corrigiu. Com o sangue na guelra e temperamento quente que era imagem de marca minha, eu disse que se chegasse a vencer as eleições, iria ter memória e não me esqueceria de quem tinha estado comigo e quem tinha estado contra mim.

Confesso que eu estava irritado com a falta de apoio de alguns pseudo-barões do PSD local, e queria um ajuste de contas. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, com muita classe, corrigiu-me e afirmou que este meu pensamento traduzia uma visão inclusiva, de que eu saberia olhar para quem me apoiou da mesma forma como olharia para quem não me apoiou, porque seria o Presidente de todos eles. Foi uma lição de magnanimidade e grandeza que aprendi ao longo dos anos e que nunca mais esqueci. Penso que muitos poderão atestar esta ideia, nomeadamente a atual Presidente da autarquia abrantina, na ocasião minha apoiante e presente com alguma regularidade nos jantares do PSD.

O Professor Sampaio da Nóvoa é apoiado pela máquina que lidera a “geringonça” e só isso é sinal bastante para que não pense nem uma só vez em dar-lhe o meu voto.

A Dra Maria de Belém é uma senhora com ar frágil mas com força de ideias interior. E está a ser muito maltratada pelo seu partido, pelos dirigentes do seu partido, pela superestrutura, pelo tecnoestrutura e pela mesoestrutura, apesar de ter uma boa infraestrutura ideológica. Não me agrada que tenha o apoio de alguns socialistas a quem tenho profunda aversão política, caso de Manuel Alegre. Tentou colar-se a Maria de Lourdes Pinstasilgo, a abrantina que, se fosse viva, teria agora 85 anos de idade. Teve necessidade de dizer no passado fim de semana que “socialista e candidata, sou eu!”. Ao que isto chegou, por inabilidade de Costa, o eterno Segundo Ministro do legítimo mas ilegitimado Governo. Traduz a desorganização e deriva que, a propósito das presidenciais, se instalou no seio do PS.

Não me detenho sobre os demais candidatos, embora ache uma certa piada a Henrique Neto. Porém, seria um voto perdido, um voto inútil.

Chegado aqui tenho de decidir. Quero uma segunda volta? Mesmo que eu ponderasse votar em Maria de Belém, se esta fosse a uma segunda volta passaria a ser a candidata do PS, do PCP, d’Os Verdes, do Bloco, do Livre, de toda a esquerda folclórica. Este pensamento afasta-me dessa possibilidade.

É por isso que, mesmo sem estar totalmente convencido das virtualidades e condições plenas do candidato Marcelo Rebelo de Sousa, tenho de lhe entregar o meu voto, já no dia 24. Porque não quero um país na deriva de aventuras de esquerda que, a julgar pelo exercício da governação de dois meses, irá dar muita asneira, muita trapalhada, muita necessidade de correção no futuro. E porque não considero que nenhum seja, no fundo, um candidato imaculado. E porque considero que podemos resolver isto já, sem necessidade de uma segunda volta, na qual os apoiantes de candidatos se uniriam todos contra um.

Não tenho o candidato ideal, tenho o candidato possível. E julgo que isso é, no fundo, o que todos são.

E, sendo assim, voto em consciência.

Pedro Marques, 47 anos, é gestor, gosta de ler, de exercício físico e de viajar

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