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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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“Sem saudosismos, é preciso preservar a memória do Estado Novo”, por João Morgado

Tenho escrito e reescrito este texto ao longo destas duas semanas em que percorro a Europa. Não sabia bem o que escrever, pois muitas aventuras há para contar, e não quero tornar-me chato. De entre todas escolhi fazer uma referência a um museu muito interessante que visitei em Berlim, na Alemanha.

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Trata-se do Milestones, um museu dedicado à história do Parlamentarismo neste país que não omite nenhuma parte da sua história. Seria uma ideia interessante a ser desenvolvida pela Assembleia da República, um museu ou centro de interpretação focado neste tema. O museu encontra-se na Deutscher Dom e é composto por cinco andares. Entramos para o primeiro piso onde podemos perceber um pouco do que foi a revolução de 1848/49; no piso 1.1 está exposta a história do Parlamentarismo democrático na Alemanha, seguida no segundo piso pela época da República de Weimar e o parlamentarismo na Alemanha imperial; chegamos ao terceiro piso e o foco é o regime Nazi e o parlamentarismo na RDA. Os pisos seguintes são dedicados a exposições sobre “As mulheres e a Política” e “A integração Europeia”.

O Museu tem ainda um pequeno hemiciclo onde acontecem debates todas as semanas, dinamizados pelo museu em articulação com escolas de toda a Alemanha.

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Queria focar especialmente aquilo que vi no terceiro piso e relacionar isso com um tema que tem causado tanta celeuma entre os portugueses, o tão famoso Centro Interpretativo do Estado Novo. Todos os povos têm passados gloriosos dos quais se devem orgulhar, mas têm também momentos infelizes na sua história. Portugal e Alemanha tiveram regimes fascistas dos quais, enquanto nações, não se deveriam esquecer. Aquilo que foi vivido pelos portugueses vítimas do Estado Novo e da perseguição política e autoritária nunca deve ser olvidado.

Uma coisa é lembrar as vítimas, tal como acontece, e bem, em muitos museus, tal como na Alemanha e em outros países invadidos por esta na segunda Guerra Mundial. Faz, no entanto, falta em Portugal um centro onde se veja como funcionava o regime por dentro, quem comandava a PIDE, quem tomava as decisões e como eram tomadas as mesmas, como se efetuava a censura, etc. Na minha opinião não há nada de saudosista nisto, há sim factos históricos e com interesse para todos os portugueses, dos mais novos aos mais velhos.

Devemos, enquanto povo, ter um lugar onde seja estudado o regime e esse estudo esteja ao dispor de todos. Devem ser lembrados todos os processos que levaram a que o Estado Novo se instalasse em Portugal para que não voltemos a seguir os mesmos caminhos do passado.

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

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