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Sábado, Julho 24, 2021

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Trincanela

Sardoal: Secretário de Estado da Educação deixa dicas para o sucesso escolar

A qualificação da população adulta e a promoção do sucesso escolar são duas das grandes apostas do atual Governo na área da Educação, disse esta sexta-feira, dia 3 de junho, João Costa, secretário de Estado da Educação, durante o seminário da rede de escolas de excelência, que decorreu no Sardoal. Na bagagem, o secretário de Estado levou um recado do presidente da Câmara de Sardoal que referiu ser “uma injustiça” a ausência de comparticipação do Ministério da Educação na componente nacional do projeto de requalificação da escola sardoalense.

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Na sessão de abertura do XX Seminário ESCXEL, dedicado ao desenvolvimento curricular, que decorreu no Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, Miguel Borges, presidente da autarquia sardoalense, deixou um recado ao Governo quando, ao falar das obras da requalificação da escola-sede que irão avançar em breve, que têm 2,1 milhões de euros aprovados no âmbito dos investimentos territoriais integrados, e os restantes 700 mil euros terão de ser assumidos pela autarquia, sublinhou ser “uma injustiça, uma desigualdade de tratamento territorial” porque “em situações anteriores, em outros municípios, a componente nacional foi sempre suportada pelo Ministério da Educação e aqui terá de ser a Câmara Municipal”. “Mas que nós iremos assumir com todo o gosto”, salientou Miguel Borges pela necessidade de requalificação do parque escolar do concelho.

Valores à parte e centrando as atenções no tema em debate no seminário, Miguel Borges começou por referir que “ao longo dos tempos, sempre foi fácil culpar a escola e o sistema educativo de todos os males do mundo. Receosos da possível verdade desta afirmação, o sistema de ensino tem sofrido constantes adaptações, alterações, inovações e por vezes retrocessos. Ou seja, tem sido o laboratório experimental de diferentes modelos, de diferentes políticas”.

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Professor de profissão, o autarca de Sardoal defende que “há necessidade de olharmos também para o bem-estar docente, como uma mais-valia para o sucesso educativo. Para além de todo o trabalho pedagógico inerente à sua profissão, o professor é constantemente sobrecarregado com outros demais obrigações que retiram, muitas vezes, o puro prazer de lecionar”, reforçando que “o bem-estar docente é fundamental, digo-o há mais de 20 anos”.

O bem-estar docente foi um dos aspectos que o presidente da autarquia de Sardoal salientou que é necessário assegurar para se poder alcançar o sucesso escolar (Foto: mediotejo.net)
O bem-estar docente foi um dos aspectos que o presidente da autarquia de Sardoal salientou que é necessário assegurar para se poder alcançar o sucesso escolar (Foto: mediotejo.net)

Miguel Borges terminou a sua intervenção com a leitura de um pequeno texto que escreveu há mais de 10 anos para o jornal da Escola, intitulado “Plano de Ação da Felicidade”, que retrata a necessidade da escola não ser só um espaço de aprendizagem, mas também de convívio, de brincadeira, de afetos e de felicidade.

Ana Paula Sardinha, diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal, na sua intervenção, salientou que “os currículos são demasiado extensos e por isso é imprescindível que sejam revistos e que possam ser adaptados à realidade de cada escola e ao seu projeto educativo”.

“Às escolas compete também garantir que os seus alunos aprendam aquilo que necessitam, pessoal e socialmente, para se integrarem numa sociedade cada vez mais exigente e por isso é fundamental que o currículo permita o desenvolvimento e a consolidação de competências orientadas para o desenvolvimento de problemas e para a tomada de decisões fundamentadas e conscientes”, concluiu a diretora do Agrupamento de Escolas do Sardoal.

David Justino, ex-ministro da Educação e atual coordenador do projeto ESCXEL, referiu que a rede de escolas de excelência completa este ano 8 anos, tendo sido formada em 2008 começando por 5 municípios, e “neste momento já vamos em 8, começou com 36 unidades orgânicas, entre escolas e agrupamentos, hoje já vamos em 38, e representávamos há uns tempos atrás cerca de 50 mil alunos e 5 mil docentes, hoje, devido ao inestimável contributo da Amadora conseguiu-se ultrapassar estes níveis”.

O projeto ESCXEL tem como objetivo ser “um espaço onde as escolas pudessem partilhar ideias, projetos e recursos e hoje é algo que já faz parte do desenvolvimento escolar, no sentido em que parte do desenvolvimento profissional tem passado pelas diferentes dimensões que o projeto ESCXEL tem trazido”.

David Justino explicou que o termo “excelência” usados neste projeto, “aqui não tem o significado de escolas de topo, porque temos escolas com grandes dificuldades até escolas com grande desempenho e esta diversidade é fundamental, com escolas de centros rurais, de cidades médias, e de grandes centros urbanos, com composições sociais muito diferenciadas e esta diversidade é um trunfo fundamental para que possamos fazer desta rede algo que seja útil às escolas”.

João Costa, secretário de Estado da Educação, durante a sua intervenção sobre estratégias de promoção do sucesso escolar (Foto: mediotejo.net)
João Costa, secretário de Estado da Educação, durante a sua intervenção sobre estratégias de promoção do sucesso escolar (Foto: mediotejo.net)

O sucesso escolar dos alunos é o principal objetivo deste projeto que desenvolve estratégias e modelos de organização escolar, sempre tendo em conta a qualificação das aprendizagens.

“A nossa preocupação é que não há bons resultados sem boas aprendizagens e temos de criar bons ambientes e bons instrumentos para as boas aprendizagens”, concluiu David Justino salientando que o concelho de Sardoal foi o último a aderir à Rede ESCXEL.

Meio milhão de analfabetos em Portugal

João Costa, secretário de Estado da Educação, fez uma intervenção sobre as estratégias de promoção do sucesso escolar onde começou por salientar que “há muita coisa que não precisa de ser inventada, basta olhar para as diferentes experiências de sucesso que estão espalhadas pelo país, fomentá-las, dar-lhes visibilidade e deixar que as outras escolas se deixem contaminar por metodologias de trabalho que têm vindo a funcionar”.

“O pior que o Ministério da Educação pode fazer é inventar mais qualquer coisa só porque sim e a nossa postura é, sobretudo, deixar acontecer as coisas boas que estão a acontecer, valorizá-las e legitimá-las, como é o caso deste projeto”, referiu o secretário de Estado da Educação.

“Temos um défice claro na qualificação da população ativa portuguesa, temos uma percentagem elevadíssima de portugueses entre os 25 e os 64 anos que nunca concluíram o ensino secundário, com duas consequências evidentes: a primeira, todo o impacto que isto tem no desenvolvimento socioeconómico do país, na capacidade desta população aceder a alguns empregos, de ter adaptabilidade para se enquadrar no mercado de trabalho que é muito dinâmico atualmente e também o efeito sobre as gerações seguintes porque sabemos que as qualificações académicas dos pais são um preditor de sucesso no desempenho dos filhos, e quando temos uma população ativa com baixas qualificações, isto significa que podemos estar a gerar uma próxima geração também com baixas qualificações”, alertou João Costa.

A qualificação da população adulta e o sucesso escolar são as grandes apostas do Governo na área da Educação, referiu o secretário de Estado (Foto: mediotejo.net)
A qualificação da população adulta e o sucesso escolar são as grandes apostas do Governo na área da Educação, referiu o secretário de Estado (Foto: mediotejo.net)

O secretário de Estado salientou a importância de se fazer um investimento forte na qualificação da população adulta e sublinhou que “temos muitos jovens adultos, na casa dos 30 anos, com o ensino secundário incompleto e temos ainda meio milhão de analfabetos, em que uma fatia significativa tem entre 30 e 40 anos e estes são dados que nos devem preocupar para um esforço de qualificação da população adulta e, por outro lado, sabermos que temos que atuar na geração que está na escola para não termos no futuro um défice de qualificações”.

Na sua intervenção, o secretário de Estado salientou ainda a importância de continuar a combater o abandono escolar precoce, que atualmente ronda os 13,7%, e fez referência aos dados das retenções em que “aos 15 anos grande parte dos jovens já reprovou pelo menos uma vez, e especialistas dizem que a retenção não melhora a aprendizagem, mas que só gera mais retenção. Nos últimos anos, retenção disparou e são dados preocupantes.”.

João Costa sublinhou que o Governo inscreveu a qualificação da população como um dos seis pilares do Plano Nacional de Reformas para afetar os fundos estruturais que são disponibilizados ao país para a formação de adultos e educação de crianças e jovens.

A desburocratização dos processos escolares, de forma a dar mais tempo aos diretores de turma para que se possam concentrar nos projetos pedagógicos, é uma das medidas que está a ser trabalhada pelo Ministério da Educação, anunciou João Costa.

O secretário de Estado salientou ainda a importância “da gestão dos recursos existentes nas escolas serem usados de uma forma mais produtiva” e que tem de haver uma visão de que “o conhecimento é cada vez mais interdisciplinar”, dando o exemplo de que se pode explorar a história e geografia através da criação, pela escola, de uma disciplina de história local.

O seminário ESCXEL contou ainda com as intervenções da professora Maria do Céu Roldão, investigadora da Universidade Católica Portuguesa, sobre “Sucesso escolar e desenvolvimento curricular”, tendo a parte da tarde dos trabalhos sido dedicada ao tema das novas tecnologias ao serviço do currículo, com a presença de especialistas desta área.

O próximo seminário ESCXEL irá realizar-se em Castelo Branco, a 4 de novembro de 2016, e irá abordar o tema das avaliações.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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