“Saúde em vez de Doença!”, por Pedro Marques

A saúde é um dos bens mais preciosos que temos. Muitas vezes tendemos a negligenciar sintomas, sinais, dores, desconforto, cansaço, alterações do nosso organismo.

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A prevenção primária é o que deveríamos todos fazer mas quase todos somos negligentes num ou noutro aspeto.

Diagnosticar a tempo para agir em tempo útil é determinante. Mas não é sempre isso que acontece. Seja porque não estamos alerta para os sinais, seja porque não os valorizamos, ou seja ainda porque não nos é diagnosticado nada em tempo útil, as situações acabam muitas vezes por evoluir para agravamento das condições de saúde, algumas delas de modo irreversível.

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É depois o tempo da prevenção secundária e terciária e para lidarmos com a doença.

Apropria-se aqui referir os princípios do modelo salutogénico de Antonovsky. Este modelo, ou esta teoria, derivam de uma mudança de paradigma que se regista no seio das ciências da saúde, na medida em que devemos procurar as razões que nos levam a estar saudáveis, em vez de olharmos para o lado da doença.

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Quando nascemos temos um stock de saúde. Ao longo da nossa existência podemos fazer por manter ou gastar esse stock. Depende de nós, sempre que não é acidental o que possa acontecer que afete a nossa saúde e comprometa a nossa vida. Em certas circunstâncias poderá até ser possível prolongar (aumentar) esse stock de saúde, medido em anos de vida saudável.

O Modelo de Antonovsky concentra a sua atenção nos recursos protetivos pessoais, isto é, todos os elementos que cada indivíduo possui como sendo seus e apenas seus, e que o auxiliam na superação das dificuldades que surgem na sua vida. Emerge aqui o sentido de coerência o que, por outras palavras, é apenas um sentido de orientação global que define a capacidade com a qual um determinado indivíduo, com o seu persistente e dinâmico sentimento de confiança, encara os estímulos que provêm do seu interior e do mundo que o envolve como sendo parte de um sistema estruturado, preditível e explicável.

É esta capacidade de compreensão, associada à forma como adequa recursos e respostas que respondam às exigências do seu próprio organismo que reforçam a perspetiva de saúde, em vez de se pensar na doença que o afeta. Por fim emerge a capacidade de gestão dos estímulos com os recursos que vai alocar para gerir a sua saúde, o que pode ser visto como o investimento que cada um está disposto a fazer para continuar saudável, na plenitude ou com o stock que lhe resta, de modo a ter uma vida com dignidade.

Assim podemos negar e reagir qualquer aparente desordem na nossa vida.

Só damos valor às coisas que não temos se elas tiverem tido para nós determinado valor. Quando já fomos totalmente saudáveis, aceitar que possamos ser um pouco menos saudáveis implica apelar a este sentido de coerência, a esta capacidade de gestão e à capacidade de investimento para que possamos lidar com o que (ainda) temos de stock de saúde.

Esta teoria enquadra-se perfeitamente na forma como vejo o mundo. Tento nunca pensar no mau que tenho, focando-me alternativamente no bom que existe na minha vida.

Por isso aqui quis partilhar hoje esta visão. Porque a saúde está na ordem do dia. Porque a todos, um dia, calha perceber que não está tudo bem, ou não está tudo como estava antes. Porque podemos sempre olhar para as coisas numa perspetiva positiva. Porque por estes dias tenho uma situação de saúde familiar em mãos e sendo eu otimista, fico sempre a pensar no que de bom há, fica, sobra ou se acrescenta.

Porque prefiro valorizar e enfatizar a perceção de saúde e a qualidade de vida do que olhar para a doença, para as perdas, para o que vai e não volta.

E nestas alturas até a espuma dos dias perde importância: o Campeonato da Europa de Futebol, o Brexit, as eleições em Espanha, as sanções a Portugal por défice excessivo, o FMI a dizer que se podemos reduzir de 40 para 35 horas é porque teremos trabalhadores no Estado em excesso, as decisões sobre o futuro da Caixa Geral de Depósitos, as questões, a redução do défice português nos primeiros meses de 2016, entre outros temas importantes…

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