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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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“Saúde em 2016, ou seja SNS”, por Helena Pinto

O ano de 2015 termina e com ele se encerra um ciclo de governação da direita, de austeridade, de recuo nos direitos, de empobrecimento e também um ciclo de desânimo em relação ao país, onde a emigração forçada levou para fora milhares de jovens, onde o desemprego entrou pelas famílias dentro deixando as suas marcas indisfarçáveis.

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O ano termina com duas notícias que significam bem a marca da anterior governação – a resolução do BANIF, com perdas enormes para os contribuintes e a morte de um jovem por falta de assistência médica no Hospital de S. José.

A primeira é a imagem de marca do período que ainda vivemos – a crise do sistema financeiro sempre resolvida à custa dos dinheiros públicos.

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A segunda notícia, trágica, é o resultado das políticas de austeridade aplicadas à Saúde. É, sem margem para dúvidas, também um sinal de alerta e o aviso final de que é preciso inverter estas políticas urgentemente.

O Governo e o Ministro Paulo Macedo sabiam de tudo e pior, tinha consciência de que o pior podia acontecer. Apresentado como o Ministro sério, capaz de colocar as contas em ordem e de combater os “desperdícios” e as “extravagâncias” de um serviço que vivia acima das suas possibilidades, ainda gozou de um período de glória, onde a demagogia e o populismo grassavam e era considerado o “melhor ministro”.

Nem sempre foram compreendidas as vozes que desde o início se levantaram contra este ministro e a sua política. Mas, essas vozes, estavam certas, quando diziam que o SNS não podia ser gerido como uma qualquer empresa, onde apenas se levam em conta os balancetes do deve e do haver. PSD e CDS durante quatro anos e meio refugiaram-se nos números e nas estatísticas para dizerem que o SNS estava melhor e mais produtivo. Aqui é que residia o engano: o SNS não são números, são pessoas! Pessoas – os doentes e pessoas – os profissionais.

Com números e estatísticas de cirurgias de ambulatório, de consultas pelo telefone, de gastos nos medicamentos, se iam enganando os portugueses e as portuguesas.

Mas o mal estava a ser feito, mesmo no coração do SNS e estas políticas não conseguiram estancar a saída de médicos e não contrataram novos profissionais, deixando, por exemplo, enfermeiros e enfermeiras à beira da exaustão e mal pagos, muito mal pagos.

O caos nas urgências, vivido o ano passado foi a ponta de um iceberg e hoje vamos conhecendo as notícias que nos dão conta de mortes que podiam ter sido evitadas. Quando o Secretário de Estado Leal da Costa foi à televisão dizer que “tudo estava bem” e que só tinha visto na reportagem sobre a situação que se vivia nas urgências hospitalares “pessoas bem instaladas em macas”, estava tudo esclarecido. Aqueles governantes queriam destruir o SNS, enquanto serviço público, universal e de qualidade. Ao mesmo tempo os seguros de saúde, os hospitais privados iam somando os seus lucros.

Esperamos agora pelo inquérito à morte do jovem David, como esperamos pelos inquéritos às outras mortes nas urgências. Mas não podemos esperar pelas medidas que têm que ser tomadas de imediato para repor os níveis de assistência no SNS – uma prioridade para 2016.

Não foi uma, nem duas, nem dez vezes que questionei o Ministro da Saúde enquanto deputada. Cheguei a ouvir como resposta: “mas a senhora deputada sabe que se morre nas urgências, não sabe?” Sei, mas também sei que não se deve morrer porque nos dizem que só na 2.ª feira é que se pode ser tratado. Os aneurismas não esperam que o fim-de-semana passe.

2015 foi um ano mau para tanta gente, para os mais fracos. Em 2015 entraram em nossa casa as imagens avassaladoras de milhares de seres humanos que lutam pela sobrevivência arriscando a vida. Em 2015 o medo ganhou vezes demais. Mas também em 2015, a esperança ganhou força em Portugal e depois ganhou força em Espanha e isso pode fazer toda a diferença em 2016, aqui, no país vizinho, na Europa e no Mundo.

Desejamos sempre saúde que é o mesmo que dizer SNS – Serviço Nacional de Saúde, em nome do David, ou seja em nosso nome.

Bom Ano

 

 

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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