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Sábado, Maio 8, 2021

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“Saudades do Zé, da Galeria de Constância e da Casa Museu Vasco de Lima Couto”, por Carlos Alves

À beira-rio, corre água limpa e sedosa. Com aquele cigarro de mascar americano, com um ar sorridente que nos seduz o coração, lá está o Zé.

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O Zé que nos deixou fisicamente mas que para sempre nos conduz para dentro das labaredas da cultura, do humanismo, da simplicidade, da humildade.

Obrigado pelo café, pelas conversas demoradas que tivemos. Pelo gosto pelos livros, pelos poetas, pelas coisas. Pelas coisas que fizeste, pelo que leste, pelas palavras pintadas com tinta dourada com que muitas vezes me presenteaste.

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Grande é a poesia que corre nos rios de Constância. A comoção com que era feita a leitura dos versos que nos obrigava a enfrentar o vazio que reside no interesse inadiável da escrita, muito nossa, levava-nos para outra dimensão. A dimensão do intangível punha-nos o coração a galope.

E aquelas ruas estreitas onde muitas vezes declamámos versos do Vasco de Lima Couto, do Alexandre O’Neill, do Manuel Mengo e de outros? Muitos outros….

O livro que não foi publicado, tanta vez mencionado. Eu, já estava convidado!

Porque teve de ser assim? Tudo é incerto e derradeiro.

Muitas conversas intermináveis de rua tivemos, onde abordávamos a densidade emocional dos poemas. Onde circunstâncias espirituais nos levavam para a limpidez com que elementos naturais eram verbalizados na latência do inconsciente textual. Tão bom que era entender que a leitura dos versos nos obrigava a enfrentar, mesmo com aquele nevoeiro que escondia o sol e nos embaciava a mente criando um quadro de inquietação e angústia, a falta de um caminho transitável, que desesperadamente procurávamos para a nossa terra.

Se fosse necessário tratávamos de alugar um táxi para passarmos o tempo da melhor forma possível, durante esses enublados e aborrecidos dias em que estivemos esperando que a nossa mente se refizesse para continuar a nossa viagem. Talvez descer ou subir uma escadaria que partia e chegava a uma rua, onde muitas vezes nos encontrávamos.

Precisamos de levantar a moral da nossa terra. Esta é uma interconexão que buscaremos interminavelmente, espiritualmente em algumas situações, noutros casos descobrindo solitariamente a ambígua e confusa experiência autárquica.

Percorrer o caminho onde a esperança será encontrar as duas palavras que procuramos, Arte e Artistas, aspecto tão importante no mundo colectivo. Pois bem! É a hora de encontrar um itinerário secreto que nos conduza a um futuro melhor.

Já fecharam a galeria (não o deveriam ter feito). Não ignorem a Casa Museu Vasco de Lima Couto.

Não irei embora, não sou nenhum estranho, defendo a cultura, sou poeta. Vou ficar onde estou, sem me mover, sem dormir, continuando a olhar para a Vila que me habituei a amar. A vila que o Zé (Ramoa, Brasileiro, Português de Braga) tanto amou.

É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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