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Sábado, Outubro 16, 2021

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Sardoal/Incêndios | A solidariedade deu as mãos pela casa que ardeu em São Simão

Depois do drama de ver a casa a arder e depois de terem perdido o combate pela defesa dos seus bens e seu lar, Nazaré e Ricardo Silva viram chegado o momento de receber as chaves da sua habitação na aldeia de São Simão, em Sardoal. A cerimónia decorreu esta sexta-feira, e a casa, consumida pelas chamas do incêndio do dia 23 de agosto, foi devolvida cerca de seis meses depois totalmente renovada e equipada, num momento emocionante gerado por um grande movimento de solidariedade por parte das pessoas, mais ou menos anónimas, e de muitas e diversas entidades. Só assim a política faz sentido, haveria de afirmar Miguel Borges, presidente da autarquia.

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“É um momento de emoções fortes e é o culminar de duas fases muito interessantes em que dá gosto estar aqui”, disse a abrir Miguel Borges, presidente da autarquia de Sardoal, tendo afirmado que “a política só faz sentido quando fazemos algo pelas pessoas. E hoje é um momento que culmina com a entrega das chaves da casa” (recuperada depois de devastada em São Simão pelas chamas nos incêndios de 2016), e com a assinatura de um protocolo com a Dignitude” (…), no âmbito da Rede Solidária de Medicamentos, e em que os cidadãos sinalizados vão, doravante, poder passar a levantar nas farmácias os medicamentos de que necessitam, mesmo que não tenham dinheiro.

“Quando estas coisas acontecem, eu só posso ter uma enorme honra em ser presidente da Câmara Municipal de Sardoal”, afirmou um emocionado Miguel Borges perante um Salão Nobre cheio de gente, calor humano, representantes do Governo, cidadãos anónimos, a Cáritas Portuguesa e da Diocese Portalegre – Castelo Branco, o padre Carlos, e, claro, Nazaré e Ricardo Silva, casal que não escondia a felicidade que o momento lhes proporcionava.

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Os trabalhos de reconstrução da habitação, no valor de 44 mil euros, foram pagos na totalidade pela Cáritas, o recheio e equipamentos obtidos através de donativos e ofertas solidárias da população, e o projeto de arquitetura e acompanhamento técnico diversificado sido assumido pelos serviços da Câmara Municipal do Sardoal, de entre o apoio de muitas outras entidades. O próprio casal participou na escolha de alguns materiais, para ter a casa ao seu gosto pessoal.

A solidariedade deu as mãos pela casa que ardeu em São Simão. Padre Carlos, em nome da igreja, assinala o momento da entrega das chaves. Foi ele o primeiro a contactar e a obter a resposta pronta da Cáritas/Diocese Portalegre-Castelo Branco. Foto: mediotejo.net

Presente na cerimónia de entrega das chaves, no Sardoal, esteve o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, bem como o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Cruz Fonseca e ainda o presidente da Cáritas de Portalegre – Castelo Branco, Elicídio Bilé, entre muitas outras entidades e cidadãos mais ou menos anónimos que saíram mais ricos espiritualmente e mais confiantes que, com manifestações de entreajuda como a manifestada pelo casal de São Simão, Portugal e o Mundo podem ter razões para sorrir porque, “enquanto seres humanos que somos, precisamos de boas atitudes e de boas ações”, frisou o presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco, Elicídio Bilé, relativamente ao processo de Sardoal. O momento “é uma alegria, por ver que todos se sentem realizados humanamente e que temos capacidade para sermos solidários”, destacou.

“E não há nada para agradecer. Esta é a nossa missão, enquanto seres humanos e instituição, e não foi feito favor nenhum. Fizemos, todos, a nossa obrigação, enquanto cidadãos e o que foi dado foi dado justamente”, secundou Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, também num discurso muito sentido e assente na experiência de muitos anos de trabalho e partilha com a sociedade portuguesa.

Este ano, o apoio da Cáritas, com o apoio dos portugueses e instituições diversas, ascende aos 211 mil euros, na reabilitação de 6 casas de primeira habitação em diversos pontos do país, para além de estar a alimentar 6244 cabeças de gado, na sequência falta de pasto resultante dos incêndios, um trabalho assente na experiência dos grande incêndios de 2003 e 2005, quando a instituição apoiou na reconstrução de 18 habitações e outros equipamentos e necessidades, na região do Médio Tejo e zona do Pinhal, e que implicaram um montante de apoio financeiro na ordem dos 700 mil euros.

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, por sua vez, disse estar em Sardoal para “agradecer o apoio dos portugueses e para testemunhar que, com esta generosidade e solidariedade, que nos caracteriza enquanto povo, estamos a devolver a dignidade e as condições de vida às famílias atingidas”, tendo deixado “uma palavra de alento à família que hoje poderá continuar a sua vida, na sua casa”.

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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