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Sábado, Outubro 23, 2021

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Sardoal/Empreendedorismo | Uma ideia de sucesso que nasceu do nascimento de um filho

Léa Gonçalves desafiou a sorte após trabalhar na pizaria dos pais e de abrir uma loja de decoração em Abrantes que, em plena crise, resultou mal. Desistiu, estava disposta a sujeitar-se a trabalhos precários, se alguém contratasse uma mulher que acabara de ser mãe. Ninguém lhe deu a mão e meteu ela as mãos à obra. Hoje tem um projeto de vida. Decidiu arriscar, costurando uma ideia que nasceu com o nascimento da sua filha. Por estes dias divulga o seu produto num stand das festas de Sardoal.

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“Tentei tudo, com o sling e com o marsúpio, colocando o ovinho dentro do carro, mas nada era prático”. Sentada num banco vermelho de jardim, Léa Gonçalves, uma jovem mãe de 34 anos, que escolheu a vila de Sardoal para formar família, está longe de resvalar para a dúvida sobre o sucesso do seu projeto. O negócio nasceu “de uma necessidade que tive. Não há nada no mercado a nível nacional que ajude uma mãe a ir às compras com o seu bebé”.

Consta que a dificuldade não é unicamente sua. Léa conversava com outras mães que lhe confessavam passar pelos mesmos obstáculos. Quando decidiu avançar para o projeto realizou mesmo um estudo de mercado para perceber as potencialidades de venda dos produtos que criara. Inclusivamente realizou uma formação para empresas através da NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém – “que me ajudou imenso” nomeadamente a fazer o Plano de Negócio, admite.

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Dois meses após o nascimento de Jasmim, a sua filha que agora tem dois anos e inspirou o nome da marca, Léa precisava de um equipamento que a ajudasse a transportar a bebé enquanto fazia compras no supermercado. Procurou nas lojas, nas vendas online e constatou uma lacuna comercial.

Lançou-se então à máquina de costura da avó “sem saber sequer pregar um botão” e criou protótipos “inspirando-se nas espreguiçadeiras” e retirando ideias de outros produtos que “nem tinham nada a ver com aquilo” que depois deu origem ao Jammack e ao Mimihug ambos com patente registada.

Os dois produtos criados por Léa: Jammack e Mimihug

Aprendeu a costurar sozinha, valendo-se dos vídeos disponíveis na Internet que tentam ensinar ou dar umas dicas. “Fiz coisas horrorosas e mais tarde tirei um curso de costura através do Centro de Emprego mas pedi a uma amiga costureira que fizesse os protótipos com melhores acabamentos”. Foi a partir daí que o negócio se desenvolveu mais rapidamente.

O primeiro produto, criado a pensar nos bebés dos 0 aos seis meses de idade, funciona como uma rede de descanso presa no carro de compras do supermercado, em tecido sarja, lavável, testado e certificado em laboratório, disponível para já em três cores (preto, rosa e azul) mas apenas dentro de um mês. A produção ainda está em fábrica. Na próxima semana Léa vai participar numa campanha de crowdfunding para financiar o seu projeto.

“Tive muitas despesas. Registei a marca, inclusivamente os produtos no registo de modelo ou desenho, uma espécie de patente, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial”. Investiu cerca de 7 mil euros, mas ainda precisa de mais três mil e é por isso que surgiu a ideia de recorrer à plataforma de financiamento colaborativo.

No Jammack “o bebé fica como suspenso e o carro de supermercado disponível para as compras. Que é isso que normalmente não temos. Levamos uma lista e regressamos a casa com ela a meio porque é impossível colocando, por exemplo, o ovinho dentro do carro, mais de metade do espaço fica ocupado” explica.

Quando a filha começou a sentar-se sozinha, voltaram as experiências. “Colocá-la na cadeira do carro de supermercado, com a natural falta de equilíbrio, a bebé tombava”. A solução passava por “prendê-la às costas da cadeira do carro com um lenço ou um cachecol”. Voltou à máquina de costura. Mais umas quantas experiências e nasceu assim o Mimihug.

Neste momento Léa está na fase de divulgação. O site em www.jasmilin.pt foi disponibilizado esta quinta-feira na Internet, tem também uma página no Facebook e um stand de vendas nas Festas de Sardoal durante este fim-de-semana. “Vou colocar alguns flyers em locais estratégicos como unidades de pediatria ou lojas de roupa de criança e vou tentar entrar nos programas vespertinos de televisão”, adianta.

Antes de arriscar a criação do seu próprio posto de trabalho, Léa teve “uma má experiência de desemprego”. A precisar de trabalhar, com uma bebé, quando ia às entrevistas era questionada se tinha filhos e de que idade. “Percebia que era um entrave”, conta. E nunca conseguiu, durante mais de um ano na procura efetiva de emprego. Outro risco para quem escolhe viver no interior do País, de onde fogem os jovens e as crianças são cada vez em menor número. Léa considera estes impedimentos “péssimos”, porque se agora tem a sua empresa à qual se dedica a 100 por cento, “o desemprego era um impedimento para ter mais filhos”, confessa.

Para iniciar Léa apostou na fabricação de 100 a 50 unidades, mas se o negócio correr bem como espera “talvez tenha de recorrer a uma segunda fábrica” uma vez que a atual não consegue dar resposta. Se conseguir financiamento na campanha crowdfunding vai ajustar a produção ao número de encomendas. O Jammack, para os recém-nascidos será vendido a 39,99 euros. O Mimihug por 36,99 euros. Além desses dois produtos Léa ainda vende bolsas próprias para toalhitas, fraldas e roupa suplente do bebé.

“Espero que seja o meu negócio de vida” até porque Léa já tem outros três produtos em mente que vai começar a testar e “se tudo correr bem” daqui a poucos meses vai registá-los. A empresária recusa desvendar o segredo, até porque o mesmo é a alma do negócio, contudo não se afasta da zona onde se sente confortável no seu processo criativo: os bebés. “São protótipos de produtos que também não existem no mercado ou em muito pouca oferta”. Sabe que há essa necessidade pela falta que lhe fazem na atual fase de crescimento da sua filha.

As vendas serão online, encomendas por e-mail ou por telefone, embora não descarte parcerias com lojas físicas. “Nos primeiros meses vou ver como o negócio funciona, e não colocarei em lojas”, diz. Os produtos serão entregues em casa dos clientes através dos “CTT ou transportadora… ainda estou a analisar os orçamentos”, explica.

O objetivo de Léa também passa pela internacionalização. “Daqui a pouco tempo teremos o nosso site em inglês, francês e espanhol”.

Léa Gonçalves nasceu em França onde morou até aos seis anos, mas as suas raízes fortaleceram-se em São Miguel do Rio Torto. Viver em Sardoal é uma escolha com quatro anos da qual não está arrependida. “É uma vila muito bonita e pacata, tem tudo o que precisamos e fica perto de Abrantes”. Empreendedorismo fora das grandes cidades? Claro que é possível!

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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