Sardoal: Um microclima cultural alimentado pelo música, dança, cinema e teatro

foto: CM Sardoal

O Sardoal é conhecido pelo seu microclima. Seja Verão ou Inverno, o Sol aparece e chega a fazer inveja aos concelhos vizinhos. Uma particularidade entre muitas outras que podíamos listar, mas destacamos a recente seleção do Centro Cultural Gil Vicente pelo Teatro Nacional Dona Maria II para integrar a Rede Eunice nas próximas três temporadas. Ou o Festival Internacional de Piano, de 1 a 6 de setembro. E porque falar de teatro e música no Sardoal não se limita às infraestruturas, pedimos ao presidente do executivo sardoalense e à presidente da associação GETAS – Centro Cultural para nos explicarem este microclima cultural.

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Centro Cultural Gil Vicente, Teatro Municipal de Vila Real e Teatro Municipal Baltazar Dias (Funchal, Madeira), são estes os únicos equipamentos culturais selecionados a nível nacional para integrar a Rede Eunice do Teatro Nacional Dona Maria II, tendo o município de Sardoal recebido a notícia de que fará parte deste projeto de difusão nas temporadas 2016/17, 2017/18 e 2018/19.

Eunice Muñoz empresta o nome à iniciativa criada com o objetivo de descentralizar os espetáculos produzidos e coproduzidos pela instituição que em abril comemorou 170 anos desde que abriu portas para celebrar o 27º aniversário da Rainha Dona Maria II. A assinatura do protocolo ainda não tem data marcada, mas o primeiro espetáculo será realizado no início da temporada 2016/17, que arranca em outubro. A esse seguir-se-ão outros dois para totalizar os três previstos em cada período, complementados por workshops e atividades com as escolas.

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As condições técnicas integram as mais-valias reconhecidas pelo Teatro Nacional Dona Maria II (foto: CM Sardoal)

A participação do Centro Cultural Gil Vicente na primeira edição é encarada pelo presidente da câmara municipal do Sardoal como “um orgulho no equipamento que temos”, desvalorizando a dimensão do projeto quando perguntamos o que motivou a candidatura à Rede Eunice. Segundo Miguel Borges não se trata de um projeto “ambicioso”, mas sim “uma obrigação ao nível do desenvolvimento cultural das populações” a par de outras áreas essenciais como a saúde, a educação ou o desporto.

As condições do equipamento cultural inaugurado em 2004 e que incluem um auditório multimédia com uma plateia de 200 lugares, uma sala multiusos com capacidade para 70 pessoas, camarins, espaço de ensaios, sala de projeção e galeria de exposições também é motivo de orgulho para Cristina Curado. A atual responsável do GETAS – Grupo Experimental de Teatro Amador do Sardoal, hoje denominado GETAS – Centro Cultural, tinha apenas 10 anos quando a associação foi criada, em 1982. Na altura ainda morava em Abrantes, mas mudou-se para o Sardoal por ocasião do casamento e uma década depois da entrada no GETAS está no segundo mandato como presidente da Direção.

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Cristina Curado em palco na peça “A Mosqueta” (foto: GETAS)

Para esta funcionária pública ligada ao Agrupamento de Escolas, o Centro Cultural Gil Vicente representa uma “verdadeira maravilha que temos ao nosso dispor” pelas valências que possibilitam “trabalhar e receber grupos de teatro no nosso concelho”. Cristina Curado destaca a realização da edição de 2014 do Fórum Nacional de Teatro Amador, “cotado como um dos melhores feitos até hoje”, e os apoio por parte do município garantindo-lhes “o que muitos grupos de outros concelhos não têm”.

Resume-se tudo às infraestruturas? A resposta é não e os dados estatísticos revelam uma aposta cultural alimentada pela adesão do público. Nos primeiros dez anos de existência, o Centro Cultural Gil Vicente recebeu 102.201 utilizadores em 2.360 iniciativas. Uma média anual superior a 200 eventos num concelho que em 2011, de acordo com os últimos censos do INE – Instituto Nacional de Estatística, tinha 3.941 habitantes. Entre eles estão os cerca de 200 membros do GETAS, aos quais se juntam pessoas oriundas de outros municípios, como Abrantes e Vila de Rei.

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Os duzentos lugares do auditório esgotaram muitas vezes nos últimos 12 anos

A associação já fez tantas peças “quase como os anos de vida”, diz Cristina Curado, e neste momento está a preparar o espetáculo que dará continuidade ao percurso com o estrangeiro incluído, como a representação de Portugal no Festival de Teatro de Gijón (Astúrias, Espanha), em 2012. A peça mais recente, “A Mosqueta”, estreou há cerca de um ano e foi uma das finalistas do XII Concurso Nacional de Teatro, que decorreu em Póvoa de Lanhoso entre 5 de fevereiro e 12 de março.

Na altura em que Angelo Beolco escrevia “A Mosqueta”, entre 1527 e 1531, Gil Vicente fazia a primeira ligação entre o Sardoal e o teatro com referência ao concelho em quatro das suas obras. Um dos últimos diálogos da “Tragicocomédia Pastoril da Serra da Estrela”, escrita pelo dramaturgo em 1527, foi imortalizado por Gabriel Constant no painel cerâmico que se encontra no exterior da capela do Espírito Santo desde 1934.

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Fachada do Centro Cultural Gil Vicente (foto: CM Sardoal)

O presidente da autarquia não deixa de salientar o contributo do GETAS, que “tem dado à nossa região excelentes atores” e do qual fez parte enquanto maestro no extinto Coro.

A música e a dança também são vertentes culturais com presença assídua no equipamento reconhecido pelo Teatro Dona Maria II. Miguel Borges destaca a segunda edição do Festival Sardoal Jazz que levou este ano ao Sardoal nomes como Mário Laginha e Pedro Madaleno, no pretérito mês de maio. Ou o Festival Internacional de Piano, que vai decorrer na Vila de 1 a 6 de setembro com alguns dos melhores pianistas mundiais. Cristina Curado lembra o espetáculo da Companhia Nacional de Bailado, realizado em 2014 com excertos das obras “O Lago dos Cisnes”, “Orfeu e Eurídice”, “A Bela Adormecida”, “Giselle” e “Dom Quixote”. As artes plásticas e o cinema constituem outras mais-valias.

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As artes plásticas, a música e a dança também fazem parte do microclima cultural do concelho (foto: mediotejo.net)

Um “microclima cultural”, como conclui Miguel Borges, onde ainda existe muito trabalho pela frente que contribua para a maior adesão do público desejada pela presidente do GETAS e o impulso da economia local apontado pelo presidente da câmara municipal.

O teatro, enquanto parte integrante do microclima sardoalense, assume-se como um polo de desenvolvimento do concelho, da região e da própria população. De desenvolvimento e de equilíbrio se considerarmos que a saúde ou o desporto tratam o corpo e a cultura trata a mente.

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