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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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Sardoal | Transporte flexível defendido como a solução de mobilidade para o Médio Tejo

O transporte flexível, como solução de mobilidade, esteve em debate na quinta-feira, 4 de outubro, no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Uma iniciativa da Transportes em Revista acolhida pelo município de Sardoal e onde os vários intervenientes focaram a dimensão social dos transportes públicos, quais as soluções para o presente e futuro nos territórios de baixa densidade, e as características e modelos do transporte a pedido. O evento, que previa contar com a presença do secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, finalizou sem a presença de José Gome Mendes solicitado pelo Ministério da Economia para decidir a questão do passe único para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

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No Médio Tejo, 11 dos 13 municípios oferecem transporte a pedido. Uma solução pioneira nesta região, existente desde 2013, que disponibiliza 1200 postos de recolha de passageiros, um serviço a 123 mil habitantes mas com um défice mensal de três mil euros suportados pelos mesmos municípios. As informações foram avançadas pela presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Maria do Céu Albuquerque, durante o seminário ‘Transporte flexível, solução de mobilidade’, que decorreu esta sexta-feira em Sardoal.

Trata-se de um processo “muito importante” defendeu Maria do Céu Albuquerque, lembrando que na época da implementação do transporte a pedido nos municípios do Médio Tejo, procurando uma solução de mobilidade para uma população cada vez mais envelhecida e para um território de baixa densidade ameaçado pelo abandono dos operadores de transportes públicos, “fomos contra tudo e contra todos”, afirmou a presidente da CIMT, dando conta que o sistema contabiliza teoricamente, neste momento, “950 mil quilómetros mas apenas 7% está em utilização” significando “estar longe de atingir o ideal para tornar este sistema sustentável”.

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Seminário “Transporte Flexível – Solução de Mobilidade” em Sardoal

Na época, recordou a também presidente da Câmara Municipal de Abrantes, “estivemos muito tempo à espera que o então secretário de Estado que tutelava a pasta pudesse autorizar um despacho excecional para podermos avançar com este processo porquanto a lei não permitia que estivéssemos a fazer esta experiência”.

Atualmente, segundo Maria do Céu Albuquerque, no Médio Tejo existe uma “fatia significativa de população a usufruir do transporte a pedido”, sem estabelecer um transporte pontual. “Existe um conjunto de circuitos predefinidos, tem um horário e as pessoas têm de marcar de véspera”, não sendo “um porta a porta”.

A solução de serviços alternativos de transporte que possa servir a população destes territórios passa também pela rentabilização dos sistemas tendo em conta que o transporte público existente “não serve bem as aldeias nem a cidade” afirma a presidente da CIMT, sublinhando que o transporte a pedido é “fantástico, porque as câmaras assumem o défice que só não é maior porque tem financiamento comunitário para ir alavancando cada uma das partes”, critica.

Seminário “Transporte Flexível – Solução de Mobilidade” em Sardoal

Para Maria do Céu Albuquerque é necessário mudar mentalidades. Se por um lado, “as pessoas não têm consciência de que precisamos utilizar os transportes públicos”, por outro, mobiliza a CIMT a existência de um serviço público de transportes deficitário para o utilizador. “O que nos move é um sistema que possa cumprir este novo desidrato”.

E isso passa por potenciar a utilização de transporte público, ao mesmo tempo fomentar a prática de andar a pé, dando conta que a CIMT tem um projeto para implementar o uso de bicicletas elétricas, defendo não fazer sentido continuar a sectorizar. “Todos juntos talvez consigamos encontrar uma solução criando instrumentos que nos capacitem” insistiu, afirmando que os municípios não têm escala suficiente para suportar este processo.

VEJA AQUI AS DECLARAÇÕES DA PRESIDENTE DA CIMT:

Sardoal / Seminário Transporte Flexivel. Presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Maria do Céu Albuquerque, fala da importância do transporte flexível na região do Médio Tejo, no presente e no futuro.

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

Por seu lado, Orlando Costa Ferreira, da Rodoviária do Tejo, considerou que o Médio Tejo colocou a questão no sítio certo, ou seja, a nível político, com o projeto de transporte a pedido para o território.

“Neste momento somos produtores de gás quilómetros”, disse, defendendo que “o modelo tem de passar pela conetividade” tendo em conta que “não há gente, não há passageiros”. O responsável da Rodoviária do Tejo garantiu que a operadora quer participar nos modelos de inovação.

Orlando Costa Ferreira sustentou que “as boas políticas públicas não se conseguem com compensações. Apostamos muito em quem está a tratar da contratualização, que saiba comprar bem. É preciso que o decisor político seja bem informado do que é a realidade local. Se não comprarem bem vai ser difícil os operadores ficarem onde não há passageiros”, vincou, considerando essencial para o interior “economia, investimento e pessoas”.

Aplaudindo o funcionamento do transporte a pedido, Orlando Ferreira considerou, no entanto, que o atual modelo de transporte flexível “já acabou. Não tem nada de flexível, é rígido: não pode mudar de horário, nem de trajeto, nem de tarifa. O futuro tem de ser qualquer coisa diferente […] a conectividade vai permitir que a oferta se adapte em tempo real à procura”.

Seminário “Transporte Flexível – Solução de Mobilidade” em Sardoal

Mas ao contrário do que se possa pensar, também nos territórios de grande densidade populacional faz sentido o transporte flexível. Pelo menos essa foi a ideia defendida por Catarina Marcelino, da Área Metropolitana de Lisboa, registando, através de um Estudo de preparação do procedimentos concursais do serviço público de transporte rodoviário de passageiros, que “dos 950 lugares existentes na área metropolitana de Lisboa cerca de 250 não cumprem os requisitos de serviço mínimo” estabelecidos pelo Regime Jurídico, ou seja, não têm serviços de transporte que respondam às necessidades mínimas da população, particularmente falhas no serviço à noite e de madrugada.

Sobre o financiamento, Catarina Marcelino estabeleceu um paralelo entre a realidade portuguesa e fora de portas: “Isto é uma realidade portuguesa, que quando temos de financiar mais achamos que já estamos a financiar muito e não é o que acontece lá fora. Os sistemas de transporte público eficientes são subsidiados, não há nada a fazer tem de haver sempre alguma comparticipação”, defendeu.

“Os municípios, quer na Área Metropolitana de Lisboa quer noutros locais já financiam o sistema de transporte porque pagam a diferença do valor da tarifa, porque pagam o desconto ao idoso ou o passe às crianças ou o transporte escolar. Os municípios já investem. A rede tem de estar toda integrada”.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, no encerramento da sessão, deu conta das dificuldades do Interior do País, nomeadamente ao nível da rede de telemóvel e de Internet, notando um Portugal a duas velocidades.

“Os políticos têm de ouvir os técnicos! Muitas vezes a politiquice está primeiro do que as necessidades das pessoas”, referiu Miguel Borges, explicando que “para o Interior não basta o que é feito para Lisboa e Porto. Tem de haver uma descriminação positiva”.

Falando de “uma falta de visão estratégica” para o País, o autarca anfitrião do seminário sustentou “falta de coragem para pensar num País que funcione como um todo”. E sem gente também o transporte a pedido “não é sustentável”.

VEJA AQUI AS DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DA CÂMARA DE SARDOAL:

Sardoal / Seminário 'Transporte Flexivel'. O anfitrião Miguel Borges, presidente da câmara, faz um balanço do evento.

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

O secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Gomes Mendes, inicialmente anunciado no encerramento do seminário ‘Transporte Flexível, solução de mobilidade’, não compareceu por solicitação do Ministério da Economia para acertar o financiamento do passe social nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

A moderação do debate esteve a cargo de José Monteiro Limão da Transportes em Revista.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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