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Sábado, Maio 8, 2021

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Sardoal | Situação financeira da Santa Casa gera troca de ‘galhardetes’ na Assembleia Municipal (c/áudio)

Na última sessão de Assembleia Municipal de Sardoal os problemas financeiros daquela instituição de solidariedade social fizeram exaltar os ânimos havendo mesmo troca de insultos entre o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal, Miguel Alves (PS) e o deputado municipal Anacleto Batista (PSD) que respondeu enquanto provedor da Santa Casa. Em causa o pagamento dos salários aos trabalhadores da instituição de forma parcelar. Em declarações ao mediotejo.net o provedor garantiu que “está tudo pago” mas sem assegurar que no próximo mês não se verifique o mesmo procedimento.

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Desde de dezembro de 2020 até março de 2021 – ou seja há quatro meses – que os trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal recebem 50% do salário no inicio do mês e o restante até ao dia 10 do mesmo mês. Miguel Alves considera “um assunto muito preocupante” até porque, segundo afirma, “os trabalhadores não veem reconhecido o seu esforço, a sua dedicação. Isso é mau […] nem sequer recebem a horas aquilo a que têm direito. Passa de ser mau para ser péssimo”.

OIÇA AQUI A INTERVENÇÃO DE MIGUEL ALVES

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O presidente da Junta de Freguesia de Sardoal, Miguel Alves, quis saber as razões que levam o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD), que é também presidente da mesa da Assembleia Geral da Santa Casa, a não pronunciar-se sobre os problemas naquele que é o segundo maior empregador do concelho de Sardoal. “Tem sido um silêncio sepulcral”, disse o socialista justificando que a Assembleia Municipal “é órgão fiscalizador da Câmara Municipal”.

Referiu que “em conjunto” os eleitos “têm de encontra uma solução” para a instituição sublinhando que “as duas mais altas figuras da Santa Casa são o provedor e o presidente  da Assembleia Geral que é presidente de Câmara, ambos eleitos nas listas do Partido Social Democrata”.

Em resposta Miguel Borges afirmou que, enquanto presidente da Câmara, acompanha a situação da Santa Casa tem-se pronunciado sobre esse assunto e fala com os trabalhadores. Admitiu a existência de “problemas” mas garantiu estarem a ser resolvidos falando de aproveitamento político. “O que interessa é resolver não é agitar. Não é utilizar a Santa Casa da Misericórdia como uma bandeira de aproveitamento político”.

OIÇA AQUI A INTERVENÇÃO DE MIGUEL BORGES

Após ouvir as declarações de Miguel Alves, o deputado municipal Anacleto Batista pediu a palavra começando por dizer que o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal “é ignorante ou age de má fé. É ignorante porque não conhece a instituição e fala como se conhecesse e soubesse. E está de má fé porque previamente e atempadamente, antes de serem processados os vencimentos, é convocada a delegada sindical […] há sindicalizados na instituição, que compreendem a situação da instituição e que estão com a mesa administrativa e com todos os órgãos. Sabem e conhecem a situação que se vive no País para não dizer o que se vive no Sardoal”, disse o provedor da Santa Casa sugerindo a Alves que “renuncie ao seu lugar remunerado, passe a um lugar meramente gratuito”.

OIÇA AQUI A INTERVENÇÃO DE ANACLETO BATISTA

A resposta de Miguel Alves não tardou afirmando que a Santa Casa “é um problema sem fim à vista” sendo gerida “com terrível amadorismo […] leia-se os balancetes das contas, os relatórios que o senhor provedor escreve e verifique-se quem é que é inculto, quem é que é ignorante e quem não tem carácter. Ignorante e sem carácter é o senhor Anacleto Batista”, acusou.

Disse ainda que “o problema persiste por não se descobrir a fundo o que está por trás e leva esta mesa administrativa a não abandonar o cargo. Porque não se vê um gestor de formação”, referiu falando na necessidade de uma “auditoria externa”. Para Miguel Alves chegou o momento “de dar a vez aos mais novos e às pessoas com mais capacidade”.

OIÇA AQUI A RESPOSTA DE MIGUEL ALVES

De seguida Anacleto Batista deu conta a Miguel Alves que os relatórios de contas da Santa Casa da Misericórdia são públicos “estão publicados através dos sites próprios das IPSS e na Segurança Social e são auditados por um Revisor Oficial de Contas ao contrário não conheço nenhuma publicação, nenhum relatório de contas da Junta de Freguesia”.

O provedor pediu para deixarem “a Santa Casa da Misericórdia em paz” e permitirem também “os velhos ensinar aos mais novos que a vida não é só ter um ecrã na frente, dizer baboseiras, dizer aquilo que querem sem conhecer a realidade”.

OIÇA AQUI A RESPOSTA DE ANACLETO BATISTA

Ao nosso jornal Anacleto Batista apontou mais uma vez o dedo à Segurança Social como causa dos problemas financeiros da instituição uma vez que “proibiu de ter mais utentes – neste momento são 44 em ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas), 4 da Segurança Social e 40 da responsabilidade da instituição – no cumprimento do acordo quando a Santa Casa tinha cerca de 60”, explicou.

O provedor garantiu que a Segurança Social tem conhecimento que os salários dos trabalhadores estão a ser pagos de forma parcelar, sendo que a instituição “já pediu apoios e está a aguardar uma decisão”, acrescentou.

Entretanto, o Partido Social Democrata de Sardoal deu conta em comunicado que “tem vindo a acompanhar a atual situação da Santa Casa da Misericórdia com grande proximidade e preocupação. Este acompanhamento tem sido feito pelos seus eleitos locais, muito especialmente pelo sr. presidente da Câmara Municipal em quem depositamos total confiança na gestão deste assunto”.

Lembra que “a instituição Santa Casa da Misericórdia de Sardoal tem mais de 500 anos e merece todo o nosso respeito. Compreendemos o ‘desconforto’ dos funcionários que, apesar do seu grande empenho e dedicação no dia-a-dia da vida da instituição, têm-se deparado com constrangimentos preocupantes no momento de receberem o seu vencimento”, lê-se no documento no qual o PSD deixa também “uma palavra de solidariedade e agradecimento pelo que têm feito pela instituição e indiretamente pela nossa comunidade”.

Destaca igualmente “o facto de não ter havido caso algum de covid-19 entre os utentes, tal se deve, sem dúvida alguma, ao Plano de Contingência mas principalmente à forma profissional como muito bem o têm posto em prática”.

Nota ainda, concluindo, que “a preocupação, o empenho e a vontade de ajudar, de encontrar soluções, não se mede pelo número de publicações colocadas nas redes sociais ou por se gritar mais alto”, lamentando “o aproveitamento político que os eleitos do Partido Socialista têm feito, não contribuindo de modo algum para a solução, mas sim para agudizar o problema, chegando a pôr em causa as relações institucionais, muito para além da esfera concelhia”.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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