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Sardoal | Silêncio, marchas fúnebres e Procissão dos Fogaréus entre o recolhimento e o Senhor da Misericórdia

A Procissão do Senhor da Misericórdia, também conhecida como a Procissão dos Fogaréus, uma das mais emblemáticas manifestações religiosas da Semana Santa de Sardoal, decorreu na Quinta-feira Santa, 29 de março, no escuro da noite e no silêncio do recolhimento.

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Chegados à Semana Santa, semana maior do ano para os cristãos, apesar da chuva e do frio, a movimentação no centro histórico da vila de Sardoal foi intensa antes do feriado de Sexta-feira Santa, convocados que foram os cristãos a revisitar os lugares da Paixão.

Crianças, adultos e idosos encheram a igreja da Misericórdia segurando velas, archotes e candeias, com os ‘irmãos’ da Irmandade da Misericórdia entrajando capas negras e nas mãos varas igualmente negras. A Procissão dos Fogaréus acontece sempre na Quinta-feira antes da Páscoa, a também designada Santa quando Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia.

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Em caminhada pelas ruas da vila, após a saída da Igreja da Misericórdia, a multidão no breu da noite em silêncio absoluto, só interrompido pelo som dos passos, das varas e das marchas fúnebres interpretadas pela Filarmónica União Sardoalense, numa vila ao brilho do luar onde cintilaram archotes e velas iluminando os rostos dos fiéis. Nas bermas, nos muros, nas janelas das casas, nas mãos dos crentes…a luz.

Procissão dos Fogaréus, Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Impressionam os passos no sossego. Os crentes não entoam cânticos, nem hinos, nem louvores. No meio da Procissão o Cristo quase ladeia com a única brancura existente nos paramentos do padre que acompanha a cruz, no ar o cheiro a velas, algumas apagam-se sem conseguir resistir à chuva. Cafés e restaurantes param os serviços, os clientes vão ver a passagem dos religiosos. “A Procissão dos Fogaréus afirma a presença de Deus em nós, a vivência do trilho pascal” explicou o padre Carlos Almeida.

As tradicionais palavras do Sermão do Mandato na Igreja de Santa Maria da Caridade, juntaram centenas de pessoas. Algumas fizeram o percurso descalças, movidas a fé, em clara devoção e sem se importarem com o desconforto do empedrado molhado de chuva nos pés. A procissão dos Fogaréus é um dos atos religiosos que atestam essas afirmativas.

Procissão dos Fogaréus, Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Uma noite de peregrinação “uma caminhada espiritual, meditando, embalados pela Filarmónica, pelos passos das pessoas, pelo cenário criado para proteger a fé”, declarou o padre antes da bênção na igreja do convento, com a banda a tocar entre portas devido à chuva, pedindo ajuda a São Pedro. “Pedimos a chuva, agora agradecemos”.

Outra tradição que se prende com a Procissão dos Fogaréus é a venda de amêndoas. Abre ao público, durante a tarde, o “Doce Quiosque” com venda de amêndoas no edifício dos Paços do Concelho. Trata-se da preservação de uma antiga tradição local que remonta aos tempos em que o comércio local tinha horário livre, permanecendo aberto após terminarem as celebrações religiosas.

Rosa Agudo conta que “antigamente os namorados ofereciam amêndoas às namoradas depois da Procissão dos Fogaréus”. As amêndoas eram vendidas “avulso”, os rapazes caminhavam no cortejo “com as mãos atrás das costas onde escondiam as amêndoas para dar a várias namoradas” lembra a rir.

Era nessa ocasião que os casais ou pares de namorados aproveitavam para oferecerem então as amêndoas à pessoa amada. Esta iniciativa realiza-se há 15 anos consecutivos recuperando a tradição e, em cada ano, é convidado um agente comercial do concelho para o respetivo fornecimento.

Semana Santa no Sardoal Foto: Paulo Jorge de Sousa

Integrado no programa religioso da Semana Santa de Sardoal decorre ainda a Procissão do Enterro do Senhor, na Sexta-feira Santa, dia 30 de março, e no Domingo de Páscoa, 1 de abril, é levada a efeito a Procissão da Ressurreição, pelas 10 horas.

“Doce Quiosque” com venda de amêndoas no edifício dos Paços do Concelho

Veja o vídeo da Procissão:

Sardoal | Procissão dos Fogaréus percorre as ruas da vila na noite de Quinta-feira Santa.

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 29 de Março de 2018

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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