Sardoal | Revista Zahara nº 32 apresentada entre sons e sabores do Cá da Terra (C/FOTOS e VIDEO)

Foto: mediotejo.net

O mais recente número da revista de história local Zahara foi apresentado no espaço Cá da Terra, em Sardoal, após ter sido igualmente divulgado nas Jornadas de História Local no concelho vizinho, Abrantes. A convite da autarquia, a sessão contou com apresentação do nº32 desta publicação, com particular incidência no artigo escrito por Mário Jorge Sousa alusivo à Filarmónica União Sardoalense, que completa 156 anos de existência, tendo como pano de fundo a exposição comemorativa sobre a banda filarmónica.

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Juntaram-se a alguns colaboradores da publicação, bem como ao autarca Miguel Borges, o vice-presidente Jorge Gaspar e o vereador Pedro Rosa, outros interessados, que puderam refletir sobre os temas que fazem este nº32 da Zahara, uma publicação com 16 anos ininterruptos, e que pretende ser “a guardiã” da memória e identidade local e regional, abrangendo não só o concelho de Abrantes, mas estendendo-se aos concelhos de Sardoal, Constância, Mação, Gavião, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei.

A publicação é da responsabilidade do CEHLA (Centro de Estudos de História Local de Abrantes), da Associação Palha de Abrantes, e o coordenador e diretor José Martinho Gaspar apresentou ao mediotejo.net os temas que compõe este número.

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O historiador começou por relembrar o renovado design da revista, de há três números para cá, considerando que “está mais interessante, respira melhor e está mais atrativa”.

O facto de haver esta segunda apresentação no espaço Cá da Terra, prende-se com a publicação do artigo “Filarmónica União Sardoalense: Uma História de 156 anos”, de Mário Jorge Sousa neste número da revista semestral, e por estar patente uma esposição alusiva aos 156 anos da FUS no mesmo local.

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José Martinho Gaspar destacou ainda “outros artigos interessantes”, nomeadamente outro sobre o concelho sardoalense, “«Crianças Austríacas acolhidas no Sardoal» no pós Segunda Guerra Mundial, um fenómeno que acontece na região e tem também a alusão aos oleiros e estas tradições em vias de extinção, e inclui um pequeno artigo de Manuel Soares Traquina sobre a escola de São Simão e algumas memórias associadas”.

Foto: mediotejo.net

O balanço quanto à sessão foi positivo. “Correu bastante bem, foi uma sessão bastante participada, tivemos inclusivamente este brinde da banda filarmónica ter podido passar e tocar duas músicas, o que fez com que a sessão fosse mais interessante e mais dinâmica, ainda mais com esta componente estética”, justificou, acrescentando que “a revista Zahara sempre tem dado uma atenção especial ao Sardoal (…) eu fiz este exercício: pegar na revista e ver quantos artigos tinham saído e eles passam os 50 artigos sobre o concelho de Sardoal”.

O historiador afirmou ainda que “há claramente uma ligação” e “fizemos a revista e este Centro de Estudos de História Local para um território que não é apenas o concelho de Abrantes, mas são os concelhos também envolventes e isto está claramente conseguido e os objetivos atingidos”.

Aludindo ao facto de a revista semestral ser feita pelo mesmo grupo do CEHLA, o também docente referiu que a Zahara não se trata de uma “revista académica”, apesar de ter também essa componente. “Tem uma outra vertente, de pessoas que vêm das associações, da realidade local, têm as suas memórias, e podem publicá-las na revista e isso sempre tem acontecido, porque temos equilibrado a revista dessa forma” incluindo “artigos mais populares, mas que não deixam de ser rigorosos e outros que vão consultar documentos e arquivos e que fazem essa História mais académica”, explicou.

“Nós sabemos que não somos eternos, mas gostávamos que a revista continuasse depois de nós”

Apesar de os objetivos irem sendo atingidos edição após edição, há ainda uma lacuna que falta preencher e que se prende com a garantia da continuidade desta revista no futuro, através da renovação dos membros da equipa do CEHLA com integração de gente jovem. “Esse é um dos aspectos mais difíceis”, assumiu José Martinho Gaspar, que notou a necessidade de “colaboradores mais jovens”.

“Temos sempre renovado os nossos colaboradores (…) tivemos alguns colaboradores relativamente jovens, que acabam os seus cursos universitários, estão a fazer estágios e colaboram connosco, mas muitas vezes de forma pontual, resultam de um trabalho que a pessoa faz com determinado objetivo mas depois não tem tido essa continuidade. E era importante que tivéssemos essa continuidade, quer em termos de colaboração, mas, sobretudo, que pudessem integrar o núcleo que faz a revista e que nos pudesse ajudar a garantir a continuidade”, frisou.

Sardoal | O historiador José Martinho Gaspar, coordenador do CEHLA, fala sobre o lançamento do número 32 da revista de história local Zahara.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Vídeo: Entrevista com José Martinho Gaspar, diretor do CEHLA

FUS: há 156 anos a envolver e entreter a comunidade da vila de Sardoal

Na sessão, juntamente com outros colaboradores deste número que fizeram uma pequena súmula dos seus artigos, teve a palavra Mário Jorge Sousa. Muito havia para dizer sobre a importância e envolvência da Filarmónica sardoalense na história local, bem como o caminho percorrido ao longo de mais de uma centena de anos.

O autor, que referiu ser este sábado, dia 8 de dezembro, “um dia especial” por fazer “47 anos que escreveu na imprensa sobre a relação de Sardoal e Gil Vicente”, confidenciando que todos os anos celebra o dia consigo próprio “bebendo umas cervejolas no café”.

Anti-redes sociais, digital, computadores e telemóveis, prefere deixar correr a tinta da caneta pelo papel, acrescentando aos restantes manuscritos da sua autoria. Reformado, chegou a trabalhar na comunicação social, mais propriamente na rádio, e na Câmara Municipal de Sardoal tendo sido um dos impulsionadores do Boletim municipal.

Disse sentir-se mais à vontade com o microfone do que a falar para uma plateia em registo intimista, como foi o caso, mas nada o impediu de falar sobre a longa história, feita de altos e baixos, da Filarmónica União Sardoalense, da qual foi juntando e reunindo materiais.

Foto: mediotejo.net

Conta com a sua “empresa familiar de produção de conteúdos”, ou seja, com a companheira Nélida e o irmão Paulo Jorge de Sousa, para transpor os seus manuscritos para o mundo do digital, e confessou que são eles que, havendo algo do seu interesse, “lhe vão mostrando algumas coisas”.

De momento, é na Zahara que encerra a sua única colaboração, tendo já feito outros artigos relacionados com a imprensa periódica no Sardoal, a relação de Gil Vicente com a Vila (algo que diz ser mal aproveitado), a antiga Festa da Flor, o escritor Gregório Cascalheiro e as antigas Festas de Setembro, antes em honra de N. Sra. da Caridade, até que fechou o hospital, e que deram lugar às Festas do Concelho.

Mário Jorge Sousa mostrou a importância da FUS na comunidade, no sentido em que, a certa altura, apenas existia o Centro Popular e a Filarmónica, tendo apenas aparecido outras coletividades “nos 10 anos seguintes ao pós-25 de abril”.

O autor lembrou um período conturbado da filarmónica, onde até foi criada “uma comissão da Câmara de Sardoal, na altura liderada por Francelina Chambel, para apoiar a FUS a reerguer-se”. A verdade é que, volvidos 24 anos, nunca mais houve problemas, nem altos e baixos.

A Filarmónica “está viçosa, está velha e cada vez mais nova” e tal é o seu valor para as gentes da vila sardoalense que “merecia constar do acervo da Zahara” enquanto “guardiã” da memória destes territórios.

Com 156 anos, a FUS recebeu no tradicional dia 1 de dezembro 18 novos membros, que irão ser oficialmente integrados na filarmónica no concerto de Natal.

Sardoal | Mário Jorge Sousa, autor do artigo alusivo aos 156 anos da Filarmónica União Sardoalense na revista Zahara.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Vídeo: Entrevista com Mário Jorge de Sousa

Colaboraram, neste número 32 da Zahara, Anabela Borralheiro Pereira, António Manuel Martins Silva, Carlos Grácio, Dulce Figueiredo, Firmino de Matos Matias, Helena Alho, Joaquim Candeias da Silva, José Alves Jana, José Martinho Gaspar, Luiz Oosterbeek, Manuel Batista Traquina, Manuel Soares Traquina, Mário Jorge de Sousa, Margarida Morais e Teresa Aparício.

Consta nesta edição, em destaque na capa, o artigo “Convento de S. Domingos de Abrantes: Um Precioso Memorial até Agora Inédito” de Joaquim Candeias da Silva, conjugado com ilustração em aguarela de Paula Dias. Outros destaques para os artigos “Filarmónica União Sardoalense: Uma História de 156 anos” de Mário Jorge Sousa e “Espaços de Memória em Mação: Preservação da Identidade Local”, da autoria da Luiz Oosterbeek, Margarida Morais e Anabela Borralheiro Pereira.

FOTOGALERIA:

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