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Sábado, Setembro 18, 2021

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Sardoal | Proposta do Orçamento Participativo resulta em pintura mural de 120 metros na EN2

Alexandre Batista, de Santiago de Montalegre, foi o vencedor do primeiro Orçamento Participativo Municipal de Sardoal com a proposta de elaboração de um mural alusivo ao património cultural, memória social e identidade sardoalense na Estrada Nacional 2. O mural foi, entretanto, pintado por uma artista com raízes em Alcaravela e estende-se ao longo de 120 metros pouco depois do quilómetro 380, em São Domingos. O mediotejo.net foi ver a obra de arte e falou com Cláudia Luís, que em conjunto com o proponente, idealizou o projeto.

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O mural ‘E.N.2 Caminho de Memórias’, proposta vencedora do primeiro Orçamento Participativo Municipal de Sardoal já foi concretizado em São Domingos.

Ao longo de 120 metros “tentámos retratar um bocadinho do quotidiano” da freguesia de Santiago de Montalegre “e até do nosso concelho porque temos elementos que são mais característicos de Alcaravela como por exemplo o resineiro, e temos no início elementos de Sardoal, identificativos do seu quotidiano”, explicou Cláudia Luís ao mediotejo.net.

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Desde a paleontologia aos monumentos, passando pelos usos e costumes do povo de Sardoal, um pouco da fauna e da flora, onde não faltou a fonte de mergulho que deu água às gerações passadas.

“Foi isso tudo que tentámos retratar, tal como a vinha o azeite tão importantes na nossa economia local”, acrescentou.

O mural inicia com o quilómetro do Sardoal (386) depois vê-se um tapete de flores alusivo à Semana Santa de Sardoal, o Arcanjo S. Gabriel das Tábuas do Mestre do Sardoal presentes na Igreja Matriz, o São Tiago (Santiago), a Igreja da Misericórdia de Sardoal, as giestas igualmente alusivas aos tapetes florais, uma velhinha a fiar o linho, os leques característicos de Sardoal, o hipericão medicinal com que no passado se curavam as maleitas, a nora, o girassol da horta, a lavoura, e a cena da ceifa alusiva ao pão tal como uma mulher a peneirar o cereal moído,

A tudo isto junta-se o vinho e o azeite, o lavar a roupa na ribeira, a azenha, a cena de ir à fonte buscar água, o guarda-rios, a fonte de mergulho de São Domingos, a única existente onde as pessoas mergulhavam o cântaro, a raposa, o moinho, o pastor, o cardo, o resineiro e o respetivo o caneco, a serração, os lenhadores, o rosmaninho e a papoila, o miradouro do Cristo Rei, uma cena alusiva às invasões francesas, porque Junot pernoitou ali, e os tremoços que permitiram que as pessoas sobrevivessem no mato durante a invasão francesa (consta que após os Santos), a ponte medieval de Ribeira de Codes, as trilobites, a calçada romana de Valhascos e por fim o quilómetro 380.

Cláudia Luís deu conta da população ter aderido “muito bem” à proposta. “Andámos de porta em porta a explicar o que queríamos fazer e a população gostou muito, foi votar e está muito contente com o resultado”, afirma.

O projeto vencedor, submetido pelo proponente Alexandre Batista, residente na freguesia de Santiago de Montalegre, pretendeu então a “elaboração de um mural alusivo ao património cultural, memória social e identidade, numa ótica de valorização, salvaguarda e divulgação patrimonial. Serão retratados elementos culturais, a partir de uma memória coletiva e histórica, como sejam usos e costumes tradicionais, bem como elementos patrimoniais, materiais e imateriais”.

Assim, pouco depois do marco do quilómetro 380 da Estrada Nacional 2 (a original, não a variante) no final de São Domingos, entre Santiago de Montalegre e Andreus, encontramos uma extensa pintura mural, também “uma forma de colocar este quilómetro no mapa. Tínhamos de saber aproveitar o nosso quilómetro e não ter apenas o marco em branco sem mais nada para ver”. Desta forma “tentámos colorir e marcar a diferença dos outros quilómetros” da Estrada Nacional 2, diz.

Segundo Cláudia “tem resultado bem. Tem aparecido em muitas fotografias publicadas nas redes sociais, tem corrido o mundo. Tem feito a Estrada Nacional 2”.

O mural é de autoria da artista Daniela Guerreiro contratada pelo Município de Sardoal, “até porque Daniela tem raízes em Alcaravela e ninguém melhor para fazer a história do antigamente sendo uma pessoa que conhecia este quotidiano dos tempos que vinha passar férias com os avós”, justifica.

O muro é propriedade de Teresinha e José Eduardo, “falámos com eles, acharam a ideia estupenda. Arriscaram um bocadinho porque não sabiam muito bem o que era o mural, explicámos o que queríamos fazer e deram autorização para pintar”, refere Cláudia manifestando-se “muito contente” com o resultado.

“É rara a vez que não passe aqui que não esteja alguém a tirar uma foto. Acho que é muito positivo!”, opina.

No entanto, lamenta que “por falta de sinalização muita gente” percorra a variante à EN2 ignorando a antiga estrada. “Vila de Rei deveria ter uma melhor sinalização porque, diria que 70% dos turistas passam pela variante. As pessoas não se apercebem, nem mesmo com o Pendo Furado passam por aqui. É uma pena! Alguns até dizem: façam um desvio até ao Penedo Furado. Não! A estrada passa pelo Penedo Furado, não é um desvio. É uma lacuna enorme”, considera Cláudia.

Por iniciativa de Cláudia encontramos ainda, junto ao km 380 um mural com a figura de Santiago, uma pintura do artista Camilo de Santarém, paga com contributos da população, que merece inclusive uma inscrição em braile e mais à frente, uma casa devoluta com uma janela arranjada que serve para os turistas tirarem retratos de recordação do local.

O Município de Sardoal recebeu seis propostas de munícipes no âmbito do Orçamento Participativo Municipal, cujas candidaturas encerraram precisamente há um ano, ou seja no mês de agosto de 2020. Com o propósito de incentivar o envolvimento cívico na gestão municipal, o município avançou no ano passado com o primeiro Orçamento Participativo, possibilitando aos munícipes de todo o território sardoalense a apresentação de propostas e ideias que visem contribuir para a melhoria da qualidade de vida no concelho.

O primeiro Orçamento Participativo de Sardoal contou com um teto financeiro de 10 mil euros.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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