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Domingo, Dezembro 5, 2021
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Sardoal | “Primeiro Ministro não tem condições para continuar no cargo que exerce” – Miguel Borges (c/video)

“Um sistema de Proteção Civil assente em pés de barro”, uma expressão já muito cara ao autarca sardoalense Miguel Borges (PSD), que luta há mais de 3 anos sobre questões como a obrigatória assunção de responsabilidades por parte dos municípios portugueses e a negligência da esmagadora maioria na falta de criação de estruturas profissionais.

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Esta quarta-feira, dia em que a Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, pediu a demissão, e dia em que Miguel Borges tomou posse oficialmente para mais um mandato, o autarca apontou que a responsabilidade das últimas tragédias é tanto da então ministra, como do Primeiro-Ministro António Costa, que crê não estar em condições de “continuar a exercer o cargo que exerce”, acreditando que está na hora de voltar a dar voz aos portugueses para poderem escolher quem deve governar o país.

“Não havia mais espaço, e como escreveu a senhora Ministra no seu pedido de demissão, até por uma questão não só política, mas também pessoal, para continuar a assumir esse cargo”, notou, assertivo, quando questionado sobre a demissão de Constança Urbano de Sousa.

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Quanto ao sistema, o autarca assumiu em entrevista ao mediotejo.net ser difícil falar sobre o assunto tendo em conta a atualidade: duas grandes tragédias, uma atrás da outra, e sem soluções à vista. “Tenho alguma dificuldade em falar sobre este assunto, no sentido de que há 4 anos eu ando a alertar para determinadas situações, ando a dizer que temos um sistema de Proteção Civil assente em pés de barro, ando a dizer e avisando que ‘Atenção, que um dia vai haver uma tragédia grande’. Depois disso já aconteceram duas tragédias grandes”, explicou.

“Infelizmente as pessoas não me deram ouvidos, ao meu caso e a outros colegas autarcas que alertavam para as situações que não estavam a correr bem.”

Para o autarca da vila de Sardoal a culpa não pode continuar a morrer solteira, sendo imperativo apurar responsabilidades. “Foi muito grave aquilo que se passou, já era grave aquilo que se passou anteriormente, é muito importante, mas mesmo muito importante que se perceba quem teve culpa neste processo, quem é que não cumpriu aquilo que são as suas funções, e também o mais urgentemente possível resolver esta situação”, disse ao mediotejo.net.

Por outro lado, este problema da Proteção Civil a nível nacional não é exclusivamente da ex-ministra do MAI, nem tão pouco do atual governo: é algo que se tem arrastado sucessivamente.

“Este problema não é desta senhora Ministra, não é deste governo, este é um problema que tem sido empurrado pelos sucessivos governos, de um sistema que está assente em pés de barro e que urge alterá-lo para bem de todos nós, para bem do nosso património natural, para bem de Portugal”, entende o social-democrata.

Miguel Borges (PSD), autarca da CM Sardoal, tem sido muito crítico perante o sistema de Proteção Civil nacional, intervindo junto de representantes do Governo central e da ANMP, ou mesmo fazendo comunicações em órgãos de comunicação social. Foto: mediotejo.net

“Acho que as responsabilidades são tão grandes e são tanto da senhora Ministra como são do senhor Primeiro-Ministro.”

António Costa, segundo entendimento de Miguel Borges, também tem culpa no cartório, e não soube lidar com os acontecimentos trágicos com a sensibilidade que se pede a um alto representante nacional. “Na minha opinião o senhor Primeiro-Ministro também não tem condições para continuar a exercer o cargo que exerce. Porque foi tremendamente insensível perante esta situação”, disse, sugerindo que está na hora de outro responsável político assumir o cargo, mediante sufrágio dos portugueses.

“Acho que na verdade, é de dar novamente voz aos portugueses, e dar uma outra oportunidade para escolherem quem querem que esteja realmente à frente dos destinos do seu país”, afirmou Miguel Borges, assumindo que a sua luta quanto a estes aspectos vai continuar até que hajam “mudanças estruturais e profundas” num sistema que “tem muitos anos, muitos vícios, e que é importante que se altere”.

No que toca a expetativas quanto ao futuro da Proteção Civil do país, o autarca refere que “gostaria de ver alguns passos no sentido de melhorar as coisas para que daqui a uns anos estejamos bem melhor do que aquilo que estamos agora”.

“Há municípios que gastam muito mais dinheiro em festas e fogo de artifício do que, por exemplo, em Proteção Civil.”

Certo e sabido é que, dentro da sua luta perante estes factos, se incluem as fortes críticas à postura de certos municípios que se desresponsabilizam perante as suas obrigações. “Acho que há uma grande desresponsabilização dos municípios do país, sendo que uma esmagadora maioria dos municípios, nomeadamente os presidentes de Câmara, como responsáveis máximos da Proteção Civil, não assumem aquilo que são as suas obrigações, as suas competências”, declarou.

No seu entender é necessário haver capacidade de resposta rápida perante as catástrofes que sucedem, mas para que tal aconteça, é necessário existir uma estrutura profissional, o que é deixado para segundo plano pela maioria dos municípios. E o pormenor reside precisamente no facto de um grande incêndio começar sempre por um pequeno incêndio. Como tal, justifica Miguel Borges que “o grande desafio neste momento é a resposta rápida e eficaz quando o incêndio é pequeno. Porque a partir de determinada altura, é muito difícil, e como os técnicos dizem, só o próprio incêndio acaba quando entender que deve acabar. Tem de haver uma estrutura que faça um resposta rápida, e aí os municípios têm uma enorme responsabilidade que têm a assumir”, terminou.

 

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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