Sardoal | Presidente pede reunião urgente com provedor devido a possíveis despedimentos

A Santa Casa da Misericórdia de Sardoal voltou a ser assunto em reunião de Câmara Municipal. O presidente da autarquia, Miguel Borges (PSD) leu uma declaração devido a “alguma inquietação social” baseada “na possibilidade de despedimentos na estrutura de recursos humanos” daquela instituição privada de solidariedade social.

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Durante o dia de terça-feira, 20 de outubro, “chegou-nos ao conhecimento alguma inquietação social que está a decorrer junto da nossa comunidade baseada na possibilidade de despedimentos na estrutura de recursos humanos da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal”, começou por dizer o presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges (PSD).

Declarando-se “atento a tudo isto”, solicitou “uma reunião com carácter de urgência ao senhor provedor da Santa Casa no sentido de poder este Município avaliar a veracidade e dimensão dos factos”. E garante que “o Município irá acompanhar todas as ocorrências que advenham dos factos anteriormente referidos não só por mim mas também através do Gabinete de Ação Social e do Gabinete de Apoio ao Empresário”.

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Do lado do PS, o vereador Pedro Duque manifestou “preocupação” considerando ser “unânime” no Município, até por estarem em causa “consequências bastante nefastas” na eventualidade de haver despedimentos “para alguns agregados familiares do nosso concelho”.

Para o vereador socialista “é importante” que o presidente “tente apurar com rigor o que está em causa. Se é uma mera possibilidade ou se é um facto consumado”, notou, tendo referido algumas alegações de Anacleto Batista em declarações que prestou ao mediotejo.net designadamente que “a urgência que a Segurança Social alargue a possibilidade do número de utentes”.

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Pedro Duque manifestou da parte dos eleitos do PS “total disponibilidade, em conjunto com os outros elementos do executivo” para colaborar “no que esteja ao nosso alcance, sendo certo que se trata de uma instituição privada com estatutos próprios”.

Presente na reunião de Câmara esteve o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal, Miguel Alves (PS), que se congratulou pelo facto “do presidente de Câmara, enquanto presidente da Assembleia Geral da Santa Casa, ter promovido uma reunião tão rápida, tão célere, com as notícias que saíram a público ontem”, relativamente a despedimentos de trabalhadores da instituição, disse.

Deu conta de ter falado com “alguns” desses trabalhadores e disse saber terem sido abordadas “19 pessoas e que hoje iriam falar com mais. Acho que após essa reunião, os partidos, o executivo da Câmara deve arranjar as medidas necessárias e legais para promover uma auditoria externa, ou um inspeção, seja o que for. Algo tem de ser decidido, porque as pessoas estão muito assustadas, situação que nos preocupa a todos!”, afirmou.

Em resposta, Miguel Borges considerou que Miguel Alves na sua intervenção “meteu muitas coisas ao mesmo tempo e de difícil entendimento da minha parte. Mas se calhar o erro é meu!”, observou. “Primeiro porque está a confundir a Mesa da Assembleia da Santa Casa da Misericórdia com a Câmara Municipal. Estamos em reunião de Câmara Municipal, temos as nossas competências, a Câmara tem as suas competências, a Santa Casa e a Assembleia Geral terá outras competências assim como a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia”.

Para o presidente, a sugestão de auditoria “é a Câmara Municipal estar-se a intrometer numa gestão externa. Não me parece que esteja nas competências da Câmara Municipal a não ser que a própria entidade peça apoio nesse sentido. Era importante primeiro que soubéssemos do que estamos a falar por isso não me pronunciei sem primeiro falar com o provedor da Santa Casa e com a Mesa Administrativa, com base em todos os dados, da Mesa Administrativa e não por aquilo que se fala e por aquilo que se diz”.

Miguel Borges deu conta que também foi contactado por “funcionários manifestando a sua preocupação, mas uma coisa são essas manifestações e outra é sabermos concretamente o que a Santa Casa vai fazer […] nós que temos responsabilidades nestas matérias temos de ter todo o cuidado naquilo que dizemos sem ter o verdadeiro conhecimento das coisas. Este processo da Santa Casa deveria envergonhar não só as instituições, mas também a forma como se gere estas coisas. Fala-se muito sem se saber concretamente”, criticou.

Considerou a situação financeira da Santa Casa da Misericórdia “uma preocupação enorme, de um desempregado que possa vir a surgir, dois, dez, 15, 20, não faço ideia. É uma preocupação enorme a sustentabilidade daquela instituição, como é de outras, como seria se fosse os Lagartos e pudesse criar um vazio no desporto, como seria a Filarmónica e pudesse criar um vazio no âmbito da formação. Todas as entidades nos merecem um enorme respeito. Vamos estar atentos!”, concluiu.

O mediotejo.net noticiou na terça-feira que a Santa Casa da Misericórdia de Sardoal está a estudar a redução do seu quadro de pessoal e em cima da mesa encontra-se um plano de reestruturação que pode implicar rescisões por mútuo acordo ou um despedimento coletivo. Entretanto, 18 trabalhadores da instituição foram contactados para ficarem “ao corrente da situação financeira” da instituição, disse ao mediotejo.net o provedor Anacleto Batista.

A reunião do presidente da Câmara Municipal com o provedor da Santa Casa está agendada para segunda-feira, 26 de outubro.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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