Sardoal | Preço da água sobe 13% em janeiro com a empresa Tejo Ambiente

É no concelho de Sardoal que o preço da água vai ter um maior aumento, dos seis concelhos que compõem a empresa intermunicipal Tejo Ambiente. Foto: mediotejo.net

Com a empresa intermunicipal Tejo Ambiente a iniciar atividade a 1 de janeiro de 2020, o preço da água vai sofrer oscilações nos seis concelhos aderentes, devido à uniformização dos tarifários. Em Sardoal o preço da água aumenta 13% confirmou ao mediotejo.net o presidente da Câmara, mas existe um compromisso por 15 anos de manter o valor, só oscilando mediante a taxa de inflação. O aumento explica-se porque até agora o Município “financiava” a água para chegar ao consumidor com um valor mais reduzido. 

É no concelho de Sardoal que o preço da água vai ter um maior aumento, dos seis concelhos que compõem a empresa intermunicipal Tejo Ambiente.

“A água vai aumentar cerca de 3 euros para 20 metros cúbicos”, contudo, “está previsto nos estudos, e aprovado, o preço da água não variará nos próximos 15 anos, variando só à taxa de inflação” explicou ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD).

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A partir de janeiro de 2020, a Tejo Ambiente vai gerir os sistemas de água e saneamento básico dos concelhos de Sardoal, Mação, Ourém, Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha. A Tejo Ambiente tem um capital social de 600 mil euros e os municípios de Tomar e de Ourém detêm as maiores participações (com 35,63% e 32,37%, respetivamente), seguido de Mação (10,85%), Ferreira do Zêzere (7,94%), Vila Nova da Barquinha (7,63%) e Sardoal (5,58%).

Segundo a Lei das Finanças Locais “o custo tem de ser imputado ao consumidor final. Se entramos num sistema intermunicipal temos de vender a água ao mesmo preço e é calculado de acordo com um valor final que tem de ser imputado ao consumidor. O custo vai ter de ser certo por isso vai subir, mas 3 euros, ou seja, quem paga 20 euros de fatura de água vai passar a pagar 23 euros”, contabilizou o autarca.

Ou seja, até agora “o custo não era mais elevado porque estávamos a financiar a água aos consumidores”, notou Miguel Borges.

Questionado sobre a reação dos munícipes a este aumento de 13% Miguel Borges responde: “Estamos aqui para tomar medidas fáceis mas as difíceis também têm de ser tomadas. Estes 13% refletem num aumento de 30 euros ano. No entanto, a empresa intermunicipal traz outros benefícios”, assegura.

O investimento previsto é de 124, 3 milhões de euros: 38 milhões nos primeiros 5 anos; 53 milhões no abastecimento de água; 47 milhões em saneamento e 11,2 milhões na recolha de resíduos urbanos.

O Município de Sardoal terá em 2020 “um investimento no valor de 800 mil euros. Fizemos candidaturas de saneamento de 2 milhões de euros, ou seja, vamos melhorar também as condições de vida das pessoas nesta matéria. Sem a empresa não tínhamos escala para o financiamento comunitário. Ninguém ia financiar um sistema só de Sardoal. Os sistemas para serem financiados têm de ser multimunicipais”, frisou o presidente.

Nos municípios, as principais debilidades estão centradas nas redes de água e saneamento a necessitar de renovação; reservatórios a necessitar de remodelação; perdas de água elevadas; infiltrações; manutenção deficiente em alguns ativos e baixa capacidade de investimento.

Notando também a importância das questões ambientais e da sustentabilidade dos recursos hídricos Miguel Borges recusa uma mudança de estratégia e lembra o aumento do preço da água praticado pelo Município “há uns anos”.

“Não estávamos a cumprir a Lei das Finanças Locais. A certa a altura quase todos os municípios davam a água… ecologicamente não é correto. Em termos ambientais é importante que as pessoas percebam que a água tem um custo e é um bem finito. Temos recomendações da ERSAR para atualização dos tarifários. Há auditorias aos tarifários e depois a entidade reguladora faz as suas recomendações. Às vezes temos de alterar. Esta é uma atualização que tem de ser feita. O Município de Sardoal e de Mação são aqueles que vão ter um maior aumento porque são aqueles que vendiam a água mais barata”, notou.

O concelho vizinho de Mação terá um aumento do preço da água de 9%.

O presidente da Câmara garante que com a empresa intermunicipal “não há lucro. Mas não pode haver prejuízo. Sendo certo que vão existir grandes melhorias no sistema. É uma forma mínima de todos colaborarmos com ele. Na maior parte dos consumidores de Sardoal a fatura aumenta pouco mais de um euro”, assegurou.

Com a constituição da empresa Intermunicipal, estão previstos um conjunto de objetivos, em concreto: A redução de perdas de água, de 43% para 18% em 15 anos, prevendo-se uma redução linear das perdas até se atingir 10,6% ao fim de 30 anos; a redução do caudal de efluentes drenados, dos atuais 172%, para cerca de 139% em 15 anos, a quantidade de resíduos a recolher para a reciclagem triplicará linearmente em 30 anos, face ao valor de 2016, a redução da idade média da frota de veículos, dos atuais 17 anos para 8 anos, o que levará à redução de emissões de CO2 e de consumo de combustível, a renovação integral do parque de contentores em cada 10 anos, com um número médio de lavagens de 6 por ano (2 em 2 meses).

A empresa Tejo Ambiente arranca com 147 trabalhadores. A maioria transita dos municípios ou dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, mantendo as mesmas regalias. No caso de Sardoal transitam sete trabalhadores do Município somando a estes mais 12 novos trabalhadores que passam a trabalhar no concelho, deu ainda conta o presidente.

O arranque oficial da empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo está então previsto para o dia 1 de janeiro de 2020.

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