Sardoal | Peregrino alemão permanece nas bombas da Avia até dia 17 de abril

O peregrino alemão tem utilizado os fontanários públicos do Sardoal para a sua higiene básica. Foto: DR

Afinal o peregrino de Santiago de Compostela, que se encontra em Sardoal, vai permanecer nas instalações das antigas bombas de combustível da Avia. É alemão, chegou a Portugal em novembro de 2019 via Ayamonte, com passaporte de peregrino e prefere, por uma questão de “mobilidade” no acesso a bens essenciais, permanecer naquele local até dia 17 de abril, do que ser alojado no Centro de Férias do Codes. O peregrino, que não tem residência fixa, nem na Alemanha nem em Portugal, está a ser acompanhado pelas autoridades.

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Trata-se de um homem de nacionalidade alemã, com mais de 40 anos, peregrino que caminha em direção a Santiago de Compostela (Espanha) e chegou a Sardoal vindo do concelho vizinho, Mação. O percurso foi agora interrompido pela pandemia de covid-19. Contudo, a presença de um estrangeiro na vila tem incomodado alguns sardoalenses por ter pernoitado, nos últimos dias, nas antigas bombas de combustível Avia e ter utilizado os fontanários da vila para a sua higiene pessoal.

Perante tal cenário, e tal como o mediotejo.net noticiou, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, disponibilizou o Centro de Férias do Codes para o acolher, mas o peregrino manifestou às autoridades “vontade” de permanecer nas instalações da Avia, tendo recebido autorização dos responsáveis por aquela antiga bomba de combustível, disse também o presidente.

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Com o caso ainda em avaliação, Miguel Borges disse ontem ao mediotejo.net que no caso do peregrino manifestar vontade de ficar em Sardoal durante o Estado de Emergência iria para o Centro de Férias do Codes, recebendo apoio através da Segurança Social. No entanto, o desfecho acabou por ser diferente, respeitando a vontade do peregrino, que por uma questão de “mobilidade” na aquisição de bens alimentares prefere ficar na vila do que no afastado Campo de Férias do Codes.

Após uma conversa com o peregrino, “um homem simpático e culto que fala espanhol”, o presidente da Câmara e a Guarda Nacional Republicana consideraram “viável” a sua permanência naquele espaço, que recebeu “água da rede” para que possa fazer a sua higiene no local e “todo o apoio que necessitar”, assegurou Miguel Borges.

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O capitão Ferrão da GNR considerou “nulo” o risco que o estrangeiro possa representar para a comunidade sardoalense no contexto da pandemia de covid-19 tendo em conta que entrou em Portugal em novembro de 2019, “antes do início da epidemia na China”, disse ao mediotejo.net.

Esclareceu que a embaixada alemã foi contactada pela GNR no sentido de prestar apoio a este cidadão, mas sem apresentar solução, uma vez que o peregrino “é um errante, não tem residência” na Alemanha, nem em qualquer outro país.

Assim, o peregrino permanecerá nas instalações da Avia até dia 17 de abril, data em que termina o Estado de Emergência, embora pudesse seguir caminho. “Não há nada que o impeça mas entendeu que não faria sentido caminhar enquanto outros têm de ficar em casa”, explicou o presidente da Câmara

No contexto da pandemia, “os planos de contingência preveem situações de vulnerabilidade social, seja um peregrino ou um sem abrigo. Disponibilizamos o Centro de Férias do Codes, preparado para o que for preciso e ainda dispomos da Casa de Função da Câmara, no centro da vila, se por exemplo alguém precisar de ficar em quarentena, como bombeiros ou elementos das forças de segurança”, acrescenta Miguel Borges.

Segundo o autarca, o peregrino “não é obrigado a permanecer no Campo de Férias porque não tem enquadramento, nem pela idade nem por integrar um grupo de risco. Só se fosse uma situação de emergência, e não é”, explica.

Miguel Borges considera uma situação “delicada. São os direitos das pessoas. Desde que não prejudique os outros…”, referiu, garantindo que a Câmara e a GNR vão continuar a acompanhar o caso.

Miguel Borges lembra que “não é a primeira vez que acontece” uma situação desta natureza. “Normalmente são recebidos ou no quartel dos Bombeiros ou na Santa Casa da Misericórdia, mas devido às contingências da pandemia, até porque não sabemos se [os errantes] estão contaminados, não pode ser. Neste momento nem os familiares fazem visitas na Santa Casa da Misericórdia e no quartel dos Bombeiros só entram bombeiros”, explica.

Questionado se o peregrino tem a possibilidade de fazer o teste à covid-19, a resposta foi negativa. “Não há forma de fazer o teste. Se fosse institucionalizado teria de o fazer, caso contrário só por indicação médica”, conclui Miguel Borges.

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