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Sardoal | Pandemia impede festejos da Semana Santa, atividades municipais serão digitais

A poucas semanas do arranque da Semana Santa de Sardoal, que tradicionalmente antecede a Páscoa, evento religioso e cultural que se assume como o mais significativo do concelho, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, admitiu ao mediotejo.net que o cenário pandémico irá impedir a realização dos festejos. A Igreja Católica terá uma uma palavra a dizer no que diz respeito às cerimónias religiosas, mas as atividades municipais terão lugar em plataformas digitais.

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À semelhança do ano passado, as atividades religiosas e não religiosas no âmbito da Semana Santa de Sardoal poderão não ter lugar. Em 2021, considerando a evolução da situação relativa à covid-19, o executivo municipal está a “analisar”, disse ao mediotejo.net o presidente da Câmara, Miguel Borges.

No entanto, a Igreja Católica tem um papel importante. A possibilidade ou não das cerimónias religiosas “condicionará todo o trabalho que costumamos fazer no âmbito do turismo de fé e de religiosidade,  acrescentou referindo-se nomeadamente às procissões e às capelas e igrejas enfeitadas com tapetes de flores que caracterizam a Semana Santa de Sardoal e que envolvem milhares de pessoas e turistas na Páscoa, este ano celebrada a 4 de abril.

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Em 2020, diz Miguel Borges, “fomos apanhados de certa forma desprevenidos, não sabíamos bem o que aí vinha. Este ano sabemos com o que contamos e sabemos qual poderá ser o pior cenário”, ou seja, a continuidade do confinamento e as atividades religiosas “não poderem acontecer como gostaríamos todos”. Uma coisa é certa: não será com certeza como a Páscoa de 2019 e de anos anteriores, assegura.

Sardoal e a Semana Santa: Foto: Paulo Sousa

O presidente nota que, apesar do decréscimo do número de infeções por SARS-CoV-2, os números da Páscoa serão idênticos aos números do ano passado. “Só que este ano estamos numa tendência decrescente e no ano passado estávamos no inicio da pandemia, numa tendência crescente. De qualquer forma são números ainda muito altos para que possamos ter uma Páscoa com toda a normalidade e naturalidade”, considera.

Por isso o executivo municipal optou por planear atividades alternativas. “O Projeto Capela, com os alunos da escola, queremos que se realize também este ano. Outra coisa que estamos a preparar é um concurso de desenhos, maquetas para tapetes de flores, digital. Criamos alternativas também com a Filarmónica União Sardoalense, haverá uma dinâmica diferente daquilo que era há dois anos mas também uma dinâmica diferente daquilo que foi no ano passado”.

Para Miguel Borges esta Páscoa “ainda teremos de ter muito juizinho…. aliás, sempre – até que tenhamos uma imunidade de grupo, o que não acontecerá antes do verão”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

 

Miguel Borges, presidente da CM Sardoal. Foto: mediotejo.net

Sardoal é um concelho de profundas tradições religiosas e de fé. E é no período da Quaresma, da Semana Santa e da Páscoa que elas ganham maior relevo, atraindo turistas que dinamizam a economia local. Também neste caso a pandemia terá um impacto profundo.

“É mau! Muito mau, como tem sido todo este ano, para a nossa pequena economia local, aquela que sobrevive também muito à custa do turismo da Semana Santa. É sempre um bom balão de oxigénio para os nossos restaurantes, cafés… este balão de oxigénio financeiro fica condicionado a esta situação. Infelizmente tem sido o dia a dia deste último ano”, refere, falando em “sofrimento económico, físico, psicológico”.

No entanto, para o autarca importa que “haja contenção, cuidado para que possamos atingir a imunidade de grupo o mais depressa possível, para voltarmos à normalidade”.

Procissão dos Fogaréus, Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

O presidente defende em primeiro lugar “a saúde das pessoas porque precisamos das pessoas para desenvolver a nossa economia, para continuar a ter este património de fé e religiosidade, património imaterial. Para que as pessoas possam continuar a transmitir todos estes séculos de história e cultura” do concelho de Sardoal.

Capela de Nossa Senhora do Carmo, em Sardoal, com os tradicionais tapetes de flores da Semana Santa Foto: mediotejo.net

A Semana Santa é uma das épocas mais bonitas em Sardoal. As capelas e igrejas da vila estão todas abertas e mostram os seus tapetes de flores, cuidadosamente elaborados por grupos de sardoalenses que, ano após ano, criam tapetes à base de flores e verduras naturais, na sua maioria apanhadas no campo, com desenhos alusivos à Semana Santa e à Paixão de Cristo.

A única exceção encontra-se na Igreja Matriz. O retábulo da Capela do Sagrado Coração de Jesus é decorado com trigo germinado no escuro, ficando com uma tonalidade amarela. Decora o altar onde será adorada a hóstia consagrada. Todos os anos a decoração é a mesma.

A Procissão dos Passos do Senhor, celebração que inclui o Sermão do Encontro, na Praça da República, por norma marca o arranque das celebrações da Semana Santa. A Procissão do Senhor da Misericórdia (ou dos Fogaréus) realiza-se na Quinta-feira Santa, num ambiente de escuridão iluminada pela luz de velas e archotes.

A juntar ao cortejo, nas janelas das casas, nas varandas e escadarias do Convento de Santa Maria da Caridade, acendem-se mais de 600 lamparinas. São também expostos durante a Procissão os painéis do século XVIII com cenas da Paixão de Cristo pertencentes à Santa Casa da Misericórdia de Sardoal.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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