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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Sardoal | O jazz de Nova Orleães com Desbundixie no CC Gil Vicente (C/fotos e vídeos)

A IV Edição do Sardoal Jazz abriu com Desbundixie, um grupo composto por sete músicos de Leiria que trouxe até ao quase lotado Centro Cultural Gil Vicente os sons de Nova Orleães e a boa disposição num espetáculo de luz e cor, naquele que foi o primeiro de três dias de festival.

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A lenda viva do jazz, Herbie Hancock, será, aos olhos de muitos, porventura um otimista ao ter dito um dia que “o jazz é a música que melhor expressa o espírito humano. Tem a ver com partilha e não com competição”. Opiniões divergentes à parte, na verdade foi de partilha a primeira noite da IV Edição do Sardoal Jazz.

O concerto de abertura do festival de música jazz, esta sexta-feira, 4 de maio, revelou-se uma homenagem aos históricos que, no início do século XX nasceram nos guetos e comunidades negras em Nova Orleães. A banda Desbundixie reinventou temas tradicionais, tentando reviver o estilo jazzístico denominado de ‘dixieland’, à luz da música norte-americana e à luz, em tons do dourado ao violeta, que iluminou o palco do auditório do Centro Cultural Gil Vicente.

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Os muitos amantes da música, em quase lotação esgotada da sala, viajaram pela história do jazz e da sua génese, sendo esse viagem uma vertente importante para a compreensão de tal estilo. Composto na sua base por sete elementos, o Desbundixie apresenta temas escritos de época, orquestrados por Manuel Sousa (trompete); Flávio Cardoso (clarinete); César Cardoso (saxofone tenor); Ricardo Carreira (trombone); Pedro dos Santos (banjo e voz); Daniel Marques (tuba); e João Maneta (bateria).

Com eles, sempre na onda da boa disposição, ouviu-se uma abordagem ao estilo ‘dixieland’, com uma linguagem específica da banda, marcada pela linguagem de improviso e irreverência que pretende animar a plateia. Vários foram os desafios durante o espetáculo para a dança, sem sucesso, não fosse por uma menina de uns 8 anos que rendida à sonoridade, lá para o fim do concerto, rodopiava em frente ao palco.

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Os sardoalenses não dançaram mas cantaram, com direito a ensaio prévio e pratica à capela. No final do espetáculo os músicos de Leiria foram aplaudidos de pé e eternizaram o momento numa ‘selfie’ de grupo.

E se o grupo Desbundixie tem o objetivo de dar a conhecer este estilo em particular, e fomentar o gosto pelo jazz em geral, considerando o entendimento do estilo como ponto de partida para a adesão do público a tal género musical, por vezes visto de forma tão difusa e elitista, do lado do Município de Sardoal surgiu a vontade de dar resposta a uma lacuna na programação musical da região em duas vertentes distintas.

Por um lado, trazer à região espetáculos de música jazz de elevada qualidade e, por outro lado, apostar na formação de públicos, apresentando concertos e grupos de um estilo musical alternativo.

A expetativa da primeira noite passava muito pela “diversão”, conforme explicou ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Sardoal. Miguel Borges espera que o público durante o festival “aprecie aquilo que vai ver”, sendo certo que o jazz proporcionado pela autarquia apresenta-se como “diferente”. Mas através da música os sardoalenses ficam “enriquecidos” com um género musical que “nem sempre chega ao Interior como deve chegar”.

Segundo o presidente qualquer aposta cultural “é fundamental para o desenvolvimento de uma comunidade”. Miguel Borges explicou que a cultura, para a Câmara Municipal de Sardoal, “faz parte das políticas públicas ao mesmo nível de outras como a saúde, educação ou ação social”. A música é “uma forma de trazermos o mundo ao Sardoal”, sublinhando que os munícipes do concelho são tão portugueses como os portugueses dos grandes centros urbanos que mais facilmente têm acesso à cultura.

O balanço ao fim de quatro anos é “claramente positivo”. O autarca sente que “por vezes as pessoas dizem que não gostam porque não conhecem e nós proporcionámos esse conhecimento às pessoas”, saindo do festival “enriquecidas”.

Do CC Gil Vicente saiu também a garantia que o Sardoal Jazz é para continuar por ser “uma aposta ganha”.

Este sábado a programação continua, no dia 5, o Jardim do Centro Cultural Gil Vicente recebe, às 18h00, Violets Are Blues, uma banda vintage que mistura de forma harmoniosa canções de R&B e 90’s com clássicos modernos encimados por um toque de jazz. À noite, pelas 21h30, sobe ao palco do Centro Cultural Gil Vicente César Cardoso Quarteto. “Interchange”, o mais recente disco do músico, estará em destaque no Sardoal Jazz.

No domingo 6 de maio, o concerto dos LST – Lisboa String Trio encerra o Sardoal Jazz 2018, e acontece às 16h00. Formado por José Peixoto (guitarra clássica), Bernardo Couto (guitarra portuguesa) e Carlos Barreto (contrabaixo), o repertório do grupo é focado no universo da guitarra portuguesa, do fado e do jazz de cores lusitanas.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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