Sardoal | O Chafariz das Três Bicas e a lenda que prende à vila por amores e casamentos

O Chafariz das Três Bicas é uma das sete fontes localizadas em Sardoal, pertencente ao conjunto das 34 fontes que constituem a Rota dos Cântaros e Cantos. Fonte ornamental de 1971 com características férreas da água que fazem com que esta deixe um singular rastro vermelho por onde passa. Reza a tradição que a nascente que alimenta esta fonte surgiu no terramoto de 1755 na margem esquerda da ribeira.

As águas do Sardoal são, desde longa data, afamadas por serem curativas, próprias para diferentes maleitas. Foram procuradas inclusive pela realeza, como a rainha D. Leonor e o rei D. Fernando.

Inicialmente os sardoalenses abasteciam-se nas bicas das nascentes porque a canalização para as fontes públicas no interior da vila apenas teve início nos finais do século XIX, acompanhando a canalização das primeiras cinco casas. Cada metro cúbico custava 80 reis, não podendo o consumo ultrapassar os 5 metros. Só com a melhoria das tubagens e sua ampliação, a água foi sendo levada a praticamente todas as casas.

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Segundos os escritos deixados por Luís Manuel Gonçalves, estudioso da história local, a construção da fonte iniciou em 1790 tendo levado cerca de um ano a ficar concluída, sob a direção do juiz presidente Sebastião Serrão da Mota d’ Albergaria Galhardo. Terá sido, no início, uma nascente muito importante, uma vez que, em 1888, produzia 100 litros de água por minuto.

O povo da vila, apercebendo-se da quantidade de água que da nascente brotava e da sua qualidade terapêutica, canalizou a água e construiu o imponente chafariz que se encontra ao lado da ponte de S. Francisco.

Chafariz das Três Bicas, em Sardoal. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

Uma arquitetura civil enquadrada por elementos arquitetónicos tardo-barrocos com tratamento popular. A canalização foi convenientemente construída de modo a que a água da ribeira não se misturasse com a da nascente, uma vez que a tubagem teria que atravessar a ribeira.

A água é bastante férrea, deixando uma sedimentação avermelhada no local onde corre e tem um sabor bastante intenso a ferro. E sai por três bicas, daí a denominação, sobre uma bacia e desta passa por baixo de um pavimento quadrilongo, lageado e engraçado, caindo posteriormente num tanque de reservatório que serve de bebedouro para animais.

Os sobejos da água do Chafariz das Três Bicas foram, durante décadas, aproveitados para regas das hortas nas proximidades, segundo acórdãos da Câmara Municipal de Sardoal.

A nascente que lhe está na génese, surge segundo a tradição, por ocasião do terramoto de 1755, na margem esquerda da ribeira, em resultado de um abalo de terra que fendeu o rochedo de onde começou a correr.

Conta a lenda que encontrando-se naquele lugar um frade, no momento em que a nascente rebentou, pegou numa pedra e introduziu-a na fenda aberta pelo terramoto que arrasou quase completamente a cidade de Lisboa e ensombrou o País. Por esse motivo a nascente da bica numa mais secou.

 

Chafariz das Três Bicas, em Sardoal. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

Uma outra lenda garante que quem beber pela Bica do Meio fica preso ao Sardoal eternamente, acabando por ali casar. A lenda originou até uma canção que faz parte do cancioneiro popular português. Fica a letra:

Ó Chafariz das Três Bicas
Chafariz de três desejos
De três bocas tão bonitas
Que eu cubro de três beijos

Ó Chafariz de água Santa,
É o ferro o teu gosto
Que me escorre na garganta
Quando me beijas o rosto

Tantos anos sem parar,
Sempre fresca-até de Verão
São três bicas a pingar
Três coisas do coração

Fonte branca-diz a lenda
Quem das três bicas beber,
Recebe amor como prenda,
Dá mais sede de viver

Fui à Fonte das Três Bicas
Pus a mão na lealdade,
Os teus olhos me prenderam
Já não tenho liberdade

O Chafariz das Três Bicas situa-se à entrada da vila, para quem chega vindo da Estrada Nacional 2 chegado à ponte, basta olhar para a esquerda e logo vê um fontanário pintado de branco e azul.

Diga-se que vila de Sardoal, muitas vezes apelidada de “Vila Jardim”, é caracterizada pelo seu casario branco adornado de faixas coloridas, em azul e amarelo, e flores, fazendo lembrar a arquitetura típica da região Alentejana, vai descendo desde o topo da colina onde se situa, com ruas calcetadas com seixos retirados do rio.

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