Sardoal | Município critica faturação da Tejo Ambiente “completamente desajustada”

A faturação apresentados pela empresa Tejo Ambiente está “completamente desajustada”, criticou o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), dando conta de “valores da última faturação, muitíssimo superiores aos valores habituais” manifestando preocupação e dizendo ser uma situação transversal aos seis municípios acionistas da empresa. Também os vereadores do PS manifestaram preocupação com os valores elevados apresentados nas faturas dos munícipes.

A atuação da empresa Tejo Ambiente “não tem corrido como esperado” nestes meses de arranque, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Sardoal. Na última reunião de executivo, na quarta-feira, 4 de novembro, Miguel Borges deu conta de “lapsos operacionais que em muito condicionam a vida dos munícipes de todos os concelhos abrangidos”, incluindo Sardoal. Em particular, “refira-se os valores da última faturação, muitíssimo superiores aos valores habituais”.

Recorda-se que no dia 1 de julho de 2019 o Município de Sardoal, juntamente com os Municípios de Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Vila Nova da Barquinha e Tomar, formalizaram em escritura pública a constituição da Empresa Intermunicipal – Tejo Ambiente.

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Segundo os seis municípios aderentes, esta empresa “foi constituída visando a união de esforços e a racionalização de meios operacionais, através de boas práticas de gestão e economias de escala. Só assim será possível acedermos aos fundos comunitários fundamentais para a renovação dos sistemas de abastecimento de água, águas residuais e resíduos sólidos urbanos”. Esta foi uma decisão aprovada por unanimidade em todos os órgãos autárquicos.

Miguel Borges falou de tarifários “completamente desajustados para cima e para baixo. Conheço um caso de alguém que estava a receber faturas muito abaixo do valor normal e essa pessoa reclamou junto da Tejo Ambiente. A leitura não era feita e depois no último mês, com leitura real, fez com que os valores disparassem. É um disparate, tem de haver consequências!”, afirma. Segundo o presidente, “o problema da faturação está a acontecer nos seis municípios”.

Não descartando as responsabilidades que o Município de Sardoal tem enquanto acionista da empresa, Miguel Borges manifesta “desagrado” que “já foi manifestado por diversas vezes ao conselho de administração e ao diretor executivo, tendo sido solicitada com urgência uma explicação para o sucedido com a faturação e requerida uma rápida regularização das situações que não se encontrem em conformidade”.

Reunião de Câmara de Sardoal através de videoconferência.

Inicialmente estava previsto o arranque da empresa no dia 1 de janeiro deste ano para os seis municípios, mas a transferência dos serviços de água, saneamento e resíduos para a Tejo Ambiente aconteceu apenas a 1 de junho de 2020.

Do lado do Partido Socialista, o vereador Pedro Duque, concordando com o presidente, considerou uma situação preocupante. “É mais do que tempo para esta situação estar regularizada, sendo certo que estas incongruências continuam a verificar-se. A faturação que surge é de acordo com a contagem”, disse.

Mas o vereador do PS colocou outra questão que se prende com a possibilidade de ter uma tarifação acima do que deveria ter sido” devido aos escalões progressivos “podendo ir para valores perto do dobro”, além de causar um impacto no orçamento familiar dos sardoalenses superior ao expectável.

A Tejo Ambiente tem por objetivo “privilegiar relações de confiança e inovação com os respetivos utilizadores, bem como serviços de forma mais eficiente e ambientalmente sustentada”.

A empresa tem um capital social de 600 mil euros e os municípios de Tomar e de Ourém detêm as maiores participações (com 35,63% e 32,37%, respetivamente), seguido de Mação (10,85%), Ferreira do Zêzere (7,94%), Vila Nova da Barquinha (7,63%) e Sardoal (5,58%).

Os municípios de Ourém e Tomar vão receber investimentos nas próximas décadas na ordem dos 33,8 e 33,4 ME, respetivamente, seguindo-se depois Mação (17,7 ME), Ferreira do Zêzere (13,5), Vila Nova da Barquinha (8,7 ME) e Sardoal (5,5 ME).

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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