Sardoal | Memória aos combatentes eternizada em monumento

O concelho de Sardoal integra agora o conjunto de mais de 300 monumentos erguidos a favor da promoção da história, dos valores, dos símbolos nacionais, “de honra aos mortos e dignidade dos vivos”. Na presença do General Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, dos vários Núcleos regionais, inclusivamente de Abrantes, e ainda do Comendador José Arruda, Presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, o jardim da Tapada da Torre recebeu combatentes, familiares e a comunidade em geral para eternizar a memória daqueles que um dia deram de si por Portugal, em guerras que não pediram, mas que acabaram por ser suas, numa cerimónia de homenagem com elementos do Exército português.

Para Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes a nível nacional, este foi um momento dedicado “àqueles que vestiram a farda e se bateram de arma na mão”, seja na Grande Guerra ou na Guerra Colonial/Ultramar. Ainda assim, o dirigente afirmou que não se pretendeu celebrar a guerra, mas sim a paz. “Não somos uma Liga dos Combatentes pela guerra, somos uma Liga dos Combatentes pela paz, porque ninguém odeia mais a guerra do que aqueles que tiveram um dia que a fazer. Nós queremos paz”, reafirmou.

O general reconheceu ainda a importância das Forças Armadas e da sua contribuição para o país, fazendo notar que os “antigos combatentes, olhando a história, não precisamos de analisar ameaças de hoje, para afirmar que as Forças Armadas são aquela organização necessária ao país, porque em termos históricos vai ser quase garantido, é alta a probabilidade, que venham a ser chamadas para, de armas na mão, garantirem que Portugal vai continuar para mais séculos”, uma vez que “assim foi na nossa História do passado”.

PUB

A Liga dos Combatentes existe para manter viva “essa memória” e para que “esses valores, sejam garantidos. E para garantir que aquelas falhas, brechas, onde o Estado não chega para apoiar os combatentes, está uma instituição que apoia essa gente. Este passado deve orgulhar-nos (…) Orgulho do nosso passado e garantia de que está nas nossas mãos o futuro de Portugal”, disse o General Chito Rodrigues.

“Um monumento aos combatentes por Portugal”

Para Miguel Borges, autarca sardoalense, este é um monumento em nome de todos “os que regressaram sãos e salvos, os que tombaram e aqueles que regressaram física e psicologicamente condicionados no seu presente e futuro por um passado de luta, entrega, de uma causa a um país, ao nosso país”.

Durante o seu discurso, o presidente da câmara referiu-se à interpretação do monumento e de cada detalhe que o constitui. Simboliza a esperança no futuro, a sua localização junto à escola “permite que os jovens questionem no presente o passado que não quer ser futuro, permite que não ignoremos factos relevantes da nossa História”.

Pensado e executado pelos serviços técnicos e operacionais do município, o monumento tem uma parede traseira em betão armado, com a esfera armilar, “representando o nosso país, toda a nossa história, na qual foi determinante o papel dos homens combatentes”.

O betão armado, “robusto e resistente, representa a solidez, a estabilidade e a firmeza de Portugal e das suas gentes, simboliza ainda a genuinidade e a diversidade da nossa cultura”, continuou Miguel Borges. Já a esfera armilar “como símbolo dos Descobrimentos, representa toda a grandeza da nossa História, representa o globo, simboliza todos os campos de batalha, onde se bateram os nossos combatentes ao serviço da pátria”.

Por sua vez, a parede da frente, em tijolo, “representa todos os combatentes que lutaram por Portugal. A vertical os que regressaram após o cumprimento da sua missão, e a inclinada os que deram a sua vida. Os tijolos, como elementos basilares da construção, representam cada um dos combatentes que contribuíram para a construção do país que temos hoje. A sua cor vermelha natural simboliza ainda todo o sacrifício a que foram sujeitos os nossos homens e mulheres”.

Por sim, a base feita em pedra, um elemento resistente da natureza, “representa a eternidade da memória, que está na génese deste monumento, a irregularidade do piso significa as adversidades encontradas”, terminou o autarca.

As mulheres e as famílias são também combatentes

O Núcleo Regional de Abrantes da Liga dos Combatentes, na pessoa de Sérgio Augusto de Matos, lembrou as mulheres “que viram partir os seus entes queridos, maridos, noivos, irmãos, pais, netos, e, acima de todos, os seus filhos”, referindo que ninguém sofria como as mulheres e as famílias, reconhecendo-as também como combatentes.

Para o dirigente, este monumento “não apaga a dor dos combatentes e das suas famílias, mas é um permanente reavivar da memória de todos para que tenhamos consciência da necessidade imperativa de evitar a guerra”, sendo também “espaço de respeito e meditação, um espaço vivo e simbólico para a população de Sardoal”, concluiu.

Ao todo, são cerca de 310 monumentos espalhados pelo país, em homenagem aos combatentes que fizeram a Guerra do Ultramar, e 100 monumentos àqueles que caíram na Grande Guerra. Numa altura em que se evocam os 100 anos da partida dos portugueses para França, a caminho da Grande Guerra, Sardoal entra assim para a contagem destes espaços erguidos em prol da memória eterna e da meditação e reconhecimento perante os combatentes portugueses.

PUB

2 COMENTÁRIOS

  1. Com os meus respeitosos cumprimentos, venho por este meio (Como Deficiente das Forças Armadas) mostrar estranheza pelo facto de no texto que é escrito sobre a inauguração do Monumento aos Combatentes do Sardoal não vir inserido o Comendador José Arruda, Presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (uma vez que esteve presente).

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here