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Sardoal | Marchas, cor, gente e boa disposição fizeram a festa no Adro da Igreja Matriz (c/video e fotos)

Entre o Santo António e o São João, sete Marchas não foram a concurso mas desfilaram pelas ruas de Sardoal, desde o Centro Cultural Gil Vicente ao Largo da Igreja Matriz, onde mostram o melhor que sabiam fazer. Dos mais pequenos aos séniores todos cantaram e dançaram coreografias ensaiadas e dirigidas por quem sabe das tradições dos Santos Populares. Não faltaram os arcos, os balões, os fatos coloridos e a Filarmónica União Sardoalense (FUS) que este ano organizou o evento. O mediotejo.net esteve nas Marchas Populares de Sardoal e falou com o presidente da FUS, César Grácio.

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Seis anos depois de retomar em força a tradição dos Santos Populares, as Marchas foram as protagonistas da agenda cultural de Sardoal, no sábado à noite, 16 de junho, que motivaram os sardoalenses a sair à rua e os forasteiros a visitar aquela vila do Ribatejo.

Desfilaram sete marchas no evento, organizado este ano pela Filarmónica União Sardoalense: a própria com duas marchas, uma infantil (da Escola de Música) e outra de adultos (da banda filarmónica); GETAS – Grupo Experimental de Teatro Amador de Sardoal; Universidade Sénior de Sardoal; Companhia do Alegres – Associação de Pais de Escolas do Pego; Baixa da Banheira/Moita – União Desportiva e Cultural banheirense; e Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Santo Antão do Tojal, Loures. Estes três últimas participaram enquanto convidadas num intercâmbio cultural existente entre a FUS e as restantes associações.

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“Todos os anos saímos com as Marchas, no próximo fim-de-semana iremos retribuir a visitar à Baixa da Banheira, seguidamente iremos ao concelho de Loures, a Santo Antão do Tojal. Para realizar este tipo de evento, se não existir intercâmbio é difícil”, garante ao mediotejo.net o presidente da FUS.

A tradição das Marchas populares em Sardoal vem do início dos anos 1980, depois perdeu-se, mas três associações “há cerca de seis anos pegaram na ideia: a FUS, o GETAS e mais tarde o clube desportivo Os Lagartos”, explicou César Grácio. “ De ano para ano temos tentado trazer convidados e dar mais um pouco de qualidade” à festa.

O presidente da Filarmónica União Sardoalense, César Grácio

Na Filarmónica União Sardoalense, Paula Alves é a coreógrafa responsável por “movimentar toda a estrutura de crianças e adultos, nos ensaios”. Sendo uma banda filarmónica, a composição musical é o mais fácil. Nas letras, a FUS conta com a criatividade de Fátima Lobato.

Além de mudar o local para a apresentação das Marchas, a novidade este ano passa pela organização do evento. As coletividades sardoalenses envolvidas decidiram alterar “a organização, até aqui conjunta, para  individual, sendo cada ano uma coletividade responsável pela festa”. 2018 calhou à FUS, 2019 será a vez dos GETAS. Um evento trabalhoso que “movimenta cerca de 270 pessoas, incluindo a parte logística” explica.

César Grácio manifesta o “orgulho pela associação à qual nos entregamos de alma e coração” mas em particular pelo guarda-roupa que cada um dos marchantes veste, desenhados e elaborados de raiz desde o corte dos tecidos, aplicações e moldes.

“Este ano introduzimos outra novidade que passou por envolver os marchantes na execução do seu fato, todo costurado manualmente, desde a saia com flores aos coletes com estrelas”. Em 12 saias e 12 coletes uma média de 30 mil flores/estelas cortadas e aplicadas à mão. “Um trabalho que leva imenso tempo, falamos de cerca de duas mil flores por saia e 500 estrelas e pérolas por colete, de trabalho voluntário “com gosto que não cansa”, assegura César Grácio.

Fala de uma agenda “tremenda” da FUS, com eventos quase todos os fins-de-semana. “E quando não temos nada, fazemos questão de arranjar qualquer coisa para nos comprometermos”, diz a rir.

A FUS conta com cerca de 40 elementos e o presidente aponta como maior dificuldade “a deslocalização dos nossos músicos para fora” de Sardoal. “Vão estudar, ficam a trabalhar e verifica-se um deslocamento para o litoral e também para a capital. Por lá ficam, casam, têm filhos e a disponibilidade para vir à terra é muito menor”, constata.

Como solução, a FUS encontrou na “Escola de Música” um instrumento no sentido de “formar músicos mais cedo para que tenham mais anos de banda”. Ou seja, “um músico em vez de começar a tocar na banda aos 13 anos, inicia aos 8 ou aos 9 com um tempo útil enquanto músicos com total disponibilidade muito maior, até aos 18 anos, quando vão embora”, refere.

O processo de constituição da Escola de Música foi iniciado em setembro de 2017 e “está a resultar!” afirma César. “Com uma formação musical mais intensiva e no final de 2018, em dezembro, temos perspetiva de entrada de 13 novos músicos”. Obrigando, esta medida, a “alguns ajustes na filarmónica acolhendo os alunos da Escola de Música num dos dois ensaios semanais, que decorrem à sexta e sábado, onde os músicos mais velhos, naquele ensaio, têm a função de apoiar os mais novos” com o objetivo de “uma evolução mais rápida”, observa.

A Escola da Filarmónica marchou assim ao som da canção “A escola da FUS no seu encanto”, seguida da Universidade Sénior de Sardoal que se apresentou pela segunda vez nas marchas populares com “A marcha dos foliões”. A terceira marchante chegou dos Companheiros da Alegria do Pego ao som de “A marcha pegacha”; seguida da Baixa da Banheira com “A marcha da vindima”.

Marchas populares no Adro da Igreja Matriz em Sardoal. Miguel Borges, César Grácio e Miguel Alves com Paula Alves. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

A marcha da FUS, depois do Pego, decidiu incluir os incêndios na sua temática musical no sentido de chamar a atenção para o problema tendo em conta que, segundo as entidades oficiais, Sardoal é um dos 20 concelhos do País em perigo, caso as condições atmosféricas de revelem semelhantes a 2017, com “FUS num Sardoal de boas gentes”.

A sexta marcha chegou de Santo Antão do Tojal com um tema sobre o olival e o histórico património local na “Ser da marcha” e “Alma Saloia”. Por último, o GETAS escolheu elogiar as personagens do teatro trajando na marcha com guarda-roupa usado em várias peças de teatro.

Comprovou-se uma afluência maior de pessoas nas ruas da vila — para ver mais de 250 pessoas a marchar e festejar no arraial da FUS que decorreu junto da sede da Filarmónica com petiscos e bebidas.

Marchas populares no Adro da Igreja Matriz em Sardoal. Paula Alves. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

Presentes o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, e o presidente da Junta de Freguesia de Sardoal, Miguel Alves, para dar as boas vindas às marchas convidadas dizendo que “em Sardoal ninguém é de fora” e também para entregar uma prenda de reconhecimento a Paula Alves, da parte de Filarmónica União Sardoalense.

Sardoal | Marchas populares desfilam esta noite pelas ruas da vila e executam uma apresentação no adro da Igreja Matriz.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 16 de Junho de 2018

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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