Quinta-feira, Março 4, 2021
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Sardoal | Igreja Matriz em risco de ver recusado financiamento por causa da data da candidatura

É quase certo que ainda não é desta que a Igreja Matriz de Sardoal vê financiamento público aprovado para a sua requalificação. A necessitar de obras urgentes, a Fábrica da Igreja candidatou-se ao Programa Valorizar com um projeto próprio mas com apoio técnico e de operacionalização da Câmara Municipal de Sardoal, as pode acontecer que a candidatura não seja aprovada por ter sido submetida depois do dia 27 de novembro. Miguel Borges fala agora numa terceira possibilidade.

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Segundo a Secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, “está difícil” a candidatura da Fábrica da Igreja Paroquial da freguesia de Sardoal ser aprovada. Isto porque embora a candidatura tenha entrado dentro do prazo, a sua submissão aconteceu no dia 29 de novembro de 2019, e segundo o regulamento a avaliação de mérito é feita por ordem de entrada, ou de submissão da candidatura. Ou seja, todas as candidaturas que deram entrada após o dia 27 de novembro podem não ser consideradas ilegíveis.

Já em abril de 2019, durante a habitual visita às capelas e igrejas pela Semana Santa, o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, alertava para a necessidade de obras urgentes na Igreja Matriz, nomeadamente por causa de infiltrações. A Fábrica da Igreja havia concorrido ao Programa “Valorizar”, no âmbito da requalificação da Igreja Matriz, candidatura que acabou rejeitado pela Secretaria de Estado do Turismo por considerar não ser património do interesse turístico nacional.

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Visita da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Igreja Matriz de Sardoal. Créditos: CMS

O templo é o elemento patrimonial mais importante do concelho. Foi construída nos finais do século XIV ou século XV. Possui elementos de várias épocas, Gótico, Renascimento, Barroco até ao Neoclássico. Do século XVI os elementos mais importantes são seguramente as tábuas do Mestre do Sardoal. O altar-mor em talha dourada, do período Barroco Joanino, e os painéis de azulejos de Gabriel del Barco são outros elementos a destacar.

Na semana Santa de 2019, o presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, garantiu que haveria lugar a outra candidatura, o que acabou por suceder. Contudo, embora ainda em fase de resolução e se aguarde pela decisão oficial, Rita Marques disse, aquando de uma visita à Igreja Matriz de Sardoal no início deste mês, ser pouco provável que também desta vez tenha sucesso por causa da data da submissão. Miguel Borges fala agora numa terceira possibilidade.

Questionado pelo mediotejo.net sobre a visita da secretária de Estado de Turismo a Sardoal, nomeadamente à Igreja Matriz, o presidente da Câmara disse que o interesse passava pela perceção dos decisores políticos “da necessidade urgente da requalificação de um património que apesar de estar nas mãos de instituições ou de particulares é do interesse de todos”.

Miguel Borges lembra que “a riqueza da Igreja Matriz de Sardoal é histórica, cultural, que é pertença da Diocese mas o interessado na sua preservação é o próprio Estado”, considerou, referindo os quadros do Mestre do Sardoal.

“A prioridade da Santa Casa da Misericórdia não é recuperar edifícios, sendo certo que tem de os recuperar, mas entre deixar de fazer um trabalho social e recuperar o pórtico da Igreja da Misericórdia, que também está a precisar de intervenção, é claro que vai dar apoio aos necessitados”, acrescenta.

Visita da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Igreja Matriz de Sardoal. Créditos: CMS

No caso da Igreja Matriz o autarca aponta o dedo à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, comparando com o Alentejo e com os Investimentos Territoriais Integrados que “permitem a candidaturas para recuperação de património que não seja nacional e a CCDR Centro optou por eleger património nacional”.

Assim, a Fábrica da Igreja candidatou-se novamente ao programa “Valorizar” na tentativa de recuperar o património mas desta vez “não numa lógica de salvaguarda do património mas numa lógica do interesse que tem para o desenvolvimento económico da nossa região, que faz parte do nosso plano estratégico do Turismo. Outra visão”, nota Miguel Borges.

Trata-se de uma candidatura no valor de 392 mil euros para conservação e restauro do património artístico e reabilitação da cobertura e da fachada da Igreja Matriz, com fim turístico. Para este aviso, e segundo a secretária de Estado do Turismo, foram submetidas 352 candidaturas para o concurso que terminou no final de novembro, com uma dotação orçamental no valor de 10 milhões de euros, e uma solicitação de 100 milhões de euros de financiamento.

“O valor disponível é muito inferior ao valor solicitado por todas as candidaturas submetidas mas como falamos na Igreja temos de ter fé”, diz Miguel Borges, admitindo que a candidatura pode não ser aprovada, muito por causa “da data de entrada da candidatura”.

Visita da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, à Igreja Matriz de Sardoal. Créditos: CMS

No caso de ver recusada, novamente, a candidatura para a Igreja Matriz, a Fábrica da Igreja terá uma terceira oportunidade. Rita Marques “disse que vai abrir uma nova linha de financiamento e então seremos dos primeiros a dar entrada” com a candidatura, observa Miguel Borges, vincando que o projeto não é da Câmara Municipal.

A secretária de Estado do Turismo anunciou “um reforço” orçamental da linha de financiamento do Programa Valorizar, passando a ter o concurso uma dotação de 20 milhões de euros.

O Município submeteu ainda ao Programa Valorizar uma candidatura para a construção de um parque de autocaravanas. “Também estamos a aguardar a resposta. Neste momento há um conjunto de questões de esclarecimentos que nos foram colocadas e dos quais estamos a tratar”, conclui Miguel Borges.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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