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Sábado, Outubro 16, 2021

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Sardoal | Freião voltou a receber a grande festa do hipismo (c/fotos e vídeo)

A edição deste ano das festas de Sardoal terminou, após 4 dias de atividades culturais, concertos, mostra de artesanato e produtos regionais. Mas a folia não se fez só no centro da vila. Em mais um ano, e após 15 anos de história, o Festival Hípico organizado pela Associação Recreativa da Presa voltou a acontecer, sob vigia do emblemático Eucalipto Grosso, e com cerca de 113 conjuntos a participar ao longo de um dia em cheio. O mediotejo.net quis saber mais sobre esta que é já uma tradição do certame sardoalense, e foi assistir na primeira fila a esta pequena mostra de arte equestre.

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A manhã começou com sessões de volteio e iniciação aos andamentos a cavalo, essencialmente dirigido a crianças. Cerca das 11h00 a movimentação já era muita, e o público começava a chegar para assistir lá do alto do Freião ou à sombra das árvores circundantes.

O relinchar dos cavalos acompanhava o seu trote e galope entre o campo de treino e a pista de prova. Miúdos e graúdos desta arte, preparavam-se para aproveitar mais um domingo acompanhados das suas montadas.

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Em conversa com Jorge Gaspar, vice-presidente da Câmara de Sardoal, descobrimos que esta modalidade lhe é muito cara, tendo saído do Exército enquanto Tenente Coronel de Cavalaria para ingressar na vida política e, a certa altura, devido a uma queda aparatosa, magoou uma vértebra e teve de deixar a prática da modalidade de lado.

Porém, enquanto dirigente associativo, membro da Associação Recreativa da Presa (ARP), na freguesia de Alcaravela, Jorge Gaspar encontrou uma oportunidade de fazer valer a sua paixão pelo hipismo ao mesmo tempo que ajudaria a dinamizar a associação. Explicou que em 2002, depois do apelo da Câmara junto das coletividades, foi proposto pela ARP um Festival Hípico, enquanto atividade complementar nas festas do concelho de 2003, que se realizam sempre em setembro, uma vez que dia 22 é feriado municipal no Sardoal.

A Associação, consciente do elevado custo e risco que um evento desta envergadura acarretaria, começou a busca por apoios, consolidando a proposta a ser apresentada à autarquia.

Assim, com aprovação do executivo, surge a 21 de setembro de 2003 o I Festival Hípico de Sardoal. Tendo por objetivo enriquecer as festas do concelho, mas também contribuir para o desenvolvimento sociocultural e turismo do mesmo, pretende-se fomentar o gosto pela prática da modalidade, e trazer mais gente ao concelho, que por ser entendida na matéria, acaba por proporcionar um espetáculo ao vivo e a cores para quem opta por assistir.

Jorge Gaspar, também diretor do concurso, explicou ao mediotejo.net que o festival tem “dois grandes objetivos”, que passam por “ajudar na dinamização da equitação na nossa região, uma modalidade que me é muito cara, a mim e à Associação à qual pertenço” e “proporcionar a quem visita durante as festas, sardoalenses e não só, este espetáculo que é muito bonito de se ver ao vivo, é uma modalidade que na televisão não é assim tão bonita para quem não entende, porque é muito técnica, mas ao vivo é extremamente bonita e vale a pena vir ao festival para assistir às provas”, disse.

Em termos de organização do evento, que se iniciou cerca das 10 da manhã, este divide-se em três momentos de competição/ provas de obstáculos: prova pequena, média e grande, que variam pela dificuldade no salto de obstáculos consoante a sua altura. No primeiro caso nas classes de 30 cm e 50 cm, falamos das provas de Escolas, “quer para os cavaleiros que estão a iniciar, quer para os cavalos que estão a iniciar nesta modalidade”. Segue-se depois a Prova Média, na classe de 1 metro.

Ao longo do festival a dificuldade foi crescendo, como é hábito no programa, mas cresce também a “espetacularidade”, afirmou Jorge Gaspar, acrescentando que “tecnicamente são muito mais exigentes”, esperando já o aumento de público durante a tarde.

“São cavaleiros de renome nacional e internacional a competir aqui no Sardoal, e já tem que saber montar muito bem a cavalo para fazer estas provas, em particular a prova-rainha, que é a Prova Grande”, numa classe de 1,1 metros.

O júri de terreno foi composto pelo Tenente Coronel de Cavalaria Aníbal Marianito, tendo como vogal Gonçalo Pita. A direção de campo foi integrada pelo Major de Cavalaria Jorge Santos, com o Sargente Chefe de Cavalaria Luís Sénica enquanto adjunto, sendo ainda assegurada assistência médica (Paulo Marçal) e assistência veterinária (Major Médico Veterinário Ricardo Matos), bem como assistência siderotécnica. Os Bombeiros Municipais de Sardoal asseguraram o serviço de ambulância e primeiros socorros.

No que toca à atribuição de prémios, a Associação Recreativa da Presa, sendo associação sem fins lucrativos, privilegia desde o início do festival a oferta de material para o cavalo. “O essencial é a pedagogia, é o gosto pela equitação, e nós para que não caíssemos no erro de o festival se transformar numa prova pura e simples de competição, os prémios que damos são em termos de material, e dentro destes aqueles que mais se destinam ao conforto do cavalo. Porque o cavaleiro é importante, mas muito mais importante é o cavalo, no nosso entendimento”, assumiu, considerando que fora a “opção certa” uma vez que tem resultado.

Algo que segundo apurou o mediotejo.net ronda os cerca de 3 mil euros de investimento, sendo atribuídos desde o mais simples laço e troféu de acrílico, ao xairel, guia, polainas, proteção de dorso, cobrejão, e nas provas Média e Grande ainda acresce ao material valores monetários entre os 30 e os 180 euros, entre primeiro e quinto classificado.

Recordando o facto de estarem, nesta altura do ano, a decorrer outras provas, nomeadamente a contar para o Campeonato Nacional, Jorge Gaspar mostrou-se entusiasmado pelo facto de estarem tantos participantes em Sardoal, durante o passado domingo.

“Os professores deixam de participar nessas provas, para estarem aqui com os seus alunos. Isso é muito gratificante, e faz com que nos sintamos muito orgulhosos, porque é esse o objetivo. Eles preferiram estar aqui com as famílias e os miúdos, a custos mais reduzidos, porque são da região, do que ir para longe, eles próprios concursar, e deixando os miúdos em casa”, destacou, claramente agradado.

Quinze anos passados, quinze edições já realizadas. E todos os anos fica um “até para o ano”, que segundo Jorge Gaspar, é sempre meio intermitente, pois só acontecerá se a situação financeira da coletividade organizadora o continuar a permitir.

“A ARP é uma associação muito pequena, temos atividades muito grandiosas, mas é muito pequena”, fez notar, risonho. “Este tipo de inciativas, em termos de logística, é qualquer coisa de muito grande e nós precisamos de muitos apoios para fazer isto. Damos todo o nosso trabalho, se calhar muita gente com estes apoios não o faria, mas dedicamo-nos mesmo muito a isto. Sai-nos do corpo, mas dependemos, na verdade, totalmente dos apoios”, indicou, enumerando os parceiros maiores do evento, como sendo o Município de Sardoal, a Tagus – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, Regimento de Apoio Militar de Emergência, que cede material, além de instrutor e cavalo para as sessões de volteio e iniciação, bem como a construtora sardoalense que é dona do terreno do Freião onde se realiza o festival, e que o tem cedido para o efeito.

O número de participantes tem vindo a aumentar desde a primeira edição, sendo que em 2003 participaram 40 conjuntos e atualmente mantém-se cerca de uma centena. Quanto à assistência, largas centenas vêem aplaudir e assistir, quer sejam entendidos na matéria ou meros curiosos e apreciadores da modalidade, estacionando ali perto, ou deixando-se estar junto ao bar, com os típicos comes e bebes para ajudar a uma tarde bem passada.

A décima quinta edição terminou, restando agora a expetativa de uma próxima edição, contando com os habituais apoios que tornam viável a sua realização. Com direito a dia de verão em início de outono, o festival decorreu com normalidade, destacando-se o mérito dos cavaleiros e respetivas montadas, neste que é já considerado o expoente máximo do fecho das Festas do Concelho de Sardoal.

 

 

 

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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