Sardoal | Executivo refletiu sobre falta de médicos, hortas comunitárias e consciência ambiental

Foto DR

A falta de médicos, a ideia para implementação de hipotético projeto de hortas comunitárias na vila e o descuido e falta de consciência cívica e ecológica da população no que toca ao depósito de lixo urbano nos contentores foram alguns temas que marcaram um longo (e até atípico) período de reflexão entre os membros do executivo camarário em plena reunião de Câmara, nesta quarta-feira à tarde, no período que antecedeu a ordem do dia.

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Na sessão, onde ficou também definido que, em dias de reunião camarária, os vereadores de oposição terão direito a usufruir do próprio Salão Nobre ou outro espaço disponível, para atender a população na hora que antecede a realização da sessão (das 14h00 às 15h00), os vereadores socialistas, Pedro Duque e Carlos Duarte, questionaram sobre ponto de situação quanto aos médicos de família no concelho.

Neste ponto, Miguel Borges (PSD), presidente da Câmara, referiu que estão, atualmente, três médicos em serviço no Centro de Saúde da vila, mas ainda assim, o autarca considera que este número é “insuficiente”.

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“A realidade é que agora temos três médicos, mas na verdade não estamos satisfeitos, porque a resposta que tem estado a ser dada aos sardoalenses não está ainda no ponto em que gostaríamos que estivesse”, assumiu o presidente de Câmara.

De todo o modo, Miguel Borges garantiu que existe articulação entre a autarquia e o presidente do Centro de Saúde de Sardoal, bem como a diretora do ACES do Médio Tejo.

“Estamos todos a tentar resolver este problema, mas não é um problema que se resolva com toques de mágica, não é fácil, mas tem uma grande carga de decisão política e devia haver aqui um maior empenho por parte dos nossos decisores políticos em encontrar um conjunto de regras ou obrigatoriedades para que se possam fixar médicos no Interior”, justificou, acrescentando que, por inúmeras vezes, já apresentou propostas concretas em sede própria sobre estas medidas que, entende, devem ser implementadas, até ao próprio Presidente da República.

“Não consigo entender como é que o próprio Estado permite que um médico, depois da sua formação, no dia seguinte, possa ir em exclusividade para a rede privada ou possa ir para o estrangeiro. Os últimos dados que obtive, há cerca de um ano, apontava para 11 mil médicos na rede privada e cerca de 3 mil no estrangeiro”, referiu.

Sublinhando que estes profissionais são formados com dinheiro “de todos os nossos impostos”, o autarca reconhece que seria razoável “se houvesse um período entre 2 a 5 anos, um período transitório de excecionalidade por necessidade nacional, em que obrigatoriamente os médicos tinham que cumprir esse serviço dentro da função pública, e depois então seguiriam à sua vida conforme entendessem”, explicou, aludindo a um serviço mais antigo, idêntico a esta sua proposta, que há cerca de 40 anos obrigava os médicos a permanecerem na província durante certo período de tempo na sua carreira.

Hortas comunitárias na vila: sim ou não?

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Pedro Duque, vereador eleito pelo PS, apresentou durante a sua intervenção no período antes da ordem do dia a ideia de implementar um projeto de hortas comunitárias ou conceito similar na zona urbana de Sardoal, que viessem servir a população.

“Existem alguns reservatórios de água, pertencentes ao sistema anterior ao qual dispomos agora, e pedia que o senhor Presidente tentasse apurar qual o ponto de situação quanto à operacionalidade e quanto à efetiva capacidade de retenção de água dos depósitos da zona urbana”, disse, durante a sua intervenção, o vereador socialista, referindo-se como exemplo ao depósito da zona mais alta da vila, perto da Santa Casa da Misericórdia, sublinhando que o PS só apresentará uma proposta concreta quando estiver apurada a sua “exequibilidade”, no sentido de, utilizando esses mecanismos, se poder servir esse projeto sem gasto de água da rede.

Para Miguel Borges, presidente da CMS, esta é “uma ideia interessante” e que poderá até servir para casais jovens, uma vez que os sardoalenses têm as suas hortas e terrenos, “mas não tenho absolutamente nada contra, temos é que encontrar o espaço ideal para, com um conjunto de regras, podermos disponibilizar esse espaço para que as pessoas o possam cultivar”.

“É uma ideia, e o que ficou acordado é que, em conjunto, possamos materializar esta ideia numa proposta que possa legalmente ser apresentada”, deu a entender o autarca, mencionando que é necessário ter noção do espaço e do regulamento para avançar com a proposta efetiva deste projeto.

Sujidade e mau cheiro constantes nos contentores do lixo leva autarquia a preparar ação de sensibilização

Já tem marcado algumas sessões, nomeadamente de Assembleia Municipal com intervenção do público que se queixa do acumular de resíduos junto dos contentores do lixo, dos maus cheiros e sujidade nos próprios contentores. O vereador Carlos Duarte (PS) trouxe de novo o tema a discussão, tentando saber se a Câmara já havia pensado formular uma campanha de sensibilização junto da comunidade para travar este comportamento, que acaba por também afetar a saúde pública.

Miguel Borges (PSD) referiu que, no verão passado a autarquia gastou cerca de 7 mil euros em lavagem de contentores no concelho, precisamente porque as pessoas, devido às políticas ecológicas que começaram a travar o consumo de sacos de plástico, estimulando a reutilização de outros mais duradouros, começaram a depositar os resíduos sem estes estarem acondicionados.

“As pessoas têm de perceber que há regras para depositarem lixo nos contentores. Não é sustentável da maneira que está a ser… Uma boa limpeza dos contentores é muito cara, não é admissível que isto se faça mensalmente ou de dois em dois meses, nem, na pior das hipóteses, uma vez por ano, nesse intermédio as pessoas têm de ter cuidados, têm que ser elas próprias também a saber utilizar os resíduos sólidos urbanos, de forma a depositá-los nas melhores condições para que não aumente os maus cheiros e pôr em risco até a própria saúde pública”, explicou o autarca, assumindo ainda que “muitas vezes existem pessoas que despejam diretamente o balde do lixo dentro do contentor, sem aquela regra de colocar num saco, devidamente fechado”.

Nesse sentido, a solução passa por sensibilizar a população, e para tal os serviços da autarquia, nomeadamente da área do Design, está a construir uma campanha de sensibilização “para que as pessoas depositem nos contentores o lixo da melhor forma, e que façam a separação dos resíduos, para que possamos também tornar o nosso planeta sustentável”.

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