Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Sardoal | Executivo e oposição juntos na vontade de fazer da Lapa praia fluvial

O Partido Socialista (PS) de Sardoal, através do vereador Carlos Duarte, manifestou vontade, na reunião de executivo de quarta-feira, de “dar visibilidade ao concelho através da Barragem da Lapa” tendo afirmado que, no verão, “qualquer habitante de Sardoal tem de sair do concelho para ter uma atividade de lazer numa praia fluvial”. Refere que “esse ponto de referência não existe” e quis saber qual o ponto de situação relativamente ao projeto existente para o lugar da Lapa que integrava também a escola primária de Cabeça das Mós. O social democrata Miguel Borges, presidente da autarquia, concorda com os vereadores do PS, mas diz que “uma coisa é concordar outra é poder fazer”. Adianta, no entanto, já ter sido submetida a candidatura para a escola primária da Cabeça das Mós.

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A vontade de requalificar a Barragem da Lapa transformando-a numa zona de lazer com praia fluvial integrada não é apenas dos vereadores do Partido Socialista, segundo afirmou o presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges (PSD) na última reunião de Executivo, mas sublinha, à semelhança do que tem vindo a referir durante o último mandato e também no atual, que os problemas persistem até que “o destino a dar à água volte ao município”.

Só aí, nesse cenário, “existirão condições para atribuir a água não só para consumo humano mas também para lazer”, afirmou.

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No entanto, Miguel Borges deu conta de ter sido submetida candidatura para a recuperação da escola primária de Cabeça das Mós. “Um dos pontos essenciais para o desenvolvimento daquela zona. É aguardar!”.

Há meses que a autarquia trabalha numa candidatura para implementação de um projeto de “fins turísticos” na antiga escola primária da aldeia de Cabeça das Mós, potenciando a sua preservação e devolvendo aquele edifício à comunidade enquanto novo equipamento. A ideia é que aquele espaço possa servir de apoio também à estratégia municipal no âmbito dos percursos pedestres e de BTT, junto à Barragem da Lapa.

Segundo explicação do presidente, este projeto não será efetivamente um espaço de alojamento local, mas sim, uma “estação ou espaço de apoio” para os visitantes e praticantes de modalidades ligadas à natureza, como o BTT, trail, caminhada, e que se configure como um local que “possa ser ponto de partida, onde se possa fazer uma refeição, com um bar de apoio, uma loja de comercialização de produtos locais”, exemplificou.

Em relação à Lapa, Miguel Borges deu conta de duas questões distintas: “na parte de baixo, tendo em conta a legislação neste momento, não vale a pena fazer lá seja o que for, por causa da classificação da Barragem”.

As barragens são classificadas de acordo com o impacto que provoca a onda de cheia numa situação de rutura, portanto “tudo o que seja um bar, um parque aquático, um equipamento público, uma aldeia, o número de habitantes que supostamente possam ser afetados por essa onda de cheia implica na classificação da barragem” explica Miguel Borges, que “gostaria” que a Barragem da Lapa “nunca tivesse sido feita”, nota.

Reunião de CM de Sardoal

Na época, para o abastecimento de água, “tínhamos a de Castelo de Bode e aquilo que é a solução de hoje através de Cabeça Gorda. Eram outros tempos, infelizmente não houve racionalização de custos, e isso paga-se!”, afirmou.

Ora, ao instalar qualquer tipo de equipamento na parte de baixo da Barragem “implicaria que fosse classificada de classe 1, o que implica um conjunto de obrigações que não nos interessa, a mesma que tem a Barragem do Alqueva ou de Castelo de Bode: monitorização permanente 24 horas, vigilância permanente 24 horas, ou seja custos insuportáveis para o município”, assegura.

Ainda assim, o presidente garante que a Câmara Municipal está a trabalhar no sentido de requalificar “a parte de cima” da Barragem quando as Águas de Lisboa e Vale do Tejo entregarem a gestão da Barragem ao município de Sardoal, um processo a decorrer.

“No dia que seja resolvida esta situação pedimos alteração da classificação da albufeira que está para consumo humano, para que possa incluir equipamentos de lazer”, referiu, dando destaque à zona da Palhota e à antiga azenha.

Miguel Borges recorda o momento de transição da empresa das Águas do Cento para as Águas de Lisboa e dos respetivos equipamentos.“A Barragem da Lapa desaparece nesta transição e só podemos resolver o problema, as duas entidades em conjunto, quando o concedente Estado fizer uma adenda ao contrato para incluir a Barragem da Lapa”, um processo que decorre desde março.

Miguel Borges adiantou já ter sido contactado por um empresário para colocar bungalows na Lapa. “Tem essa potencialidade”, frisou, destacando também o investimento da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia na zona de lazer de Rosa Mana, em Alcaravela.

A Barragem da Lapa entrou em funcionamento em dezembro de 2002 sendo o equipamento para abastecimento de água à população do concelho, inaugurado pelo então ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Isaltino Morais, do Governo de Durão Barroso.

Uma obra que custou cerca de 5 milhões de euros, financiados em 55 por cento pelo FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) 30 por cento pelo Instituto da Água e 15 por cento pela autarquia. Na época era presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Fernando Moleirinho, do PSD.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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