Sardoal | Dia do Veganismo celebrado com caldeirada de cogumelos inspirada na EN2

Sabe-se que a Estrada Nacional 2 é a maior da Europa e provavelmente um dos melhores exemplos nacionais para quem, em modo turista, queira percorrer o País de lés-a-lés, atravessando o seu interior e apreciando, por exemplo a gastronomia dos territórios. Foi nesse mundo rural que Léa Gonçalves se inspirou para a escolha de ingredientes, frescos, naturais e com uma forte ligação à terra. Com eles criou a caldeirada vegana de cogumelos e outras iguarias sem produtos de origem animal. Receitas que partilha num blog que o mediotejo.net destaca neste Dia Mundial do Veganismo, assinalado a 1 de novembro.

Léa Gonçalves nasceu em França onde morou até aos seis anos, mas as suas raízes fortaleceram-se em São Miguel do Rio Torto. Viver em Sardoal é uma escolha com sete anos, vila onde abundam os citrinos nos quintais das casas que acabaram por batizar o seu mais recente projeto. O seu gosto pela cozinha levou-a a idealizar ter um restaurante vegan, uma prática que ela própria segue e que acabou por dotá-la de ferramentas que foram úteis no desenvolvimento do seu blog de receitas veganas, o Dona Clementina Vegan, criado durante a pandemia e que começa agora a conquistar os portugueses.

Léa partilha “receitas fáceis, simples, rápidas na confeção e saborosas”, no fundo uma mistura de experiências e de aprendizagem, revelando o que sabe sobre “um estilo de vida” aliado à alimentação sem produtos de origem animal. Para o Dia Mundial do Veganismo, preparou uma caldeirada vegana de cogumelos inspirada na Estrada Nacional 2 que atravessa Sardoal.

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Caldeirada vegan de cogumelos inspirada na Estrada Nacional 2. Créditos: DR

Ultimamente “muito se tem falado na mítica EN2, este verão foi um sucesso, e lembrei-me de criar uma receita com produtos da terra” como os cogumelos, as batatas, os pimentos ou as cebolas, como principais ingredientes. Léa assegura que para ser vegan “não temos de deixar de comer a comida tradicional portuguesa. Consegue-se fazer muito parecido e criar pratos e também chouriços ou alheiras com os temperos tradicionais”.

Exemplo disso são as tradicionais broas fervidas, típicas do Ribatejo que se comem particularmente nesta época, uma vez que o dia 1 de novembro é também Dia de Todos os Santos. Na receita de Léa o mel é substituído por xarope de agave.

Outra tradição, desta vez importada, a que o blog dá especial destaque este fim-de-semana é o Halloween onde se pode encontrar um empadão cheio de aranhas e sangue de… beterraba, ou uma simples sopa de abóbora. A responsável pela criatividade é a sua filha de cinco anos.

Embora, na alimentação da filha, Léa diz não necessitar de “esforço criativo” porque “está muito habituada, desde sempre. Gosta, e como são receitas saborosas, tanto para crianças como para adultos, não tenho qualquer dificuldade”.

Empadão de aranhas, receita que pode encontrar no blog Dona Clementina Vegan. Créditos: DR

O Dona Clementina Vegan “surgiu em maio deste ano, em plena pandemia” mas este percurso que culminou na partilha do seu conhecimento atual e das melhores combinações de ingredientes, das receitas que integram a sua ementa e da sua família “começou há um ano quando decidi que queria abria um restaurante vegan ou em Abrantes ou em Sardoal”, conta ao mediotejo.net.

Durante vários meses Léa Gonçalves procurou um espaço mas sem sucesso, os que encontrava necessitavam de “muitas obras e não queria investir” na reabilitação do espaço. “Quando a pandemia chegou em março desisti de procurar”.

Nesse momento decidiu criar um blog “com as receitas que ia confecionar no restaurante” ou seja, “divulgar a comida mas de outra forma”. O seu principal objetivo passa por “desmistificar a ideia que a maioria das pessoas tem sobre a alimentação vegetariana e vegan, pensando que só se come alface ou saladas. Não é nada disso! A alimentação vegan e vegetariana é muito diversificada e também pode ser rica em nutrientes”. Além disso, “é muito saborosa” garante até pela utilização de diversas especiarias.

Considera “uma alimentação para todos incluindo para aquelas pessoas que estão preocupadas em reduzir o consumo de carne ou de peixe” nota. Nas conversas que tem com os amigos refere-se ao Dona Clementina Vegan como “o ativismo que consigo fazer neste momento. Mostrar às pessoas que podem mudar”.

Mas o seu objetivo não passa apenas por promover o veganismo. O ideal seria conseguir um dois em um, obtendo sustentabilidade financeira, num futuro próximo, podendo dedicar-se a 100% ao blog, confessa.

Sopa de abóbora, receita que pode encontrar no blog Dona Clementina Vegan. Créditos: DR

Para colocar online Dona Clementina Vegan, Léa meteu as mãos à obra deparando-se com várias dificuldades, designadamente informáticas, neste seu papel de faz tudo. “Penso nas receitas, algumas já faziam parte da minha alimentação, outras são criadas por mim, mas faço tudo; desde a fotografia à edição, agora passei também a fazer vídeos. Sozinha fui aprendendo”.

Léa Gonçalves assume-se, então, como vegan, que vai além da nutrição vegetariana, portanto não come nada de origem animal e afirma ter também outras preocupações, nomeadamente ambientais. “Por exemplo no vestuário, não compro peças que tenham lã ou cabedal ou pele, ou na cosmética ou nos produtos de higiene. Preocupo-me em não comprar nada que tenha origem animal ou que tenha sido testado em animais”.

Broas fervidas, receita que pode encontrar no blog Dona Clementina Vegan. Créditos: DR

Há dois meses começou a ver o resultado do seu esforço no que diz respeito às audiências, quer no blog quer na sua página do Facebook.  Nos dias que correm “há claramente uma tendência vegan. Chamam-lhe uma moda mas não concordo. Acho que é mais uma abertura de consciências. O planeta está a sofrer, as pessoas estão a sofrer e os animais estão a sofrer. 70% do que faço é a pensar no sofrimento animal”.

Neste cenário de quadra festiva, fica a promessa de receitas vegan alusivas ao Natal… para daqui a um mês.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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