Sardoal: CLDS 3G completa um ano de vitalidade e proximidade com a comunidade

A equipa do CLDS 3G Sardoal: Marta Duque, Inês Aparício e Soraia Mourato (esquerda para direita). Foto: mediotejo.net

O CLDS 3G “Sardoal SIM – Solidário, Inclusivo e Moderno” é feito de uma terceira geração caracterizada de garra e fibra, trabalho e dedicação. Com um ano de funcionamento o projeto mostra-se sólido e já conseguiu alcançar um dos seus objetivos primordiais: chegar próximo da população do concelho de Sardoal.

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No âmbito do primeiro aniversário do CLDS 3G Sardoal SIM, o mediotejo.net falou com a coordenadora Inês Aparício, de 31 anos, e com as técnicas superiores Soraia Mourato, 26 anos, e Marta Duque, 25 anos, a fim de perceber como decorreu este ano de atividade e quais as perspetivas futuras.

As três jovens recebem-nos com um grande sorriso e de braços abertos no gabinete, cedido pela Câmara Municipal de Sardoal, localizado no centro da vila. As portas envidraçadas pouco deixam transparecer para o interior, tal é a quantidade de cartazes expostos anunciando as atividades futuras. Falamos de um projeto ativo e descentralizador, que não se deixa ficar na vila, mas que percorre todas as freguesias em auxílio da população. Várias faixas etárias, diferentes classes sociais, homens e mulheres. No que depender do CLDS 3G Sardoal SIM ninguém fica de fora. “Este é um projeto para toda a comunidade do concelho, queremos chegar a cada vez mais pessoas”, refere Inês Aparício.

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Folhetos expostos no gabinete do CLDS promovem serviços disponíveis. Foto: mediotejo.net

A raiz de um projeto que nunca existiu

O que é o CLDS 3G? É um Contrato Local de Desenvolvimento Social, com um cariz social, financiado por verbas do Fundo Social Europeu, com o objetivo de, essencialmente, combater a exclusão social e a pobreza.

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O CLDS 3G é o terceiro programa que existe dentro destes projetos. O primeiro, designado apenas CLDS, aconteceu em 2007 e teve a duração de um ano; o segundo, CLDS +, decorreu em 2013, com duração de dois anos; e em 2015 surgiu então o CLDS 3G com durabilidade de três anos. No Sardoal este foi um projeto criado de raiz. Primeiramente foram diagnosticadas no concelho três áreas problemáticas: envelhecimento, desemprego e pobreza infantil. Estas mesmas problemáticas foram apresentadas em reunião de CLAS – Conselho Local de Ação Social e, face a isto, surgiu a possibilidade de se candidatarem ao programa CLDS 3G.

O presidente do CLAS, António Miguel Borges, também presidente do Município Sardoalense, fez o convite à AADA – Associação de Assistência e Domiciliária de Alcaravela, que aceitou ser a entidade executora do projeto.

Todo o processo, desde a escolha da coordenadora, ao plano de ação, foi feito previamente, “tudo teve de ser feito desde o início”, de raiz. “Antes de nos darmos a conhecer, houve todo um processo burocrático”, refere a coordenadora Inês Aparício, explicando mais pormenorizadamente que “a candidatura foi submetida a 23 de julho de 2015” tendo sido aprovada a 1 de outubro do mesmo ano, e poucos dias depois, a 7 de outubro, estava a entrar em funcionamento.

O plano de ação para as 32 semanas continha um orçamento em cerca de 400 mil euros para 62 atividades, mas tendo sido aprovadas 57 o orçamento baixou para os 393 mil euros. Deste valor, a maior fatia é gasta com encargos com pessoal.

A equipa do CLDS 3G Sardoal SIM é composta pelas três jovens, a quem se juntou ainda o economista Joaquim Serras e a administrativa Cristina Gaspar.

A sede do CLDS 3G Sardoal SIM, localizada no centro da vila
A sede do CLDS 3G Sardoal SIM, localizada no centro da vila. Foto: mediotejo.net

3 eixos de intervenção que trabalham em parceria

O projeto tem três eixos de intervenção: o Eixo 1 é dedicado ao emprego, qualificação e formação; o Eixo 2 é o da intervenção familiar; e o Eixo 3 é orientado para a capacitação das associações e instituições concelhias.

Dentro de cada eixo, a equipa do CLDS 3G Sardoal SIM vai promovendo atividades, que tanto podem ser pontuais, como a comemoração do Dia da Criança e a Festa de Natal, ou contínuas, como o Gabinete de Apoio à Família e do Gabinete de Apoio Profissional.

O Gabinete de Apoio à Família (GAP) é coordenado por Soraia Mourato, formada em Ciências Psicológicas. É ela quem nos explica que o GAP promove a integração e qualidade de vida das famílias, no que diz respeito ao seu bem-estar psicossocial: “o que procuramos é que as pessoas, com a ajuda de outrem, encontrarem soluções para as suas dificuldades. Muitas vezes temos um problema e não sabemos como resolvê-lo e é aí que eu entro, ajudando-as a encontrar soluções”. Depressões, morte e luto, alcoolismo, conflitos parentais e laborais são algumas das áreas de intervenção do GAP, que tem a particularidade de ser um serviço descentralizado, percorrendo as quatro Juntas de Freguesia do concelho de Sardoal. Os atendimentos são por marcação prévia, mas sempre que surge algum popular a precisar de ajuda a equipa não lhe fecha a porta.

“O GAP foi muito bem aceite pela população”. No início, confessa Inês Aparício, “estávamos com receio de não ter receptividade”, uma vez que o facto de o concelho ser pequeno e a população se conhecer toda podia ser um fator de retraimento. O que não veio a acontecer.

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A equipa do CLDS trabalha em vários trabalhos em simultâneo

Preparar o futuro em prol do outro 

A equipa do CLDS 3G Sardoal SIM trabalha em várias frentes ao mesmo tempo. Sempre que termina uma atividade há que olhar em frente, preparando outra e mais outra. No gabinete do projeto, pelas secretárias de Inês, Soraia e Marta percebe-se que trabalho não falta. Há papel amontoado, folhetos e cartazes, computadores ligados, canetas e lápis por todos os cantos. Uma parafernália de material de trabalho.

Ao mediotejo.net Inês Aparício, auxiliada no discurso pelas colegas, vai desfiando algumas atividades preparadas para os próximos meses.

Aberto a toda a população, o CLDS vai realizar um Workshop de “Economia Doméstica” a 8 de novembro, que abordará o essencial da economia pessoal. Em contexto escolar, haverá um outro workshop sobre empreendedorismo, para os alunos do ensino secundário, e um magusto intergeracional, a 11 de novembro, que juntará na mesma atividade avós e netos. Em dezembro voltará a acontecer um novo workshop, desta vez tendo como temática a “Parentalidade Positiva”, dirigido a pais e encarregados de educação. Esta ação vai decorrer em horário pós-laboral, a fim de permitir a presença dos pais na atividade, e “vamos criar um espaço onde ficaremos com os filhos, para evitar que surja a desculpa de que os pais não têm com quem deixar os filhos”, refere Inês Aparício.

Depois de desfiar as principais atividades planeadas, a coordenadora destaca a importância que as parcerias têm na realização das mesmas: “Nós promovemos as atividades mas não as fazemos sozinhas. Temos muitas parcerias que colaboram connosco, como a Câmara Municipal de Sardoal, as Juntas de Freguesia, a CPCJ, o Agrupamento de Escolas, a G.N.R. e até mesmo estabelecimentos comerciais no concelho”, anuncia.

A esperada Universidade Sénior de Sardoal

Ao contrário da região do Médio Tejo, no qual todos os concelhos já têm Universidade Sénior, o Sardoal tinha essa lacuna. Mas a partir do próximo dia 2 de novembro, deixa de ser lacuna para se tornar uma realidade. Ao mediotejo.net, a equipa do CLDS Sardoal SIM conta alguns pormenores antes da apresentação pública a 14 de outubro, pelas 14 horas, no Centro Cultural Gil Vicente.

As aulas serão lecionadas por professores voluntários, membros do Banco Local de Voluntariado de Sardoal, e decorrerão na Biblioteca Municipal, no Centro Cultural Gil Vicente, e em outros equipamentos municipais, de segunda a sexta-feira, entre as 9h30 e as 17h.

As disciplinas a ser lecionadas passam por atividade física, formas de expressão e comunicação plástica, pintura, desenvolvimento pessoal, hidrosénior, informática, inglês, francês, música, teatro, dança, património e saúde.

No decorrer da entrevista para o mediotejo.net fomos interrompidos duas vezes por sardoalenses interessadas em saber mais sobre a Universidade Sénior e a querer uma ficha de inscrição. A procura tem superado as expectativas. “A Universidade Sénior é um óptimo projeto para dinamizar o envelhecimento ativo da comunidade. Ninguém vai chumbar de ano. O que se pretende é promover o convívio, trocar experiências e conhecimentos”, finaliza Inês Aparício.

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Logotipo do CLDS 3G Sardoal SIM – Solidário, Inclusivo e Moderno

Balanço positivo 

Em jeito de balanço deste primeiro ano, a coordenadora diz prontamente variados aspetos positivos, entre os quais destaca o trabalho em união, uma equipa “que está unida e que trabalha para os mesmos objetivos”, a receptividade da população e o trabalho em parceria com o CLDS a nível da região do Médio Tejo. Questionadas sobre se tudo está a correr de feição, as jovens entreolham-se e, de início, não encontram o que terá corrido menos bem. Mas logo intervém Inês Aparício afirmando a necessidade de terem um manual de execução para se poderem orientar, visto que o CLDS é um projeto criado de raiz.

O sucesso do CLDS depende do acolhimento da população e durante este primeiro ano o desafio foi superado. Depois de 2018, Inês, Soraia e Marta esperam que alguns dos projetos que criaram nestes três anos possam continuar com a ajuda de outros parceiros. A raiz está entranhada na terra e a árvore tem tudo para crescer saudavelmente.

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