Sardoal | Cerimónia “surpresa” para evitar que o povo saísse à rua no 25 de Abril

A cerimónia evocativa do 25 de Abril em Sardoal decorreu este ano em modo “surpresa”. O presidente da Câmara Municipal de Sardoal preferiu não publicitar como seria a cerimónia em tempos de pandemia para evitar que o povo saísse à rua. Miguel Borges manifesta-se preocupado com os comportamentos da população. “As pessoas não estão a portar-se bem! Estão a aliviar em demasia” o confinamento no contexto da covid-19, afirma.

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Assim, em vez do habitual hastear da bandeira, pelas 10h00 “as bandeiras já estavam hasteadas”, e a banda da Filarmónica União Sardoalense não tocou o hino nacional que foi substituído por uma gravação e escutado pelos sardoalenses através de colunas colocadas no edifício da Câmara Municipal.

Seguiu-se “a Grândola e até ao meio dia tocaram canções de Abril”, explicou, classificando de “simbólica” a cerimónia evocativa do dia da Liberdade.

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Depois de um mês de confinamento, os portugueses consideram ter menos risco de infeção pelo novo coronavírus e demonstram maior confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e do Governo, segundo o Barómetro covid-19. Um inquérito sobre a evolução das perceções dos portugueses em tempos de pandemia, feito pela Escola Nacional de Saúde Pública, que reuniu 166.886 respostas, mostra que “os portugueses estão a adaptar-se aos fatores diretamente relacionados com a covid-19, mas a sentir dificuldades em gerir a vida quotidiana de confinamento em casa”.

“Uma preocupação que não é só nossa, mas por todo o País”, refere o presidente da Câmara de Sardoal. “As pessoas estão a aliviar em demasia, começa a aparecer muita gente nas ruas, muita gente em trânsito. Parecem dias normais”, alerta.

Como presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Miguel Borges manifesta preocupação nomeadamente quanto ao 13 de maio em Fátima, avançando que através de comunicado a Comissão apela “às pessoas que nessa datam fiquem em casa”.

Nota que “se for levantado o Estado de Emergência no próximo dia 3 de maio há aqui um problema acrescido. Na verdade, aquilo que neste momento é a limitação das pessoas a poderem circular apenas para situações de extrema necessidade pode deixar de se impor… ou não”.

Miguel Borges lembra que, segundo a lei, o Estado de Emergência pode ser levantado setorialmente. “Pode não ser no País todo, ao mesmo tempo”. No entanto, defende que “se as pessoas querem que as medidas sejam levantadas e que haja um aliviar” das mesmas “têm de ser as primeiras a demonstrar que estão em condições para assumir o aliviar” dessas medidas de combate à pandemia, “mostrando através das suas atitudes, dos seus procedimentos, que devem estar de acordo o mais possível, mesmo fora de um período de emergência, com o período de confinamento”.

Cerimónia discreta e de surpresa assinalou o 25 de Abril em Sardoal. Foto: Miguel Borges

Para o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil “as atitudes que as pessoas têm, obrigatoriamente, no período de Estado de Emergência e de confinamento, vão ter de permanecer no nosso dia a dia por muito tempo, independentemente de estarmos ou não em Estado de Emergência”.

Miguel Borges acredita ser importante os cidadãos “darem confiança aos decisores políticos, mostrando estarem em condições de serem aligeiradas as medidas, o que afirma temer “que não esteja a acontecer”.

Sardoal, 25 de Abril de 2020.

Publicado por Miguel Borges em Sábado, 25 de abril de 2020

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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