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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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Sardoal | Casa Grande integra ‘Programa Revive’ para reabilitação, valorização e concessão

O palacete conhecido como Casa Grande ou dos Almeidas, em Sardoal, vai integrar o Programa Revive, que visa a reabilitação e valorização de património do Estado. Os potenciais interessados terão direito a um período de concessão do imóvel por 50 anos.

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Trata-se de uma iniciativa conjunta dos ministérios da Economia, Cultura e Finanças, com a colaboração das autarquias locais e a coordenação do Turismo de Portugal. Em forma de concursos públicos internacionais, o programa tem em vista a recuperação de vários imóveis de reconhecido interesse através do modelo de concessão por 50 anos.

A informação foi avançada em reunião de executivo na quarta-feira, 25 de agosto, pelo presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, dando conta que a candidatura do Município foi aprovada.

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A Casa Grande “passa a fazer parte deste grupo de imóveis do programa Revive coordenado pelo Turismo de Portugal e os potenciais interessados poderão candidatar-se através do Turismo de Portugal para terem acesso à concessão deste imóvel”, disse Miguel Borges.

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:

A Casa dos Almeidas é “um dos imóveis identificados para integrar uma 3ª fase do Programa Revive, prevendo-se que este terceiro lote de imóveis seja divulgado até ao final de 2021, em data a fixar, após articulação entre a agenda da senhora secretária de Estado do Turismo e as disponibilidades dos municípios onde se localizam os imóveis desta nova fase do Programa”, disse Miguel Borges ao nosso jornal.

A conhecida Casa Grande ou dos Almeidas, situada na Avenida Luís de Camões n.º9,11,13 e 15 na Vila de Sardoal. Trata-se de um edifício classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 135/74 de 21 de Agosto de 1974. A sua construção remonta aos finais do século XVII, princípios do século XVIII, tendo sofrido posteriormente alterações e até reedificação, sendo uma das grandes referências do Património arquitetónico da vila de Sardoal.

Tendo sido residência da família Moura Mendonça, da principal nobreza do Sardoal, foi edificada a pedido de D. Gaspar Barata de Mendonça, Primeiro Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil, o qual terá falecido em 1686, não devendo, por isso, ter assistido à sua conclusão.

É de referir ainda que a génese da designação “dos Almeidas” advém dos Condes de Abrantes e senhores de Sardoal durante cerca de dois séculos; D. João de Almeida, pai de D. Lopo de Almeida, designação que perdura até à atualidade.

Nos anos 70 do século passado, a Câmara Municipal adquiriu parte do imóvel, do lado da Capela de Nossa Senhora do Carmo. Em meados da década de 80, adquiriu as cavalariças; na década de 90 a parte da Biblioteca e, em 2000 adquiriu o corpo central, sendo agora proprietária da totalidade do edifício.

De referir também que a Casa Grande ou dos Almeidas é um solar urbano de arquitetura barroca, seguindo por isso uma tipologia de “casa comprida”, com extenso alçado principal alinhado, tendo no extremo norte uma capela, de Nossa Senhora do Carmo. É constituída por planta longitudinal, estando enquadrada de forma harmoniosa mesmo na rua principal da vila, ao lado do edifício da Câmara Municipal, acompanhando o declive da via de circulação.

A haver manifestação de interessados, o imóvel será concessionado por 50 anos com vista à realização de obras, incluindo de infraestruturas, e posterior exploração para fins turísticos como um estabelecimento hoteleiro, estabelecimento de alojamento local na modalidade de estabelecimento de hospedagem, ou outro projeto com vocação turística, tendo como contrapartida uma renda anual que Miguel Borges disse ao nosso jornal ser “simbólica”.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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