Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Novembro 27, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sardoal | Autarca garante “não haver preocupação” quanto à comunidade tailandesa na empresa Buijnink

A empresa Buijnink instalada em Sardoal há mais de um ano, na antiga Sarplás, foi tema de reunião de executivo na quarta-feira. Naquela filial da Buijnink International, com cerca de 80 trabalhadores, trabalha uma comunidade tailandesa, e Pedro Duque (PS) quis saber “se estavam reunidas as condições mínimas de salubridade, sanitárias” para aqueles trabalhadores, uma vez que, notou, a estrutura de Sardoal “é muito idêntica a outras que conhecemos e têm estado, infelizmente, na comunicação social nas últimas semanas”.

- Publicidade -

Recorda-se que a Buijnink International centra as suas atividades no sector de extração de cortiça, resina e apanha de outros produtos florestais, exceto madeira, tendo a sua sede localizada em São Teotónio, Odemira, onde labora há 12 anos. Aquele concelho alentejano tem estado no centro da polémica devido às condições de trabalho e sanitárias dos imigrantes em Portugal, e especificamente naquela região.

A empresa Buijnink instalada em Sardoal, conta com um administrador holandês, e ali trabalham essencialmente com rama de eucaliptos, para fins ornamentais, sendo o principal destino da produção a exportação.

- Publicidade -

Visita do Ministro Conselheiro da Embaixada da Tailândia, Kittipool Hongsombud, no dia 5 de março de 2020, para conhecer as instalações da empresa Buijnink Internacional, a laborar em Sardoal desde final de 2019. Créditos: CMS

Na época da apresentação da empresa, em 2019, o presidente Miguel Borges (PSD) dizia que “este trabalho em zona florestal irá também limpar o terreno, diminuindo o material combustível, sendo que os resíduos são depositados no solo como composto orgânico”.

Já na última reunião de Câmara, perante as dúvidas do vereador da oposição, Miguel Borges começou por manifestar também ele próprio dúvidas sobre a afirmação de Pedro Duque ao dizer tratar-se de uma estrutura “muito idêntica”.

Como responsável máximo da Proteção Civil no concelho e sendo também o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, Miguel Borges reconheceu que a empresa “tem uma comunidade de imigrantes com origem tailandesa e que estão a viver naquele edifício”.

Explicou que no início do ano de 2020, “em conversa com os responsáveis pela empresa, fizemos uma articulação com a embaixada da Tailândia, e tivemos a 5 de março a visita de um responsável da embaixada, no caso até era a pessoa que estava a substituir o embaixador que ainda não tinha as credenciais”.

Visita do Ministro Conselheiro da Embaixada da Tailândia, Kittipool Hongsombud, no dia 5 de março de 2020, para conhecer as instalações da empresa Buijnink Internacional, a laborar em Sardoal desde final de 2019. Créditos: CMS

Tratou-se, então, da visita do Ministro Conselheiro da Embaixada da Tailândia, Kittipool Hongsombud, para conhecer as instalações da empresa Buijnink, a laborar na vila desde final de 2019, estando na região há seis anos.

Além de visitar a empresa, a comitiva, constituída também pelo empresário Leon Buijnink, esteve reunida nos Paços do Concelho e foi conhecer o Centro Cultural Gil Vicente e o espaço Cá da Terra.

O presidente fala dessa visita às instalações e garante que saíram “de lá bastante agradados com a forma com que as pessoas estavam. E pode ser comprovado no site do Município, na altura foi feita uma reportagem. Percebo que possa haver alguma preocupação, mas posso garantir que podem ficar descansados!”.

Miguel Borges referiu as notícias “de situações desagradáveis” no nosso país lembrando que “situações fabris desagradáveis sempre existiram, algumas com muita gravidade” no distrito de Santarém.

Acrescenta que, no âmbito das suas funções de presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil, há “uma preocupação de acompanhamento daquelas unidades que têm trabalhadores de origem estrangeira, com costumes completamente diferentes dos nossos, podendo haver alguns constrangimentos” e não apenas “nas unidades produtivas que têm muita gente”.

Visita do Ministro Conselheiro da Embaixada da Tailândia, Kittipool Hongsombud, no dia 5 de março de 2020, para conhecer as instalações da empresa Buijnink Internacional, a laborar em Sardoal desde final de 2019. Créditos: CMS

No entanto, assegura que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras “tem conhecimento da existência desta fábrica e desta comunidade. […] um relatório com data de 11/5/2020. Na altura os inspetores do SEF contactaram o presidente de Câmara e os responsáveis da empresa. Tem a caracterização dos espaços, a caraterização da comunidade e diz que não há motivos para preocupação”.

Esclarece ser da competência do SEF fazer este acompanhamento porque “falamos de uma comunidade exclusivamente estrangeira e está a ser feito há mais de um ano”, afirma descartando tratar-se de uma situação de trabalho sazonal.

Concluiu indicando que até ao momento “não há nem houve um único caso” positivo de covid-19 naquela fábrica. “Se houver serão tratados como qualquer outra situação com qualquer ser humano”.

OIÇA AQUI O PRESIDENTE DA CÂMARA, MIGUEL BORGES

Até à compra por parte da empresa Buijnink as instalações industriais da ex-Sardan e ex-Sarplás, estiveram desativadas desde o encerramento da atividade da última empresa, sendo um espaço de memória e que durante muitos anos foi gerador de riqueza para as gentes do Sardoal. A aquisição foi formalizada através de escritura pública no dia 21 de maio de 2019.

Comarca de Santarém instaurou 21 inquéritos sobre tráfico de pessoas em 2020 e 2021

A Procuradoria da Comarca de Santarém tem em curso 21 inquéritos respeitantes a auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas, instaurados nos anos de 2020 e 2021 e atualmente em investigação, disse hoje fonte judicial à Lusa.

A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência dos inquéritos, na sequência de perguntas colocadas pela Lusa, nomeadamente sobre o processo que deu origem à detenção, em julho de 2020, de três cidadãos estrangeiros suspeitos dos crimes de tráfico de pessoas e de auxílio à imigração ilegal.

As detenções ocorreram no âmbito de um inquérito que o Ministério Público afirmou, na altura, estar “em investigação há alguns anos na 2.ª secção de inquéritos do Departamento de Investigação e Ação Penal de Santarém”, por indícios de “existência de dezenas de cidadãos estrangeiros em situação ilegal, usados como mão-de-obra barata em explorações agrícolas em redor das localidades de Almeirim e Alpiarça”.

Os três homens, que ficaram em prisão preventiva, foram detidos durante uma operação em que participou igualmente o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e que visou o “desmantelamento de uma rede de tráfico de seres humanos e crimes conexos, com a introdução de trabalhadores estrangeiros, alguns em situação irregular, em explorações agrícolas no Ribatejo”.

No decorrer da operação “Lezíria” foram identificados cerca de 140 trabalhadores estrangeiros, tendo cerca de 10 sido sinalizados como vítimas do crime de tráfico de pessoas, lia-se na nota do SEF divulgada em 10 de julho de 2020.

“Estes cidadãos estavam, na sua maioria, sujeitos a condições degradantes de trabalho, alojamento e salubridade”, segundo o comunicado.

Além das três detenções, os cerca de 120 agentes do SEF cumpriram 40 mandados de busca e apreensão, com a apreensão de vários meios informáticos, viaturas, diversa prova documental da prática dos crimes identificados e uma avultada quantia de dinheiro, estando o processo ainda em fase de investigação.

O Tribunal de Santarém julgou, em 2017 e 2018, dois processos de tráfico de seres humanos, que resultaram na condenação, no primeiro caso de três cidadãos, um deles português, e no segundo de oito, dois deles estrangeiros.

No primeiro caso, os três arguidos foram condenados a penas de prisão de 13 e 14 anos por 23 crimes de tráfico de seres humanos, sentenças confirmadas pela Relação de Évora em novembro de 2018.

O caso teve origem numa operação de fiscalização do SEF, que detetou, em junho de 2016, 23 trabalhadores nepaleses, em situação irregular no país, na Herdade dos Morangos, em Paço dos Negros, concelho de Almeirim (Santarém), onde trabalhavam na apanha dos morangos, residindo em condições “desumanas” num anexo das estufas.

O tribunal considerou provado que os 23 trabalhadores encontrados pelo SEF viveram, alguns dois meses, outros três e outros cinco, num anexo “sem janelas nem as mínimas condições de salubridade” nem de privacidade, em condições “atentatórias da dignidade humana” nem sequer aceitáveis para animais.

No segundo caso, o Tribunal de Santarém reduziu, em setembro de 2019, as penas de prisão a seis dos oito arguidos que havia condenado, em março de 2018, num processo por tráfico de pessoas, porque o Tribunal da Relação não aceitou a alteração de factos feita durante o julgamento.

O novo acórdão baixou em dois anos as penas dos principais arguidos num processo que teve origem numa operação realizada pela Polícia Judiciária em julho de 2015 numa empresa de Almeirim, tendo em conta o entendimento do tribunal de recurso de impossibilidade de imputação de crimes que não constavam da decisão instrutória.

Nesse processo, os principais arguidos foram ainda condenados ao pagamento de uma indemnização de 15.000 euros a um trabalhador ao qual tinha sido diagnosticada uma insuficiência renal e que foi agredido e deixado várias vezes sem dinheiro nem alimentos.

c/LUSA

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome