Sardoal | Assembleia Municipal aprova por unanimidade moção pelo aeroporto em Tancos

Sessão de Assembleia Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

Uma Moção da CIMT – Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que defende o aeródromo de Tancos como infraestrutura aeronáutica essencial para a região do Médio Tejo e para o interior do País, foi aprovada por unanimidade, com os votos favoráveis do PS e do PSD, na última sessão de Assembleia Municipal de Sardoal, realizada na sexta-feira, 28 de fevereiro. A moção já havia sido aprovada pela Câmara Municipal.

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A Moção “não é contra ninguém”, sublinhou o presidente da Câmara, Miguel Borges (PSD), tão pouco “contra o aeroporto X, Y ou Z, mas que o governo considere que a base militar de Tancos tem todas as condições para entrar dentro de um plano nacional aeroportuário e possa ser aqui colocado um aeroporto. Com baixos custos, com todas as condições favoráveis para que aqui possa ser uma realidade e pela centralidade que tem”.

Miguel Borges deu conta que esta moção nasce “da necessidade de dar resposta aquilo que é o tráfego aéreo do aeroporto da Portela, sem capacidade para a expansão do turismo e do transporte aeronáutico. Sabemos que há um conjunto significativo de ligações aéreas desviadas do nosso País precisamente pela falta de capacidade de resposta do aeroporto da Portela e isso tem prejuízos na nossa economia”.

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Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

O autarca defende, por isso, fazer sentido o aeroporto em Tancos “ser considerado como um terminal 3 do aeroporto da Portela”, em Lisboa, no entanto afirma que “esta sensibilização” chega com mais de um ano de atraso. Contudo, “mais vale tarde do que nunca”, acrescentou.

Nota que o aeroporto em Tancos “é bom para a nossa região, bom para o nosso País e possa ser um fator de desenvolvimento da região. Possa criar uma nova centralidade em termos de desenvolvimento económico, com criação de postos de trabalho, com a criação de empresas em torno deste equipamento e não a deslocalização destas empresas para outras regiões do País”.

A centralidade do Médio Tejo é outro tema para discussão, indica Miguel Borges. “Estamos verdadeiramente no Centro do País mas não somos considerados como tal. E estamos a perder esta centralidade e é muito importante que nos afirmássemos, num momento em que estamos a discutir documentos estratégicos para o próximo quadro comunitário, para o futuro. Estamos próximos do Algarve, próximos de Madrid, próximos do mar” com ligações ferroviárias e rodoviárias.

Também o presidente da Assembleia Municipal de Sardoal, Miguel Pita Alves, falou sobre a interioridade e sobre “a questão do poder de decisão que o interior não tem. A tendência do País é sempre de levar tudo o que é grandes infraestruturas, que diferenciam, para as zonas com maior densidade populacional, logo para as zonas que têm uma maior representatividade inclusive política, quer na Assembleia da República quer depois por inerência nos cargos políticos que dali surgem” critica.

Defende que um aeroporto “seria uma mais valia para qualquer zona” mas Tancos parece-lhe uma “solução a ter em conta” pela “centralidade e pela proximidade com Entroncamento, Fátima, a A13 para Coimbra, a A23 para Castelo Branco”.

Municipal de Sardoal. Créditos: mediotejo.net

O deputado municipal eleito pelo Partido Social Democrata, Anacleto Baptista, recorda que no tempo da polémica levantada à volta da afirmação do então ministro Mário Lino a propósito da construção de um novo aeroporto na margem sul do Tejo, sobre Tancos “há seis anos numa reunião da CIMT foi lançado o repto sobre esse problema e para que se fizessem esforços para esse efeito e se tentasse contrariar um pouco o senhor ‘Jamais’. Não foi entendido assim, nem levado em linha de conta nessa altura” disse considerando que “ainda não é tarde”.

Também a deputada Joana Ramos, igualmente eleita pelo PSD, intervém no discussão sobre a possibilidade da construção de um aeroporto em Tancos, e sugere a leitura de um artigo de opinião escrito por um arquiteto do ISCTE “que fala da opção da reativação da base militar aérea de Tancos não só como aeroporto civil de companhias low cost mas também de transporte de mercadorias que também é uma opção importante a outros níveis e fala da valorização do interior com o potencial desta infraestrutura militar”.

Também o deputado Rui Valente, eleito pelo Partido Socialista, deu conta do seu voto favorável a esta moção da CIMT mas observa que Miguel Borges “não está muito otimista relativamente a este assunto”, questionando o presidente da Câmara se era favorável ao aeroporto em Tancos.

“Tenho defendido que não é o facto de não termos um aeroporto à porta de casa que pode ser castrador do desenvolvimento económico. A distância de Sardoal, Tancos, Entroncamento em relação ao aeroporto da Portela é a mesma distância de tempo que é do aeroporto Charles de Gaulle ao centro de Paris, mas como aqui já foi afirmado a questão das distâncias é psicológica. Isto não quer dizer que eu não prefira ter um aeroporto à porta de casa. Claro que sim! Nunca disse não a Tancos”, explicou o presidente.

A Moção da CIMT – Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que defende o aeródromo de Tancos como infraestrutura aeronáutica essencial para a região do Médio Tejo e para o interior do País, acabou aprovada por unanimidade, com os votos favoráveis dos 18 deputados do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, na última sessão de Assembleia Municipal de Sardoal.

A Moção, aprovada por unanimidade pelo Conselho Intermunicipal do Médio, constituído pelos presidentes das Câmaras que integram a CIMT, a 28 de janeiro de 2020, propõe que seja realizada a recolha de estudos realizados no passado para a implementação de um aeroporto regional civil-militar, remeter a Moção para apreciação das comunidades intermunicipais de proximidade regional (Lezíria e Beiras e Alto Alentejo) bem como a todos os municípios desta região e empenhar-se junto da administração central para a realização, “quanto antes” de estudos “para a criação de remodelação ou construção de novas infraestruturas tendo em vista o desenvolvimento da região e da coesão nacional contribuindo, assim, para atenuar assimetrias de desenvolvimento nas zonas de baixa densidade e tão anunciadas publicamente pelo poder político nacional”.

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