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Domingo, Agosto 1, 2021

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Sardoal apresenta Estratégia de Desenvolvimento com forte aposta no turismo

A Câmara Municipal de Sardoal apresentou no sábado, 17 de março, a Estratégia Integrada de Desenvolvimento de Sardoal, documento que delineia as orientações estratégicas globais para o futuro do concelho, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico de Sardoal e a nova Identidade Visual do Município. Isto porque, de acordo com o que foi explicado pelo presidente e pelo seu painel de parceiros responsáveis pela estratégia para o futuro, Sardoal é “um território com uma identidade própria, que apresenta um conjunto de potencialidades e, naturalmente, algumas fragilidades”. Saber potenciar as qualidades e colmatar as fraquezas, respeitando o que torna aquele território único e genuíno, e, simultaneamente, sabendo encontrar formas para o diferenciar no panorama regional e nacional, é a aposta do Município, “fundamental para a construção de um futuro de sucesso a todos os níveis”.

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Em termos de estratégia, Miguel Borges explicou que no último mandato tentou-se “perceber quais as potencialidade e recursos do concelho que pudessem ser úteis no seu desenvolvimento, criar riqueza, postos de trabalho e fixar população. Perceber os recursos diferenciadores mas também concorrenciais na positiva, com outras regiões de um Portugal que teima em estar inclinado para o Litoral”.

“Criámos um conjunto de documentos que são estratégicos para o futuro do concelho”, referiu Miguel Borges, ladeado pelos colaboradores da definição do projeto, acrescentando possuírem uma dupla função ao “serem uma mais-valia para detetarem as fragilidades e fraquezas” que possam contribuir para a criação de um produto “diferenciador, gerador de riqueza”.

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Todos os documentos têm “um fio condutor” entre eles e foram aprovados em reunião de Executivo camarário por unanimidade.

Com a Operação de Reabilitação Urbana (ORU) o Município espera que decorra um investimento na ordem dos 8 milhões de euros, na Área de Reabilitação Urbana (ARU) com intervenções públicas e privadas, nos próximos 15 anos.

A Estratégia Integrada de Desenvolvimento do Sardoal (EIDS) surge como forma de direcionar as iniciativas a dinamizar no âmbito dos fatores diferenciadores do município no contexto supramunicipal do Médio Tejo, articulando estratégias e dando continuidade à visão definida no Médio Tejo 2020 – Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial (EIDT).

Reconhecendo as especificidades de cada território, a EIDT valoriza as suas valências e características, dando-lhes dimensão através do desenvolvimento articulado dos diferentes territórios e projetando a região.

A estratégia é então “criar produtos atrativos” que possam “vender o interior de forma positiva e não como um território deprimido como muitas vezes se teima em fazer chegar fora desse mesmo interior”, referiu o autarca.

Estratégia Integrada de Desenvolvimento de Sardoal

A Estratégia Integrada de Desenvolvimento foi apresentada por Vânia Rosa da EY-AM&A que começou por uma síntese do diagnóstico de partida, tendo em conta um território de baixa densidade demográfica.

Deu conta de séculos de história com tradições que se perpetuam, uma coesão social como fonte de atratividade e pilar de qualidade de vida dos sardoalenses, um património natural que oferece ruralidade ao Sardoal, um embrião de um ecossistema de produção artística que se sustenta na tradição ligada às artes e à criatividade e um potencial impulso turístico resultante da sustentação de uma tradição religiosa com expressiva dimensão artística.

Referiu uma articulação com a Estratégia de Desenvolvimento do Médio Tejo e um potencial de intervenção territorialmente homogéneo à escala supramunicipal destacando a valorização produtiva da floresta e agricultura e a valorização turística do património natural e cultural.

Destacou algumas recomendações que passam pela construção de projetos em torno das ambições conjuntas criando, por exemplo, cooperativas, roteiros e circuitos turísticos de desporto de natureza.

Estratégia Integrada de Desenvolvimento de Sardoal. Paulo Monteiro e Vânia Rosa

A visão de futuro para Sardoal centra-se num território equilibrado, ligado aos seus recursos endógenos, polarizado pela vila histórica, sede de cultura religiosa e produção artística, articulado em redes de complementaridades. Com a missão de assegurar o equilíbrio social e económico, e com tónica na qualidade de vida.

O quadro estratégico do Sardoal sustenta-se ainda em áreas de atuação específicas para cada uma das orientações estratégicas que, por sua vez, concorrem para um conjunto de objetivos específicos que encerram as pretensões de afirmação temática do território.

Assim, a estratégia passa por garantir a qualidade de vida e atratividade. Como? Regenerando e qualificando os aglomerados, garantindo uma rede de serviços e equipamentos eficientes, cuidar de espaços de recreio e prevenir situações de catástrofe e preparar a adaptação às alterações climáticas.

Passa ainda pelo afirmar do turismo religioso, pelo estruturar do ecossistema criativo de produção artística e valorizar a dimensão rural, nomeadamente os recursos endógenos.

Vânia Rosa considerou que “a qualidade de vida existe em Sardoal e tem sido bem trabalhada pelo Executivo municipal” destacando como valorização indispensável o património natural e a consequente projeção para o exterior, bem como a promoção da economia de base local, agarrando pela produção biológica com certificação.

Pedro Costa, da Modo Associados, arquiteto responsável pelo projeto do Centro Cultural Gil Vicente, lembrou que na sua chegada a Sardoal, nos anos 1980, não havia redes de esgotos, nem rede de água, nem estradas, e as escolas eram más. “As pessoas não queriam arquitetos, queriam engenheiros”, garante.

Trinta anos depois a reabilitação urbana é resultado “de persistência, de esforço e de meios financeiros existentes” resultantes da integração europeia. Agora o País e os municípios entraram numa nova fase, “não de criar infraestruturas mas de querer saber o que será o nosso futuro e para onde devemos ir”.

Para Pedro Costa a regeneração urbana “é um sinal de vitalidade das pessoas” que estão nos territórios, especificamente em Sardoal. “São as pessoas que transformam os edifícios. Ora “é renovando as dinâmicas de vivência das pessoas” que no futuro “faz com que precisem de edifícios”. E chegou a hora de mostrar que no interior “não somos nem limitados, nem ignorados, nem desprezados e nem sem capacidade de criar coisas novas”, defendeu.

Miguel Borges, Pedro Costa e Ana Gomes

Por seu lado, Ana Gomes igualmente da Modo Associados, destacou a degradação dos edificado nos centros históricos e nos núcleos urbanos cada vez com menos habitantes. “Sardoal tentou desenvolver um estratégia que contrarie essa tendência” disse.

Em 2015, o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) delimitou a ARU (Área de Reabilitação Urbana), e o Município aposta agora na ORU (Operação de Reabilitação Urbana) com uma expetativa de investimento na ordem dos 8 milhões de euros, durante os próximos 15 anos.

Para tal avança com benefícios fiscais da reabilitação de edifícios na ARU com redução ou isenção de taxas municipais, isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis até sete anos, isenção de IMT, dedução à coleta de 30% num máximo de 500 euros, rendimentos prediais tributados a 5%, 6% de IVA na empreitada de reabilitação e mais-valias tributadas a 5%.

A estratégia apoia-se também “na tentativa de esforço e participação da comunidade no desenvolvimento do território”, acrescentou Ana Gomes.

O Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico para o conselho de Sardoal

A ORU “já está em andamento” esclareceu Miguel Borges, dando como exemplo “os corredores centrais na zona histórica” tal como a nova identidade visual de Sardoal que já se vê no site do Município e será visível em todos os documentos a partir desta segunda-feira, 19 de março.

O presidente assegura que esta estratégia não está relacionada com os “ciclos autárquicos mas com o desenvolvimento do concelho e região”. Adiantou que a Câmara já trabalha numa estratégia à volta de Gil Vicente.

Miguel Borges explicou que o objetivo do plano prende-se com a definição de linhas de orientação estratégica para o desenvolvimento do turismo no Sardoal, com o intuito de tornar o concelho numa referência nacional na área turística.

Tendo por base um modelo sustentável, que contribua para o desenvolvimento económico e para a qualidade de vida dos sardoalenses e de quem visita o concelho alicerçado nos recursos existentes e alinhado com as estratégicas nacionais e regionais.

As estratégias nacionais e regionais para o impulso do turismo em Sardoal passam pelo Turismo de Portugal, tendo em conta o Plano Estratégico Nacional para o Turismo 2013-2015; o Turismo 2020 e a Estratégia para o Turismo2027 – Liderar o Turismo do Futuro. Também pelo Turismo Centro com destaque para o CRER 2020; o Plano de Marketing do Turismo do Centro de Portugal e o RIS3.
Finalmente pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, alicerçado no Médio Tejo 2020 -Plano Estratégico de Desenvolvimento 2014-2020; Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo na Região do Médio Tejo; Plano de Marketing Turístico para a Região do Médio Tejo.

O concelho apresenta vários pontos fortes como a localização, ficando por exemplo a 150 quilómetros de Lisboa, ao lado da A23 e perto de Fátima, do Convento de Cristo e da Barragem de Castelo de Bode. A história é apresentado como outro ponto forte, destacando o foral de 1531 e a carta da Rainha Santa Isabel em 1313. Bem como o património religioso, a cultura, nomeadamente a ligação a Gil Vicente e a agenda cultural regular.

A natureza preservada e a diversidade paisagística bem como a rede de percursos pedestres também foram contabilizadas, sem esquecer a gastronomia e os vinhos com referência para as marcas Quinta do Côro e Quinta do Vale do Armo. E ainda a divulgação turística como a aplicação móvel descubra Sardoal e o website turismo.cm-sardoal.pt.

Como pontos fracos foram identificados a falta de alojamento (44 camas) e de outros agentes turísticos; património religioso degradado e de acesso condicionado; fraca sinalética de interesse turístico; inexistência de um museu/centro interpretativo de relevo; pouco comércio e animação no Centro Histórico e baixa notoriedade da marca Sardoal.

Desta forma, as linhas de orientação estratégica centram-se na afirmação da marca e melhoria da visibilidade; no fomentar o ecossistema criativo; no valorizar o turismo religioso e patrimonial; no valorizar o turismo de natureza e atividades associadas ao mundo rural; e na promoção do alinhamento da iniciativa privada para o turismo.

O Executivo aposta na afirmação da marca e na melhoria da visitabilidade através da estruturação e ‘branding’ da marca Sardoal; no reforço da comunicação e do marketing da marca Sardoal enquanto destino turístico; na colocação de sinalética direcional e de interesse turístico; na requalificação de espaços públicos e do património edificado público; na disponibilização de wifi gratuito; e no aumento da capacidade de alojamento.

Para fomentar o ecossistema criativo ocorrerá a dinamização do turismo cultural criativo, a planificação de agenda de atividades culturais diferenciada e o desenvolvimento de produtos turísticos e culturais ligados a Gil Vicente.

Para valorizar o turismo religioso e patrimonial haverá por exemplo o acompanhamento da candidatura da Semana Santa a Património Cultural Imaterial e o apoio à recuperação do património religioso edificado e incentivo de núcleos museológicos nas aldeias.

A aposta do Município continua na valorização do turismo de natureza e das atividades associadas ao mundo rural. Por fim promover o alinhamento da iniciativa privada para o turismo, como o incentivo ao aumento da oferta de alojamento.

Estratégia Integrada de Desenvolvimento de Sardoal. Apresentação da Identidade Visual

Identidade Visual do Município de Sardoal

Este sábado foi ainda apresentada, por Paulo Monteiro, da Glorybox, a nova identidade visual do Município. A identidade Sardoal é composta por dois elementos, o símbolo representado pelo ‘S’ e pelo nome ‘Sardoal’. Os dois elementos vivem em conjunto e como identidade, demonstram a grande diversidade existente no concelho. A identidade centrou-se na pureza patente, na cultura, na fé, na natureza, no património, na gastronomia e naturalmente no lagarto.

Existem duas versões da identidade ‘Sardoal, sendo que a versão principal é a vertical. No entanto, poderá ser usada a versão horizontal, ou uma outra versão chamada de ‘marca d’água’.

Trata-se ainda de um  ‘S’ mutável. Apesar da forma institucional seguir a regra ao longo da implementação e utilização da identidade Sardoal, o ‘s’ pode ganhar novas formas de modo a transmitir irreverência.

O símbolo pode ainda ser decomposto. As formas que criam o símbolo, podem ser utilizadas de modo a comunicar diferentes áreas de ação do município. Havendo outras, o verde é a cor predominante.

Os documentos encontram-se para consulta no site do Município, e a proposta de ORU em discussão pública até à próxima semana no sentido de recolher contributos da população.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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