Sardoal | Agrupamento de Escolas com Plano de Inovação aprovado que aposta na construção do conhecimento

O Ministério de Educação aprovou o Plano de Inovação apresentado pelo Agrupamento de Escolas de Sardoal. O Plano, a ser implementado em setembro, permite que o Agrupamento organize o próximo ano letivo segundo regras próprias, com criação de novas disciplinas, ter uma autonomia e flexibilidade curricular superior a 25% e aposte na valorização de uma cidadania ativa e na valorização da experimentação. O mediotejo.net foi falar com a diretora Ana Paula Sardinha que explicou o que muda com o novo Plano de Inovação pedagógico.

Após ser publicada a portaria 181/2019, que define os termos e as condições em que as escolas no âmbito da autonomia e flexibilidade curricular podem implementar uma gestão mais autónoma, o Agrupamento de Escolas de Sardoal decidiu avançar com essa possibilidade, vendo o seu Plano de Inovação pedagógico aprovado, para ser colocado em prática no ano letivo de 2020/21, a partir de setembro.

O interesse do Agrupamento surgiu logo em 2019 uma vez que a Escola integrou o projeto de autonomia e flexibilidade curricular em 2017 e 2018 com uma flexibilização do currículo até 25%. Projeto que permitiu “melhorar os resultados escolares, as competências do aluno como um todo. E já no ano passado tínhamos intenção de avançar com o Plano de Inovação pedagógica”, no entanto os prazos impediram a construção e a implementação ainda em 2019 do Plano sustentado, explica ao mediotejo.net a diretora Ana Paula Sardinha.

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A legislação que estabelece os Planos de Inovação, que entrou em vigor a 1 de setembro de 2019, obriga a um aumento de autonomia, ou seja ultrapassar os 25% de autonomia permitidos pelo Ministério da Educação que atualmente é aplicada em todas as escolas sem Plano.

Em Sardoal, o projeto de autonomia e flexibilidade curricular “correu muito bem” logo com a introdução de novas disciplinas, “implementámos muito o trabalho projeto. Os alunos serem construtores do seu próprio conhecimento e os professores estarem mais como orientadores” deixando no passado a habitual aula expositiva.

Ana Paula Sardinha considera ser este ponto o objetivo futuro. “O conhecimento está em constante mutação, os saberes tecnológicos também. Os professores tem de ensinar os alunos a construir conhecimentos”.

Esses impactos positivos verificaram-se nos resultados escolares, “tanto a nível interno como a nível externo. O ranking da Progressão do Sucesso dá-nos grande satisfação e estamos entre as escolas mais bem posicionadas do País”, refere.

Escola EB 2,3/S Drª Maria Judite Serrão Andrade, em Sardoal. Créditos. mediotejo.net

E o passo seguinte foi dado. O Plano de Inovação do Agrupamento de Escolas de Sardoal, entretanto aprovado pelo Ministério da Educação, começou a ser desenhado no final de 2019 porque os bons resultados apontavam para a necessidade de “flexibilizar ainda mais”.

O Plano de Inovação pedagógico permite ir além dos 25% de autonomia. “Vai permitir ter aprendizagens de forma muito mais contextualizada, o saber, o fazer, a ação, o contexto local e global e uma articulação entre várias disciplinas e uma cidadania efetivamente ativa” explica a professora.

Ana Paula Sardinha indica que “o projeto aposta muito na valorização da experimentação, dos saberes tecnológicos, das artes, tudo aliado às aprendizagens, nunca descurando o conhecimento mas fazendo uma conciliação entre estes vários saberes”.

O Plano avançou “muito na metodologia do trabalho de projeto, interdisciplinar em que temos várias disciplinas a trabalhar em projeto, em todos os anos de escolaridade, agregando aprendizagens de várias disciplinas mas de forma mais contextualizada” vinca a diretora.

Além disso muda a forma organizacional. O Agrupamento de Escolas de Sardoal passa a organizar o ano letivo em dois semestres em vez dos habituais três períodos. “Vamos ter a semestralidade do ano letivo, o reporte de avaliação dos alunos aos encarregados de educação de 8 em 8 semanas, que permite fazer interrupções letivas. Verificar o que não está a correr bem e como temos de pensar as nossas práticas pedagógicas de forma a que os alunos possam melhorar as suas aprendizagens” isto é, em resultados e em qualidade.

Por isso, o Agrupamento aposta na avaliação formativa no sentido de consciencializar os alunos das suas dificuldades, progressos e medidas a tomar no caminho da melhoria.

Novas disciplinas e fusão de Geografia, História e Cidadania e Desenvolvimento

O Plano de Inovação contempla também a criação de novas disciplinas: no 1º ciclo Faz de Conta à qual estão agregadas a educação artística, física e o apoio ao estudo. “Professores do 2º e 3º ciclo, das áreas das expressões vão trabalhar com os professores do 1º ciclo, fazendo uma articulação do currículo”, explica Ana Paula Sardinha.

No 2º ciclo Cidadania e Tecnologia à qual se agrega a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ligando ao papel da Biblioteca Escolar para o desenvolvimento das multiliteracias. Oficina de Artes, e tanto no 2º como no 3º ciclo Desenvolvimento da Oralidade também para as línguas o desdobramento da disciplina. No 3º ciclo a disciplina Comunicar com Arte agregando a Educação Visual e as TIC. E ainda Cidadania e Mundo Atual numa fusão das disciplinas de Geografia, História e Cidadania e Desenvolvimento.

Ou seja, “História e Geografia desaparecem enquanto disciplinas autónomas. As aprendizagens são lecionadas mas de forma diferente. Um dos pressupostos, não podemos descurar o conhecimento e as aprendizagens essenciais, vamos lecioná-las de uma outra forma, mais contextualizadas que façam mais sentido para os alunos. Vamos tornar estas disciplinas mais atrativas, relacionando-as sempre com problemas e com situações da atualidade não só do concelho mas também a nível global”, explica a diretora.

Para promover o carácter experimental das Ciências o Agrupamento opta por “desdobramentos das Ciências quer na Naturais como nas Físico-químicas. O mesmo acontece na Matemática para se conseguir fazer um trabalho mais individualizado e que as aprendizagens sejam consolidadas”.

A diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal, Ana Paula Sardinha. Créditos: mediotejo.net

Para o 1º ciclo, o Agrupamento dá continuidade ao projeto Ciência em Movimento “em que os alunos têm atividades experimentais com docentes de Ciências Naturais e Físico-químicas. Os professores vão em contexto de sala de aula fazer atividades experimentais para despertar o gosto pelas Ciências”.

No sentido de “antecipar problemas” designadamente na passagem de ciclo “os professores do 2º ciclo fazem coadjuvações ao 1º ciclo e do 3º ciclo fazem ao 2º ciclo. Desta forma os professores ficam conhecedores das dificuldades, fomentando o trabalho colaborativo entre os docentes”, indica a professora.

O Plano comporta ainda uma medida do Programa Raízes para Português. “Os professores reúnem semanalmente e fazer um diagnóstico dos alunos que tem mais dificuldades e daqueles que têm mais potencialidades e esses alunos são retirados momentaneamente da aula de Português para trabalhar com outro professor que com esses alunos desenvolverá outro tipo de competências”.

A valorização da Cidadania é outra das preocupações espelhadas neste Plano de Inovação.

“Temos de mudar um bocadinho o papel da escola. Só formatada para aprendizagem, só para conhecimentos e só para preparar para os exames não faz sentido. Temos de preparar os alunos para o todo, para a vida e para a sociedade em geral. Há temas muito pertinentes na Cidadania e Desenvolvimento e temos de os discutir com os alunos”, defende.

Temas que surgem do programa Estratégia Nacional da Educação para a Cidadania a serem obrigatoriamente lecionados em todos os ciclos de escolaridade. Noutros temas a escola tem a competência da gestão. Como professora sente que “o mais interessante não é só transmitir mas conseguir mudar mentes, transformar pessoas e pouco a pouco ajudamos a transformar uma sociedade em algo melhor”.

Insucesso e abandono escolar “não é preocupação” em Sardoal

Um dos últimos objetivos do Plano de Inovação do Agrupamento de Escolas de Sardoal passa pelo combate ao insucesso escolar, ou melhor pela Retenção Zero, embora na Escola de Sardoal nem a retenção nem o abandono escolar “não seja um problema”, garante a diretora.

“Temos muito poucas retenções. Este ano em todo o Agrupamento tivemos três retenções. Na maioria das turmas mais de 50% dos alunos tem níveis de 4 ou 5 ou classificações superiores a 14 valores” o que significa “alguma qualidade no sucesso”, nota.

Em contexto de pandemia, Ana Paula Sardinha admite que os professores “estão um bocadinho apreensivos” porque o Plano de Inovação com aulas “à distância poderá ser um pouco mais difícil de implementar” por outro lado, “como se quer muita metodologia de trabalho de projeto poderá ser um facilitador”, diz.

Segundo as orientações do Ministério da Educação as aulas arrancam em setembro com os alunos de máscara, respeitando o distanciamento social devido à covid-19.

“Estamos na fase de realização de estudos sobre a organização dos horários, para tentarmos ter o menos possível alunos nas escola. Para que não exista uma grande quantidade de alunos em simultâneo no mesmo espaço. É difícil!”, admite, adiantando que até ao momento, apesar da situação atual, o Ministério da Educação não prevê o desdobramento das turmas.

Ana Paula Sardinha, considerando até “o maioria desafio dos professores”, indica como “a maior preocupação” do Agrupamento a motivação dos alunos.

“Que gostem da escola, que se sintam bem na escola, façam aprendizagens contextualizada e que lhes permitam adquirir ferramentas para o futuro, serem, no futuro, cidadãos ativos, esclarecidos e empreendedores. Daí a importância deste projeto”, notou.

Além do Agrupamento de Escolas de Sardoal, segundo o Centro de Formação de Escolas A23, têm Planos de Inovação aprovados também o Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes, e as escolas de Alcanena e Vila Nova da Barquinha. Aguardam aprovação para 2020/2021 o Agrupamento de Escolas Artur Gonçalves e o Agrupamento de Escolas Gil Paes, ambos em Torres Novas.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

1 COMENTÁRIO

  1. A minha filha estuda nesse Agrupamento e só tenho a dizer bem, tanto do corpo docente bem como do pessoal administrativo e restante pessoal, pois a escola tem uma estrutura muito familiar e conhecem os alunos, não são meros números. Só tenho uma questão negativa mas pode nem ser por parte do agrupamento mas sim da Câmara, quem mora em Abrantes e quer manter os filhos nesse agrupamento é muito complicado porque não há transportes e isso podia ser previsto.

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