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Domingo, Setembro 19, 2021

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Sardoal | A última hora da Casa Falcão (Foto-reportagem)

Todos os sardoalenses sabiam. Em enormes letras colocadas nas duas montras restantes de “Cardoso e Falcão”, em Sardoal, a palavra LIQUIDAÇÃO já fazia parte do dia de quem passava por ali. Anunciavam o fim de um ciclo.

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A esse anúncio, foram acrescentadas mais duas informações: uma tira em papel fluorescente secundava a indicação manuscrita “Aproveite! os últimos dias, encerramos dia 15 de dezembro”. E havia ainda um agradecimento, em formato A4, dirigido aos amigos e amigas daquela loja, onde a Casa Falcão realça o respeito, seriedade e honestidade que teve para todos, durante a sua existência. Termina com Saudações Natalícias e o desejo de um Feliz Ano Novo.

Durante a última hora da Casa Falcão, muitas foram as pessoas que por lá passaram, quer para fazerem as últimas compras com descontos significativos, quer para desejar boa sorte e dar uma palavrinha de conforto aos proprietários, o “Senhor Arnaldo” (Arnaldo Cardoso,79 anos), à sua esposa, a “Dona Nelinha” (Maria Manuela Falcão, 75 anos), e ao último funcionário ainda no ativo, o “Julito” (Júlio Chambel).

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Havia no ar um sentimento generalizado de gratidão que passava de clientes para proprietários e vice-versa e, ao mesmo tempo, uma sensação comum (de impotência) de que o Sardoal estava a perder parte do seu património, parte da sua memória.

Ainda antes de encerrar portas, cerca de duas dezenas de comerciantes da vila, entraram na Casa Falcão para entregar um “reconhecimento” escrito, aos proprietários, pelos 67 anos de dedicação, e onde registam também “um abraço solidário e de conforto”, com um total de 35 assinaturas.

Arnaldo Cardoso leu, em primeira mão, uma carta de agradecimento que irá mandar publicar num dos jornais regionais.

A Casa Falcão iniciou a sua atividade em 1949 num outro edifício contíguo ao atual, através de Manuel Nascimento Falcão. Em 1974 foi adquirida por Arnaldo Silva Cardoso (genro) mantendo a mesma designação comercial. Apenas em 1981, com uma pequena reestruturação, passou a ter a designação de “Cardoso e Falcão”.

Era conhecida por vender praticamente de tudo, deste produtos alimentares, brinquedos, produtos de papelaria, sapatos, plásticos, sementes, loiças, tecidos a metro, pronto a vestir, etc.

A porta da Casa Falcão fechou-se a 15 de dezembro de 2015.

**Republicada no âmbito de alguns trabalhos a que voltamos a dar destaque e que foram publicados no jornal mediotejo.net entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016

 

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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