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Sábado, Julho 24, 2021

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“Santos Lopes, O Operário da arte”, por Sónia Pedro

Flashs da vida de um artista. Santos Lopes. O Operário da arte.

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2016

No passado dia 14 de julho tivemos o prazer de estar à conversa com o escultor abrantino Santos Lopes, na primeiríssima sessão “Criativos. À conversa com…”, e que decorreu na Biblioteca Municipal António Botto em Abrantes.

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1948

Oriundo de uma família de condição humilde de Alvega, António Manuel dos Santos Lopes, de seu nome, cedo conheceu o prazer dos rabiscos e desenhos, dos guaches e pincéis: aos 10 anos de idade chorava, afirmando que queria ser artista pintor.

Em meados do século passado e nesta região rural do país, os artistas eram vistos como vadios. Resultado destes estigmas, e por influência de seus padrinhos, que lhe permitiam o seguimento dos estudos, Santos Lopes acedeu a matricular-se na Escola Técnica de Abrantes, seguindo um curso técnico. Contrariava assim a sua vontade de ingressar em artes. Mas, em troca recebeu um cavalete, uma palete e algumas bisnagas de guaches.

1963

Fruto de um mágico acaso teve, aos 15 anos, o seu primeiro contacto com a escultura, enquanto frequentava o curso preparatório para engenharia na Escola Machado Castro, em Lisboa. A descoberta dos materiais, das formas e volume. O êxtase de si. E por outro lado, voltava a culpa. A proibição. E nesta ambivalência viveu até aos 18 anos.

Uma falha de memória na prova oral de Matemática, levou-o a inscrever-se na Escola António Arroio, escola preparatória de artes. Mas o duro trabalho como desenhador impedia-lhe de frequentar as aulas.

1970

Chamado a ingressar o exercito, partiu para a Guiné Bissau. Os horrores da guerra, a destruição, a morte e o odor sórdido que a guerra sempre traz, existe em contraponto com o fascínio da paisagem tropical, das gentes de corpos esguios, de traços esbeltos e singulares. Era na embriaguez destas novas formas, que a arte lhe preenchia o espaço da vida: através da fotografia, do desenho, da poesia.

De volta a Lisboa, tomou a publicidade como ofício.

1975

Parte para o Brasil, São Paulo. Na bagagem, o sonho de ser escultor. Sonho que em Portugal não lhe parecia viável. No Brasil trabalhou ainda, nos primeiros anos, em fotografia de publicidade. É aqui que começa a tornar-se um profissional de escultura. Autodidata por excelência, aprende fazendo. Vai experimentando materiais e formas. E aí começa as suas primeiras exposições, coletivas e individuais, os primeiros prémios. Pelo caminho dá aula de escultura.

O detalhe que ambiciona nos seus trabalhos levaram-no a criar a sua própria fundição, pois a qualidade do trabalho desenvolvido por outros não o satisfaziam.

2013

Apresentou em Abrantes, sua cidade natal, uma exposição retrospetiva, em simultâneo com o lançamento do seu livro “Escultura. O sonho e a técnica”.

As suas esculturas integram, hoje, coleções um pouco por todo o mundo: entre Portugal, Brasil, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Egipto, França, Inglaterra, Suiça, Uruguai, e vários países africanos.

2016

De volta à sua terra natal, como aliás acontece todos os anos, Santos Lopes esteve à conversa com outros criativos e pessoas que quiseram conhecer o seu trabalho, mas também o homem por trás das esculturas – e que podem encontrar-se em vários pontos da cidade de Abrantes, mas não só.

Dono de um pensamento vivo e envolvente, de conversa fluida e com tantas estórias, encontros e desencontros para nos deliciar. Um verdadeiro self made man.

E porque dotado de um caráter determinado, tanto quanto de natureza sensível e esteta, é esta particular amalgama de características que lhe permite alcançar os seus objetivos e metas.

O caminho que moldou para si é, contudo, pejado de pedras tanto quanto de diamantes. Mas, há muito caminho ainda por trilhar.

Pode acompanhar os seus trabalhos em http://santoslopes.com/.

Presidente da Associação Médio Tejo Criativo, Sónia Maria de Matos Pedro é licenciada em Antropologia - Ramo Antropologia Social e Cultural pela Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia e Mestre em Cidades e Culturas Urbanas pela Faculdade de Economia também da Universidade de Coimbra. Já trabalhou em diversos projetos empresariais. Segundo diz a própria, "ideias e projetos para o futuro é que não faltam".

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