PUB

Santinho Mendes: 3 gerações [literalmente] sobre rodas (c/vídeo)

Apresentou-se com o primeiro e o último nome. Abdicou do seu treino habitual de atletismo para se sentar à mesa com o mediotejo.net, fazendo uma viagem pela sua carreira desportiva que conta já com alguns anos e soma títulos significativos. Na oficina da família, António mostrou estar contente com os resultados obtidos tanto no atletismo, como no automobilismo. Já sabe de quem falamos? Santinho Mendes, diz-lhe alguma coisa? Venha daí conhecer um pouco mais sobre o adolescente, atleta do Sporting Clube de Abrantes e piloto da equipa Santinho Mendes Rx e que é também neto do lendário pluricampeão nacional de off-road.

Perfil: António Santinho Mendes, 15 anos
PUB

Escolaridade: 10º ano – Ciências e Tecnologias, Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes (Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes)

Onde se imagina daqui a 10 anos: com o curso de Engenharia Mecânica, a trabalhar numa das grandes marcas do setor automóvel para poder estar a par das novidades e aprofundar conhecimentos.

PUB

Desportos favoritos: automobilismo e atletismo

Hobbies: ouvir música, ir ao cinema com amigos e sair à noite.

Árvore genealógica: Neto de António Santinho Mendes, filho de Vítor Hugo Mendes e sobrinho de José Mendes (os três com currículo nas várias modalidades de automobilismo, desde o TT até ao rally).

collage_antonio-sm_mediotejo.netAutomobilismo vs Atletismo: os treinos, os títulos e o seu significado

Mais de metade da vida de António é dedicada ao desporto. Aos 4 anos, começa a guiar, com um kart que era do pai e que foi adaptado pelo avô, para que António pudesse chegar aos pedais e ao volante. Aos 6 anos tira a sua licença desportiva. Entretanto, já lá vão onze anos nestas lides.

António, com o pai Vítor, e o kart que foi adaptado para poder guiar desde os 4 anos. Foto: DR
António, com o pai Vítor, e o kart que foi adaptado para poder guiar desde os 4 anos. Foto: DR

De há quatro ou cinco anos para cá, dedicou-se ao atletismo. “Gosto de praticar; o automobilismo não me preenche todos os dias da semana, normalmente só me ocupa ao fim de semana, e não em todos. Tenho o atletismo que preenche parte do meu tempo livre durante a semana, é uma coisa que eu gosto de fazer”. O adolescente diz que leva uma vida “completamente normal”.

António conquistou o primeiro lugar, com a camisola do Sporting Club de Abrantes e representando a Associação de Atletismo de Santarém, no Troféu Olímpico Jovem Nacional, tendo recebido a medalha de ouro dos 100 metros Barreiras em Iniciados Masculinos.

Durante a conversa, lembrou e agradeceu o trabalho e dedicação da treinadora Susana Estriga, do Sporting Club de Abrantes, “que me puxa muito as orelhas todos os dias nos treinos, a mim e a todos os meus colegas de treino. E ajuda-nos muito”.

“Eu nasci no meio do desporto automóvel, é uma coisa que faço desde sempre. É difícil escolher, mas o desporto automóvel vem sempre em primeiro lugar.”


No automobilismo, a última época foi fechada com chave de ouro: sagrou-se Bi-Campeão Nacional de Ralicross – Iniciados e foi o primeiro piloto a vencer aquela que foi a primeira edição da Taça de Portugal de Ralicross. António disse que só é possível alcançar estes resultados “através de muito trabalho, não só meu, eu vou dentro do carro, mas para eu ir dentro do carro tem de haver muito trabalho de muita gente, desde os mecânicos, o Botas, que é um amigo que trata da logística em todas as provas, desde os comes e bebes, e todas as coisas fundamentais para um fim-de-semana de corridas e treinos”.

Competir no desporto automóvel exige “ter cabeça quando vamos lá dentro [do carro], amealhar o máximo de pontos possível, não deitar tudo abaixo. Por exemplo, é melhor alcançar um segundo lugar para amealhar alguns pontos para o campeonato do que não acabar a corrida”, explicou António. É imperativo querer ganhar, mas também “ter cabeça para chegar ao fim e conseguir o melhor resultado possível, mesmo quando não conseguimos a vitória”.

“Quando vamos dentro do carro nunca pensamos muito no que se está a passar. Estamos focados em ganhar e dar o nosso melhor”


Durante a conversa, recordou-se um momento determinante e de grande adrenalina, que aconteceu na Taça de Portugal em Ralicross: “Quando vejo os meus adversários no espelho retrovisor, há um impulso para andar ainda mais rápido e deixá-los mais longe. As corridas são curtas, a final tem 7 voltas, damos sempre o nosso máximo para andar o mais rápido possível. No fim veio o resultado que acho que merecemos depois de todo o trabalho nesta época.”

Mas nem tudo corre bem, havendo percalços. “Ao longo deste ano tivemos alguns problemas mecânicos, que foram sempre resolvidos pelos mecânicos que nos acompanham às provas, tanto o Dário como o Jorge, rapidamente conseguiram dar o seu melhor e conseguiram pôr o carro em condições para alinhar na corrida seguinte”. O jovem campeão salienta o trabalho coletivo como meio caminho andado para alcançar resultados. “A equipa toda faz sempre o esforço para estarmos sempre a lutar pelas vitórias”.

As memórias são muitas, e António lembra-se de ir para as provas do pai, quando tinha sete/oito anos, “vê-lo a competir e estar naquele ambiente”. Também se lembra do tio, “ainda hoje faz algumas provas e também o apoio, e gosto de vê-lo a andar e quando posso vou com ele testar o carro”. Nesta medida, o jovem espera um dia ter oportunidade de experimentar o todo-o-terreno, “uma modalidade ligada à minha família desde sempre”.

Dividido entre escola, as duas modalidades desportivas, a família e os amigos, António diz que é tudo uma questão de organização. “Se tivermos o tempo bem organizado dá para conciliar tudo. Mas claro que a escola vem sempre em primeiro lugar, e portanto, também estou a frequentar o ensino secundário, e sempre que tenho uma avaliação no dia seguinte, se tiver de faltar a um treino, não hesito em fazê-lo, porque a escola está em primeiro lugar. Tenho de me preparar para o futuro”, esclareceu.

Eis que o mediotejo.net tentou saber como lida o neto de um pluricampeão com o valor atribuído ao nome da família. A pressão não é muita, mas ainda assim, concede: “há sempre várias pessoas que me abordam e que me dizem que tenho de ser como o meu avô e eu nas provas sinto que tenho de ganhar e dar o meu melhor para obter o melhor resultado possível um pouco pelo nome que tenho, se bem que não é algo que me preocupe, mas sim, influencia a minha maneira de abordar as provas. Tenho de provar que tal como eles também consigo ganhar”.

Mas Santinho Mendes será sempre, primeiro que tudo, seu avô. Acompanha o neto e dá-lhe dicas com o olhar de quem conhece e já guiou muito neste tipo de provas. “Ainda no fim-de-semana, na Taça de Portugal, deu-me diversas dicas, pois está na bancada e consegue ver o que estou a fazer mal, quando chego cá fora ele aponta-me os erros, fala de tudo calmamente, diz onde posso melhorar e o que estou a fazer bem, algo em que eu penso muito quando estou em prova, dentro do carro”.

“Ele nunca quer ficar parado, ultimamente tem trabalhado todos os dias no projeto para 2017”, disse António, introduzindo um tema que exploraremos mais à frente.

“Sim, vejo nele um ídolo porque é algo que eu próprio gostava de alcançar, embora hoje seja mais difícil chegar aí. Mas é, sem dúvida, um ídolo”, diz António sobre o avô


O teu avô é um ídolo para ti?, perguntámos. “Vejo tudo o que ele já ganhou, pelo menos não conheço mais ninguém que tenha ganho tanto nas mais diversas modalidades, tanto em rallys, velocidade, todo-o-terreno, autocross… Sim, vejo nele um ídolo porque é algo que eu próprio gostava de alcançar, embora hoje seja mais difícil chegar aí. É, sem dúvida, um ídolo.”

collage_antonio-sm_02Uma família de campeões ao volante

Santinho Mendes é um nome bem conhecido no mundo do desporto automóvel. Tal como o neto, com quem partilha o nome António, reconhece que “o bichinho” está no sangue. Campeão desde a década de 70, nas modalidades de ralicross, rally, autocross e todo-o-terreno, venceu o Troféu Datsun 1200 (1971), foi Campeão Nacional de Velocidade 1300 (73/74), 1º classificado no Rally Volta a Portugal (1975), Campeão Nacional de Rallys Absolutos e 1º classificado no Rally Volta a Portugal (80/81), tendo sido também Campeão Nacional de Autocross entre 1986/87 e Campeão Nacional de TT (1997).

O gosto pelo automobilismo foi passando de geração em geração, do próprio para os filhos, Vítor Hugo e José Manuel, e agora para o neto António, de quem sente orgulho.

“Penso que ele tem a cabeça no lugar e na idade em que está espero que não se perca e que continue com o ritmo que leva, porque ele tem atrás dele o pai que o ajuda naquilo que puder”, diz o avô que também diz ser de extrema importância a formação do neto

“Essas coisas começam logo de pequenino. Acompanhou-me, acompanhou o pai, e sem dar por isso começa a interiorizar tudo. As coisas que são boas ficam, as menos boas, esquece-se. A nossa preocupação é agora quando ele entra em provas de mais responsabilidade, e tem de haver um acompanhamento principalmente da parte do pai, no sentido de o ajudar e de fazer com que ele tenha um carro competitivo dentro da classe em que o António corre”, notou.

O pluricampeão Santinho Mendes afirmou que o neto “reconhece todas as condições que tem, não é exigente, apenas exige o que é possível, o que é algo que nos dá muita satisfação por ser humilde, dedicado, não é mal criado, gosta da família que tem e para nós é o suficiente para o seguirmos e apoiarmos”, concluiu, orgulhoso.

Vítor Mendes, pai de António, é o mentor desta aventura do filho. Recordou os tempos em que corria, na mesma época que o pai. “Nunca tive ao meu dispor material suficientemente competitivo para ganhar. Fui campeão nacional em 2008, estava um pouco na sombra do meu pai, corremos os dois na mesma época, mas nunca na realidade senti essa pressão [de ser filho de uma lenda do automobilismo].

Extremamente feliz, Vítor referiu que abdicou da sua “parte desportiva” para se “dedicar ao António, e felizmente que o fiz, porque tem sido muito bom e acabo por me divertir tanto como quando conduzia”, assumiu.

“Estou sempre on-line e cá de fora vou-lhe dando dicas, para que ele possa defender ou atacar os adversários”, há decisões estratégicas “muito importantes” que é o próprio que tem de tomar, e nesta época que agora terminou, “as coisas correram bastante bem”, segundo o pai do jovem.

A preparação para as provas requer muitas horas de trabalho e dedicação. ”Somos uma equipa completamente amadora, o nosso pessoal só trabalha no carro após o horário laboral ou ao fim-de-semana”, explica. “Como em qualquer modalidade, o trabalho de equipa é fundamental, e penso que nós dois acabamos por nos complementar muito bem e, de facto, este ano ganhámos algumas corridas graças a uma preparação melhor para as provas”, terminou Vítor Mendes.

2017: Equipa trigeracional no 24H TT Vila de Fronteira com projeto do patriarca

Santinho Mendes diz já não ter “o bichinho”. Agora “tenho é saudades desse tempo”, contou ao mediotejo.net o patriarca da família.

“Faço alguma coisa no âmbito da mecânica e participo mais para me distrair. Também pratico golf. O que me resta é acompanhar os meus filhos e os meus netos e, neste caso, tentar poder dar uma dica ou outra que possa ser importante no desempenho da corrida”, referiu.

Ainda assim, Santinho Mendes prepara há já algum tempo um projeto familiar que permitirá a participação conjunta nas 24H TT Vila de Fronteira, uma prova de resistência off-road que não costuma falhar.

“Estamos a preparar um Toyota RAV4, este ano vai fazer as 24H TT com outras pessoas, mas a intenção é preparar bem a carroçaria. Este motor tem cerca de 130 cv, o outro terá um motor de 230 cv. Será o mesmo carro, e vai participar o António, o pai, o tio e eu”.

“Será uma festa em família. E talvez seja aí que fecho as portas. Não quer dizer que seja, mas…”, diz, entre risos.

“Tenho muita pena de vê-los a passar e a guiar e não ir lá, e como esta é uma prova onde participam tantos pilotos, tantos carros, uns mais devagar, outros mais depressa… «Olha, vai ali um velhote tão devagarinho!», ninguém nota”, referiu com boa disposição, mostrando-se expectante com este “projeto para 2017”, algo que irá vincar ainda mais o espírito e o gosto pelo desporto automóvel que carateriza a família Santinho Mendes, proporcionando um convívio familiar sobre rodas.

PUB
PUB
Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).