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Sábado, Janeiro 22, 2022
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“Santiago de Montalegre: paróquia há 100 anos”, por José Martinho Gaspar

Em relativamente pouco tempo, é a segunda vez que aqui direciono a atenção para Santiago de Montalegre. Primeiro fi-lo a propósito da edição do livro de Francisco António, intitulado Santiago de Montalegre: A história, as lendas, as gentes, desta vez o motivo são os 100 anos que a Paróquia de Santiago completou este ano e as celebrações que tal facto suscitou.

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A 1 de junho de 1916, deu entrada na Câmara Eclesiástica de Portalegre o processo de criação da Paróquia de Santiago de Montalegre. A petição em causa propunha a desagregação da Paróquia de S. Tiago (Sardoal) das localidades de Mivaqueiro, Lobata, Mógãos, Montalegre, Salgueira, Codes, Amieira e Foz da Amieira e a separação de S. Domingos da Paróquia do Souto, tendo estas localidades, em conjunto, aproximadamente 300 fogos. Ao mesmo tempo, propunha-se a fundação de nova freguesia eclesiástica em torno da Capela de Santiago de Montalegre, já então dotada de condições necessárias para se assumir como igreja matriz.

Projeto da Igreja Paroquial Santiago de Montalegre

Na sequência de um processo que se desenrolou aproximadamente ao longo de seis meses, muito próximo do final de 1916, a 29 de dezembro, reuniu-se a primeira sessão capitular presidida por D. Manuel da Conceição Santos, Bispo de Portalegre, na qual, entre outros assuntos, se decidiu favoravelmente relativamente à proposta da criação da Paróquia de Santiago de Montalegre. Entretanto, a 17 de março de 1917, instituiu-se a oficialmente a nova paróquia. A cerimónia que localmente cumpriu o mandato de execução foi presidida pelo Arcipreste de Abrantes, José Fernandes Raposo, acompanhado do primeiro pároco da nova paróquia, Eusébio Mendes de Figueiredo, e ocorreu a 24 de abril de 1917, na presença de muita população. A criação da Paróquia de Santiago de Montalegre é um caso bastante curioso, porquanto se trata da única criada na Diocese de Portalegre no decurso da Primeira República (1910-1926), período marcado pelo anticlericalismo republicano, assente na Lei se Separação do Estado das Igrejas, publicada a 20 de abril de 1911. É certo, todavia, que em 1917 a Igreja Católica recuperava alguma da sua importância junto da população, o que não pode desligar-se da função assistencial que desempenhava junto das populações num período que decorria a participação de Portugal na I Guerra Mundial.

Abertura da exposição documental e fotográfica
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No começo da década de trinta, porém, a Capela de Santiago, para além de distante, parecia não ter capacidade de resposta para as ação cultual da nova paróquia. Deste modo, no final de 1932, deu entrada na Diocese de Portalegre a planta da nova Igreja Paroquial de Santiago de Montalegre, que já se encontraria parcialmente construída. A inauguração da nova igreja decorreu em 16 de setembro de 1934.

Em novembro de 1954, foi nomeado pároco de Santiago de Montalegre o Padre Manuel Matias, natural de Cardigos, onde se manteve mais de 30 anos (até ao seu falecimento, a 1 de julho de 1985) e tornou-se uma referência que muitos paroquianos ainda guardam com especial carinho na sua memória. Foi exatamente o Padre Matias que desenvolveu todo o processo de reconstrução da Capela de Santiago, que se encontrava em ruínas, a qual foi benzida a 28 de julho de 1957.

Pintura do artista Mário Rodrigues
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No final dos anos sessenta, a Paróquia de Santiago de Montalegre assumiu a sua constituição atual. Na sequência da criação da Paróquia das Fontes, após consulta das populações a agregar, procedeu-se à integração das localidades de Matagosa, Matagosinha e Vale de Tábuas, até aqui pertencentes à Paróquia do Souto, na Paróquia de Santiago de Montalegre.

Durante os tradicionais festejos de verão de Santiago de Montalegre, iniciou-se a comemoração do centenário da Paróquia, que integrou diversas atividades, entre as quais se contam a abertura da exposição fotográfica e documental, na sede da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, intitulada “Santiago de Montalegre. Comunidade Centenária. Memórias.”, o descerramento de uma placa alusiva ao centenário na Igreja Paroquial, onde também passa a figurar uma pintura do conceituado artista Mário Rodrigues, natural da paróquia. As comemorações prosseguem a 8 de dezembro.

 

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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