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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Santana-Maia Leonardo | As ligações à região do advogado mais mediático do momento

Desde meados de agosto de 2016, o nome de Santana-Maia Leonardo passou a ser repetido diariamente na televisão, na rádio e na imprensa nacional por ser o advogado de Ruben Cavaco, o jovem agredido em Ponte de Sor pelos filhos do embaixador iraquiano em Portugal. O mediotejo.net falou com o causídico que tem escritórios em Ponte de Sor e Abrantes (e que já se candidatou à presidência das duas câmaras) e traça o perfil do homem que diz ter vivido toda a sua vida “a remar contra a maré”, ou seja, “sempre do lado mais fraco e do lado mais difícil”.

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Santana-Maia Leonardo nasceu em Setúbal a 5 de outubro de 1958, mas passou a sua infância no triângulo Ponte de Sor-Abrantes-Mouriscas. O seu pai, José Tomás Mendes Leonardo, faleceu a 1 de dezembro de 1967, quando Santana-Maia tinha nove anos. “Com a morte do meu pai, fui viver para a casa dos meus avós maternos em Ponte de Sor”, recorda, referindo que seu avô materno, António Maria de Santana Maia, “era advogado e notário em Ponte de Sor e natural de Mouriscas”, no concelho de Abrantes. “O facto de ter sido criado pelo meu avô materno leva a que muitas pessoas pensem que ele era meu pai”, refere Santana-Maia Leonardo, acrescentando: “Na verdade, foi.”

No seu blog “Coluna Vertical”, Santana-Maia Leonardo dedica um post ao seu avô materno onde fala da relação que teve com ele. “Começou por ser meu avô e acabou por ser meu pai e meu mestre”, descrevendo depois o homem que foi e a influência que ele teve na sua vida. O seu avô era conhecido por Dr. Santana Maia e, por isso, diz, toda a gente o tratou sempre também por Santana Maia.

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O avô António Maria tinha mais dois irmãos e quatro irmãs, todos eles naturais de Mouriscas: Manuel Agostinho Santana Maia, que foi médico no Hospital da Misericórdia de Abrantes e seu diretor durante muitos anos; João Gualberto Santana Maia, médico em Mouriscas e dono do Colégio Infante de Sagres; Ermelinda Lopes Maia, Eugénia Lopes Maia, Martinha Lopes Maia e Maria José Lopes Maia.

Maria Laura de Carvalho Santana Maia, mãe de Santana-Maia Leonardo, em maio de 2004 quando se tornou a primeira juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça, ao lado do seu primo Manuel Lopes Maia Gonçalves, natural de Mouriscas, que foi juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e um dos grandes penalistas portugueses, autor da maior coleção de Códigos anotados de Penal e Processo Penal Foto DR
Maria Laura de Carvalho Santana Maia, mãe de Santana-Maia Leonardo, em maio de 2004, quando se tornou a primeira juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça, ao lado do seu primo Manuel Lopes Maia Gonçalves, natural de Mouriscas, que foi juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e um dos grandes penalistas portugueses, autor da maior coleção de Códigos anotados de Penal e Processo Penal. Foto DR

Com família nas Mouriscas, a infância de Santana-Maia Leonardo foi, segundo o próprio, “passada no triângulo Ponte de Sor, Abrantes e Mouriscas”. Aliás, esta ligação do seu avô às Mouriscas fez com que Santana-Maia Leonardo fosse estudar, como aluno interno, para o Colégio La Salle, em Abrantes, entre 1969 e 1974, tendo recebido a medalha de melhor aluno em 1971 e 1972.

Mas as ligações à região não ficam por aqui: “Fiz o serviço militar como aspirante no 1º BIMec de Santa Margarida (1983/84) e fui capitão da equipa de voleibol da Escola Secundária nº 2 de Abrantes (1985/86), que disputou o campeonato nacional”, refere Santana-Maia Leonardo ao mediotejo.net.

A sua mãe, Maria Laura de Carvalho Santana Maia, foi a primeira juíza conselheira do Supremo Tribunal de Justiça e a primeira mulher inspetora judicial, além de professora no Centro de Estudos Judiciários, conta-nos o advogado.

Numa família com grande ligação ao Direito e à Justiça, Santana-Maia Leonardo licenciou-se em Direito e também em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de estudos Portugueses e Franceses. Foi professor do ensino secundário entre 1981 e 2006 e hoje é advogado e sócio fundador da sociedade de advogados “Santana-Maia Leonardo & Associados”, com escritórios em Abrantes e Ponte de Sor.

Santana-Maia Leonardo na tomada de posse como ptresidente da Delegação e Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados em 2014 Foto: arquivo mediotejo.net
Santana-Maia Leonardo na tomada de posse como prresidente da Delegação e Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados, em 2014. Foto: arquivo/mediotejo.net

Atualmente sem filiação partidária (“desfiliei-me do PSD em fevereiro de 2014”, refere), foi candidato pelo PSD à presidência da Câmara Municipal de Ponte de Sor (1993 e 1997) e à Câmara Municipal de Abrantes (2009), tendo sido vereador em Ponte de Sor (1994-2002) e em Abrantes (2009-2013).

“Apesar de ter sido militante durante 30 anos, nunca aceitei cargos de nomeação partidária ou política e as três candidaturas a presidente de Câmara que levei a cabo foram sempre em autarquias de forte implantação comunista e socialista (Ponte de Sor e Abrantes), onde a vitória eleitoral estava fora da agenda, tendo sido sempre candidaturas de oposição e contra o sistema, representado a nível nacional pelo PS e PSD”, diz.

Políticas à parte, a escrita também está ligada à vida de Santana-Maia Leonardo: foi fundador e diretor do jornal “A Ponte” (1998-2004); é autor de diversos livros como “Mistério da Santaníssima Quaternidade (1980), “Elétrico – Um Clube com Alma” e, mais recentemente, “A Terra de Ninguém” (2015), entre outros. Pertenceu à direção da revista da Associação Académica de Coimbra “Via Latina”, colaborou em diversas revistas e jornais e tem, atualmente, colunas de opinião em jornais nacionais e regionais.

É, desde 2014, o presidente da delegação e do Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados, tendo já sido presidente da delegação de Ponte de Sor da Ordem dos Advogados (2005-2010).

Processo mediático

O advogado defende Ruben Cavaco, o jovem de Ponte de Sor agredido pelos dois filhos do embaixador do Iraque no nosso país. Foto: DR
O advogado defende Ruben Cavaco, o jovem de Ponte de Sor agredido pelos dois filhos do embaixador do Iraque no nosso país. Foto: DR

Sobre o atual processo mediático envolvendo Ruben Cavaco, agredido em Ponte de Sor pelos filhos do embaixador do Iraque, ao mediotejo.net Santana-Maia Leonardo comenta que, neste tipo de casos, “existe sempre uma grande tensão e um grande desgaste”. Até porque “existem cada vez mais órgãos de comunicação social e todos eles querem ao mesmo tempo ter acesso à notícia e a uma notícia diferente, o que obriga a uma permanente disponibilidade e agilidade mental. Hoje, quer queiramos, quer não, não é possível fugir a isto”.

Por outro lado, diz, “caminhamos sempre sobre uma linha muito fina e muito instável, não sendo fácil conciliar, simultaneamente, os interesses dos nossos clientes (que não podemos perder de vista, porque somos os seus guardiões), com os deveres deontológicos (que nos devem sempre orientar para não perdermos o Norte) e com o direito à informação (pedra basilar das sociedades abertas de que eu sou um defensor)”, acrescenta o advogado.

“Em todo o caso, o facto de ter vivido toda a minha vida, seja na política, seja no desporto (sou do Vitória, sócio há mais de 50 anos), a remar sempre contra a maré, ou seja, sempre do lado mais fraco e do lado mais difícil, ajudou-me a criar um espírito extremamente combativo e uma grande resistência à adversidade, o que na advocacia é essencial”, salienta.

O jovem Ruben Cavaco esteve internado em estado muito grave no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, durante três semanas, chegando a estar em estado de coma induzido, devido à brutalidade das agressões. Em entrevista à SIC, os filhos do embaixador iraquiano admitiram as agressões, pediram desculpa e reiteraram nunca ter tido a “intenção de ferir tão gravemente” o rapaz de Ponte de Sor.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros pediu o levantamento da imunidade diplomática dos gémeos de 17 anos, filhos do embaixador do Iraque, para que o Ministério Público os possa ouvir como arguidos num processo onde poderão ser acusados de tentativa de homicídio.

*Artigo originalmente publicado em setembro de 2016. Republicado a 18 de janeiro de 2018, dia em que se ficou a saber que o Ministério Público deduziu acusação para julgamento por tribunal coletivo contra os dois arguidos, imputando-lhes a prática de um crime homicídio na forma tentada.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Isto não está correcto: “chegando a estar em estado de coma devido à brutalidade das agressões” . O Rúben Cavaco esteve em COMA INDUZIDO que é completamente diferente de ter ficado em estado de coma devido aos ferimentos. Coma induzido nem é propriamente coma, mas sim a sedação controlada através de drogas sedativas, com a finalidade de provocar inconsciência para facilitar procedimentos médicos ou proporcionar bem-estar ao paciente.

    • Cara Maria Rodrigues, tem razão quando diz que esteve em coma induzido, esse facto é do conhecimento geral mas iremos clarificar a notícia, para que não existam mal-entendidos. Mas esse procedimento foi justificado pela equipa médica exatamente pela brutalidade das agressões, pela necessidade de o manter profundamente sedado.

  2. O Dr Santana Maia não é só o abogado mais mediatico, este advogado é um homem corajoso,e culto. Ao contrário do que se pensa a provincia tem gente muito conhecedora das leis que nos governam.O Alentejo,Ponte de Sor tem pelo menos mais dois advogados que tem a matriz deste Ilustre Senhor são seus filhos tambem advogados,e eu não ficaria de bem comigo mesma se não deixasse aqui os meus agradecimentos a esta familia a quem eu devo honorarios há muitos anos …Eu foi de Madrid a Ponte de Sor pedir a este senhor que me defendesse num processo que se arrastava a 10 anos …Tenho muitos mais para lhe entregar, para que me possa defender desta gente que administra a saude, com critérios de gestão pessoal como se os serviços de saude fossem propriedade de quem os administra ….

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