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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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“Salame”, por Armando Fernandes

Maior que o salpicão, elaborado com um picado de carnes finas de porco e muita gordura, originário da Itália, afamado o de Milão e Bolonha, cortado em fatias finíssimas servido a sós ou em companhia de outros acepipes alegra inícios de refeições, sendo bastante apreciado nas pizzas, canapés, sem esquecer as sanduíches. A pasta pode ser aromatizada com vinho tinto ou ervas aromáticas, caso do funcho.

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O fabrico de salame irradiou, o dinamarquês tem legiões de adeptos, logo de consumidores; o húngaro é mencionado nos despiques políticos como arma de arremesso lembrando nefanda prática depois da II Guerra Mundial: os comunistas comandados por Moscovo criaram e empregaram a estratégia do salame de modo a conseguirem a hegemonia na nação magiar.

Se o salame é cortado em finas fatias, o Partido Comunista húngaro após a fusão com o Partido Social-Democrata, empreendeu esta táctica comandada pelo ministro do interior Rajik, eliminando progressivamente os opositores de forma a consolidar o poder absoluto dos aliados dos soviéticos. Esta táctica passou a ser discutida e analisada nas academias e centros de estudos políticos, enquanto na gíria o seu significado não deixavam nem deixa margem para dúvidas, eliminação ou desaparecimento.

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Saboroso enchido continua a propiciar prazer palatal, a forma cilíndrica deu e dá azo a outras formulações. Por cá, o salame de chocolate faz as delícias de miúdos e graúdos, não só como coroamento de refeições alongadas, também em merendas e pura e simplesmente sozinho.

Se o leitor é amigo do salame de chocolate, na falta de um cálice de luxuriante vinho branco húngaro Tokay, experimente beber um branco colheita tardia de origem ribatejana e verificará quão melhor pode ser a nossa existência se a melhorarmos recorrendo às coisas boas que temos em nosso redor. Se optar por rechear um pãozinho de leite, ou simplesmente duas fatias de pão com salame de carne de porco, o de vitela perde em matéria de gosto no confronto, e beber a dita colheita tardia encarará o esvair do tempo de ânimo menos reservado, o tempo não se sustem, a nós compete-nos fruí-lo.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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1 COMENTÁRIO

  1. uma bellissima caminhada histórica-gastronómica do meu amigo Salame (felino, milano, con aglio, con peperoncino…)
    obrigado

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