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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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“Salada Russa”, por Armando Fernandes

É do senso comum dizer-se de uma embrulhada ou miscelânea qualquer: aquilo é uma salada russa, e no entanto, a salada existe, trata-se de uma macedónia de legumes ligada com maionese, podendo ser acrescentada de peixe ou carne. A razão do epíteto reside no facto de a uma salada russa poder ser acrescentada toda a sorte de elementos desde que bem temperados e a ligação ser conseguida a contento.

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Esta salada além de possibilitar uma acertada economia doméstica através do aproveitar os restos, a sua amplitude leva-a a distinguir-se da salada de alface e/ou das saladas doces, e é muito comum na época estival. Por isso mesmo existem centenas de receitas cobertas por esta designação dando a entender a sua multiplicidade tantas vezes autêntica tábua de salvação das donas de casa numa situação inesperada de aperto salvando a «honra» do convento como é costume dizer-se.

Uma das melhores saladas russas que degustei foi num «restaurante» de estrada nas imediações de Betanzos (Corunha), a mesma levou anchova, amêijoas, atum e mexilhões e lavagante sendo acompanhada por capitoso vinho branco galego. Bem sei, esta salada russa teve custo acima da média, mas valeu a pena o desajuste porque o calor e o cansaço são a causa de satisfazer a tentação escrita numa lousa preta a giz branco.

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A tentação acima referida é exemplo da união entre o desejo e a sua consumação, porque a composição culinária expressava a sábia união dos alimentos levando ao aplauso de quem a apreciou, por seu turno a cozinheira limitou-se a sorrir e dizer quão contente ficava por nos ter proporcionado prazer, ao fim, e ao cabo, cumpria a missão ternurenta de afagar o palato dos clientes de modo a passados muitos anos eles a recordarem positivamente.

Cara leitora, caro leitor, se tiverem paciência e vagar procurem imitar a cozinheira galega, tentem a execução de uma salada russa que o seja independentemente dos componentes, nunca uma salada russa elaborada de mau modo, misturada a trouxe mouche resultado de um fazer preguiçoso destituído de uma pitada de prazer.

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Avante, mas sem batota do copianço de uma qualquer receita retirada da Internet. Sejam imaginativos!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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