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“Salada”, por Armando Fernandes

Sempre que chega a Primavera para lá do prazer de vislumbrar a surgir na paisagem, logo surge a vontade de apreciar as saladas primaveris na multiplicidade de representações do renovo de alimentos crus ou frios, temperados com gotas ou molhos servidos ao modo de entradas ou acompanhamento de peixes, carnes e/ou espécies vegetais objecto de uma cozedura.

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Para lá da multiplicidade de saladas, escalonadas em simples e compostas, as primeiras só de uma variedade, as segundas das múltiplas saladas verdes, assim se denominam as só preparadas com folhas verdes.

As saladas, como muito bem sabem as senhoras Mestras, acompanham assados, grelhados, fritos e fumados, no entanto, não sofrem anátemas, antes pelo contrário, quando alegram e enriquecem cozidos (cabeças de peixe) e guisados.

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Acerca das saladas existem numerosos chistes, uns picarescos, outros em aforismos de conteúdo filosóficos. Muito boa gente lembra que uma salada a preceito deve ser mexida por um louco e temperada por um cego.

Nos tratados e receituários culinários encontramos saladas que levam nomes próprios e apelidos de mulheres e homens que vão de artistas a cozinheiras e cozinheiros de grande fama, até artistas de todos os quilates e literatos de todos os géneros.

De quando em vez desafio as leitoras e os leitores a exercitarem na arte de conceber apetitosas saladas que podem ser de agriões de um das inúmeras variedade de alface, a chicória frisada, os dentes de leão, e no naipe das saladas pequenas a beldroega, a eruga e a endívia.

Se conseguirem êxito atrevam-se a preparar saladas compostas num fartote de colorações vegetais. Como é sabido vários países reivindicam ser a Pátria destas composições.

Façam o favor de gastarem algum tempo no aprofundamento de saberes sobre saladas e verificarem como as mesmas estão intimamente ligadas ao tratamento da obesidade e à luta pela elegância.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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