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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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“Salada de fruta”, por Armando Fernandes

Dirá o leitor que estou falho de assunto para escrever sobre a prosaica salada de fruta que todos sabem o que é, que todos a sabem fazer, que todos se deliciam a derreterem-na no palato, miúdos e graúdos, tal e qual um parvo vestido de menino chefia meninos fardados de parvos.

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Se antigamente dizíamos o atrás afirmado relativamente aos escuteiros, agora o cenário é outro, os parvos mascaram-se de tifosos do futebol envergando as camisolas e enfiando os gorros dos clubes mais conhecidos, muitos deles vão ao estrangeiro buscar o «fardamento» porque tal como a globalização alimentar nos permite termos frutos exóticos ao pé da porta, coisa impensável há poucas dezenas de anos.

Saladas de frutas são quantas pensamos e queremos, de frutos inteiros quando pequenos – caso das cerejas, das ginjas, dos bagos de uvas, dos mirtilos, ou de frutos grandes cortados às rodelas, aos quadrados ou em pequenos cubos a exemplo das melancias, dos melões, dos pêssegos, das denominadas peras de inverno.

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As saladas porque são uma salsada, quer dizer, uma salada, podem ser apresentadas ao natural, ou aromatizadas com caldas de várias concentrações de sumos, de baunilha, de concentrados alcoólicos ao exemplo de aguardentes também chamadas águas de vida. Aprecio o gosto e o perfume da aguardente Calvados à base de maçã, não rejeito uma salada regada com conhaque ou rum que só têm um defeito, são gulosas.

No tocante a saladas de frutas o leitor ganhará se verificar as amplas possibilidades de não perder espécies porque amadureceram de mais criando macedónias de múltiplos matizes que em última instância se podem beber: estando muito sumarentas verte-as para um copo e nada se perde.

Se for amante de fruta fresca pode conceber saladas simples e compostas, refrescantes nos dias de caloraça que se aproximam, sendo entretém de boca enquanto não surge o prato principal ou reconfortantes a meio da tarde.

Não sou nutricionista, leio os seus conselhos que sigo ou não conforme o dia e a disposição, no entanto, evito as saladas de fruta no fim das refeições, nessa altura prefiro a fruta chamada queijo de cá, lá e pelo caminho.

A propósito, existem queijos predestinados a enriquecerem saladas de fruta, não ouso indicar este ou aquele porque não sou esquisito embora conceda primazia aos de cabra, aos picantes e secos.

Se as saladas de frutas estão associadas à confecção de gelados, vejam-se as ementas de sobremesas que proliferam nos restaurantes da Europa e Américas.

Acho graça e substância à aliança de salada de frutas e bolinhos secos, a salada favorece a ingestão dos bolos secos dos desaires da bola e tal como as beldades dos bordéis chineses do tempo do grande poeta Camilo Pessanha colocavam fruta na boca dos clientes viciados na contemplação e nas cachimbadas de ópio, a frescura e sumo das ditas fruta empurram os desgostos até à próxima época.

Os italianos riram muito, nem a pulga os conseguiu enganar!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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